Nossa querida Presidente Venceslau irá completar, neste ano, um século de emancipação político-administrativa. Certamente muitos festejos ocorrerão em nossa cidade, pois a ocasião requer mesmo tais comemorações. Porém, será que alguém se imaginou no lugar dos índios Coroados que aqui viveram em meio ao Perobal que dominava a cena por estas paragens? Será que alguém se colocou no lugar daquele que foi dizimado e, posteriormente, relegado às vagas lembranças de nossa comunidade atual? É por isso que escrevi os versos intitulados "Trem fantasma", onde há uma viagem no tempo numa locomotiva sombria e impetuosa, onde um indígena narra a sua versão dos fatos. Confira...
"Trem fantasma"
Certa noite sonhei,
Sendo Índio Coroados;
No tempo, viajei...
Mais de cem anos passados!
Na vastidão do Perobal,
Perdi minhas terras;
A flecha deixou de ser fatal,
Passou a perder guerras
Os gigantes de madeira,
Caindo agonizantes;
Chacina verdadeira,
Feita pelos bandeirantes
Árvores virando casas,
Ocas sofisticadas;
Matas em brasas...
Nossas tribos dizimadas!
E assim deu-se a conquista,
Impulsionada pelo trem;
Os índios perderam-se de vista...
Não restou quase ninguém!
Ouvi o som da fanfarra,
Do desfile cívico;
Comemorando em algazarra,
Em tom quase cínico...
"Minha Presidente Venceslau,
Progredir é sua meta,"
Confesso que me senti mal;
Incomodado pela festa...
Acordei na atualidade,
Com a feição pasma;
E vi que na realidade;
Viajei num trem fantasma!
* O Eldoradense