22 de abr. de 2026

 


  Nossa querida Presidente Venceslau irá completar, neste ano, um século de emancipação político-administrativa. Certamente muitos festejos ocorrerão em nossa cidade, pois a ocasião requer mesmo tais comemorações. Porém, será que alguém se imaginou no lugar dos índios Coroados que aqui viveram em meio ao Perobal que dominava a cena por estas paragens? Será que alguém se colocou no lugar daquele que foi dizimado e, posteriormente, relegado às vagas lembranças de nossa comunidade atual? É por isso que escrevi os versos intitulados "Trem fantasma", onde há uma viagem no tempo numa locomotiva sombria e impetuosa, onde um indígena narra a sua versão dos fatos. Confira...





"Trem fantasma"


Certa noite sonhei,

Sendo Índio Coroados;

No tempo, viajei...

Mais de cem anos passados!


Na vastidão do Perobal,

Perdi minhas terras;

A flecha deixou de ser fatal,

Passou a perder guerras


Os gigantes de madeira,

Caindo agonizantes;

Chacina verdadeira,

Feita pelos bandeirantes


Árvores virando casas,

Ocas sofisticadas;

Matas em brasas...

Nossas tribos dizimadas!


E assim deu-se a conquista,

Impulsionada pelo trem;

Os índios perderam-se de vista...

Não restou  quase ninguém!


Ouvi o som da fanfarra,

Do desfile cívico;

Comemorando em algazarra,

Em tom quase cínico...


"Minha Presidente Venceslau,

Progredir é sua meta,"

Confesso que me senti mal;

Incomodado pela festa...


Acordei na atualidade,

Com a feição pasma;

E vi que na realidade;

Viajei num trem fantasma!


* O Eldoradense

    Nossa querida Presidente Venceslau irá completar, neste ano, um século de emancipação político-administrativa. Certamente muitos fes...