Há pouco mais de um ano, no calor das emoções pré e pós eleições de 2022, a imagem acima poderia parecer não apenas inimaginável, quanto impossível. A polarização político/ideológica acirrada entre Bolsonaro e o Partido dos Trabalhadores propagam seus reflexos até hoje, basta confirmar a informação analisando os ânimos acirrados entre os eleitores, tanto nos debates políticos presenciais quanto virtuais.
O aperto de mãos feito entre o atual governador de São Paulo e o Presidente da República aconteceu em um evento na cidade de Santos, durante o anúncio da ambiciosa e necessária obra do túnel subaquático da cidade que abriga o principal porto de exportação do país ao Guarujá. Durante os discursos, cordialidade, civilidade, diplomacia.
À primeira vista e diante dos reflexos ainda exaltados por tudo o que aconteceu recentemente, o gesto pode parecer "demagógico", "oportuno' ou até mesmo receber adjetivos mais pejorativos e desrespeitosos, mas repito: Isso aos olhos do eleitor que apenas "torce" política ao invés de analisá-la.
Sob o olhar prático, categórico e objetivo, convenhamos: A obra em questão é de suma importância não só para o povo e a economia de uma região, de um estado, mas também, de um país. E, nesta via de mão dupla, ganha a população, mas também os principais atores políticos desta parceria. Seria, então, uma estupidez levar as rivalidades e diferenças ideológicas ao palanque do evento, pois os interesses correm em uma via de mão dupla, neste caso específico, num túnel subaquático.
É claro que durante os pleitos municipais deste ano e principalmente nos pleitos majoritários de 2026, Lula e Tarcísio voltarão a ser adversários, pois isso é do jogo político. Isso não quer dizer que sejam, necessariamente, inimigos, como enfatizou o próprio governador de São Paulo.
Tarcísio mostra, assim como o presidente Lula, como deve ser feita a política: Combativa quando necessário e diplomática quando assim preciso for. Fazem isso apenas pelo interesse do povo? Seria ingênuo responder que sim. O fazem também por projeções políticas individuais e partidárias futuras, porque ambos, de bobos, não têm nada.
Portanto, a imagem, por mais estranha que possa parecer num primeiro momento, representa o suprassumo da democracia: Que as diferenças existem e sempre existirão, que os debates - muitas vezes acalorados - contribuem sim, para o desenvolvimento de uma sociedade, mas que todo o processo não precisa necessariamente gerar uma polarização tão acirrada a ponto de azedar relações interpessoais, sejam elas de quaisquer natureza. Historicamente, a maior parte da classe política, bem remunerada e gozando dos maiores privilégios, lida muito bem com isso. E nós, da base da pirâmide social, estamos sabendo lidar com as diferenças? Fica a pergunta...
* O Eldoradense
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