3 de jun. de 2026

Comentário: "Brasil 70 - A saga do tri", da Netflix...

 



   No momento em que escrevo este texto, faltam dez dias para a estreia da seleção brasileira diante do Marrocos, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Levando-se em consideração que o maior evento futebolístico do planeta será realizado em três países, e que, em dois deles a seleção nacional sagrou-se campeã (México 70 e EUA 94), o cenário teria tudo para ser de otimismo. Mas não. Qualquer torcedor mais sóbrio percebe que a seleção não está no nível das principais potências futebolísticas, quiçá do adversário da primeira partida, o Marrocos, para qual perdeu um amistoso há três anos pelo placar de 1x2. 

   Não que seja um time ruim. Mas é um time que carece de craques que desequilibram, fator que conta muito a favor para se vencer uma competição dificílima. Para o torcedor que está apático e desconfiado, é necessário uma espécie de energético, um doping de otimismo,  e eu acho que encontrei o tal entorpecente necessário para ao menos, sonhar acordado com o hexa: A série da Netflix "Brasil 70 - A saga do Tri"

      De antemão, qualquer crítico diria que por se tratar de uma ficção que mexe com a memória afetiva do telespectador, a obra nem precisa de tanto esmero para ser um sucesso, pois a mesma já tende a obter êxito por tratar daquela que provavelmente tenha sido a maior conquista do esporte brasileiro em todos os tempos.

    Porém, a série é mais que isso, ainda que não seja perfeita: As interpretações de Rodrigo Santoro (João Saldanha) e Bruno Mazzeo (Zagallo) são impactantes, e até mesmo o ator que interpretou Pelé (Lucas Agrícola) é surpreendente. Marcelo Adnet interpreta Eusébio, um narrador de futebol que divide a cabine de transmissão com Saldanha, o comentarista. A série também explora o contexto histórico e político da época, o auge da ditadura militar durante o governo Médici, que tentava, a todo custo, usar a seleção brasileira como veículo de propagação do regime no intuito de alienar a população.

     Mas o que mais impressiona, ao meu ver, é a fotografia: As imagens dos estádios onde se passam os jogos, contando já com o recurso da inteligência artificial, reproduzindo a atmosfera dos torcedores nas arquibancadas, são bem convincentes. E o que é mais difícil de tudo: Reproduzir de forma fidedigna as jogadas e dribles dos jogos imortalizados por uma seleção vencedora. Os produtores audiovisuais da série foram incrivelmente exitosos neste sentido.

     Por motivos óbvios, me emocionei ao assistir à série. É como se eu matasse saudades de algo que não vivi, pois sou nascido em 1977. É como se a série tivesse me dado o privilégio de ser uma das testemunhas daquela que o mundo considera a maior e melhor seleção de todos os tempos.

       Durante a semifinal contra o Uruguai, Zagallo, em uma cena emblemática, faz uma preleção enérgica no vestiário durante o intervalo, motivando os jogares brasileiros rumo à vitória. Se a série não me trouxe o otimismo enquanto torcedor, ao menos retomou a consciência de que, independente de prognósticos provavelmente desfavoráveis, é quase que obrigatório torcer, tentar enviar energia positiva e quem sabe, fazer o improvável acontecer. Afinal, torcedor sem fé não é torcedor: É espectador, é testemunha!

* O Eldoradense

Comentário: "Brasil 70 - A saga do tri", da Netflix...

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