25 de fev de 2017

As ferrovias do Pontal são exceções em meio ao sucesso de vários processos de privatizações...

Trecho da malha ferroviária do Oeste Paulista em Presidente Venceslau




  Privatizações, concessões, Parcerias Público-Privadas. São vários os termos que definem a aquisição do Patrimônio Público por empresas particulares com o objetivo final de prestar serviços com melhor qualidade, mais transparência e abrangência de clientela. Foi assim, por exemplo, com a telefonia, item considerado pouco acessível à maior parte da população há três décadas. Hoje a telefonia móvel é abrangente, democratizada, ainda que seu custo seja relativamente caro e a qualidade seja questionável. Mesmo assim, é bem mais fácil e barato falar ao telefone atualmente do que no período em que a outorga da telefonia era exclusividade do Estado. Este é o exemplo mais clássico a favor das privatizações, tão rejeitadas pela massa, (talvez por uma questão meramente ideológica). Há também o exemplo da Companhia Vale do Rio Doce, que colheu os frutos do aumento da lucratividade após sua privatização.

  Hoje, em meio a tantos escândalos de corrupção envolvendo a principal Estatal Brasileira, (Petrobrás), o discurso pós privatização ganha mais força, alicerçado pelos argumentos da eficiência, da desburocratização e obviamente, da prevalência da tecnocracia sobre os apadrinhamentos, do corporativismo e principalmente, do aparelhamento político das estatais. O discurso liberal ganha força, pois empresas particulares via de regra, além de prestarem melhores serviços, arrecadam impostos.

   Mas há um exemplo, (talvez único), contrário as benesses das privatizações: as ferrovias, (meio de transporte bem mais barato que o rodoviário), cuja malha encontra-se em avançado processo de deterioração em nossa região. Quem viajou de trem na época em que a malha ferroviária pertencia à extinta FEPASA testemunhou tempos em que os vagões transportavam não somente pessoas, mas também cargas, riquezas, tanto no sentido capital, quanto no sentido interior. Com o discurso de integrar ferrovias e hidrovias, o patrimônio da FEPASA foi repassado à ALL, que depois de tantos anos, não mostrou a que veio.

   Sabe-se que o transporte de passageiros em longas distâncias é praticamente inviável, principalmente se comparados à praticidade e conforto dos ônibus e aviões. Mas e quanto ao transporte de cargas? Não seria interessante que a malha ferroviária fosse revitalizada, transportando de uma só vez, uma quantidade significativa de produtos, barateando fretes, driblando pedágios e chegando ao consumidor final com preços melhores? As exportações não trariam mais divisas ao país, tornando-o mais competitivo? Mas não: O Brasil segue a receita estranha e arcaica da prevalência descomunal dos pneus frente aos vagões. Por qual motivo? Interesses maiores, incompetência ou burrice mesmo? Cadê a ARTESP que não faz estes questionamentos, sendo que cabe a ela realizá-los? Seria de interesse da ALL o sucateamento das ferrovias para a alegria da logística praticada sobre o asfalto? 

   Há quem diga que tecnicamente o traçado das ferrovias é ultrapassado, e que o modelo das tais "bitolas" não estimulam os investimentos necessários para tornar o transporte de cargas sobre trilhos razoavelmente viáveis. Mas a empresa que adquiriu a concessão não sabia de tudo isso? Neste contrato de concessão não existem contrapartidas e obrigações? Em meio a estes questionamentos, presenciamos o sucateamento de toda uma malha ferroviária, que além de inativa, atravessa as áreas urbanas das cidades de uma forma indigna, inoperante, tornando-se um verdadeiro estorvo para seus habitantes. Enfim, por que a privatização, (que deu certo na maioria dos casos), não obteve sucesso específico no caso das ferrovias? É para se pensar...


* O Eldoradense 

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