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13 de jul. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Restam quatro"

    



  A Copa do Mundo chegou ao seu último afunilamento antes da grande final. Restam quatro seleções e, tal qual em 1990, todas as semifinalistas pertencem ao seleto grupo dos campeões mundiais.

  A primeira vaga foi conquistada pela bicampeã França. Diante de uma seleção marroquina passiva em campo, os “Les bleus” venceram pelo placar convincente de 2 a 0, sem muitos sustos e com Mbappé, mais uma vez, sendo decisivo. A meu ver, é a seleção que vem jogando o futebol mais vistoso da competição, sempre se impondo e demonstrando muita confiança em suas exibições.

  A segunda seleção classificada é a Fúria Espanhola, campeã apenas uma vez, em 2010, na África do Sul. Fez um jogo pragmático, ao seu estilo, e venceu a Bélgica por 2 a 1, em uma disputa na qual qualquer uma das seleções poderia ter saído vencedora. Invictos há 36 partidas e campeões da última Eurocopa, disputada em 2024, os espanhóis eram os mais cotados para erguer o troféu do Mundial de 2026. Levam vantagem estatística em disputas diante dos franceses, seus futuros adversários, e tudo leva a crer que a primeira das semifinais será um jogo daqueles. Estatísticas recentes à parte, e levando em consideração apenas o que foi feito dentro do Mundial, repito: considero os franceses favoritos.

  A terceira vaga é do “English Team”. Inventores do esporte no qual foram campeões mundiais uma única vez, os ingleses procuram vencer um jejum de títulos em Copas do Mundo que já perdura por longos 60 anos. Venceram os surpreendentes noruegueses em um jogo extenuante, que foi para a prorrogação. Contaram com a falha do goleiro adversário, estão jogando um futebol competitivo e têm no artilheiro Harry Kane sua principal referência e liderança. Enfrentarão os argentinos na semifinal, reeditando um duelo recheado de rivalidade dentro e fora dos gramados.

  A quarta e última vaga foi conseguida pelos argentinos, que vêm avançando a cada etapa com muito drama, suor e intensidade, como um legítimo tango de Gardel. Venceram os suíços por 3 a 1, após o jogo também ir para a prorrogação. A expulsão do atacante adversário Embolo gerou muitos questionamentos, mas a verdade é que Los hermanos estão em mais uma semifinal, sendo o único representante sul-americano restante no torneio. Última campeã mundial e seleção mais vezes vencedora da competição entre as semifinalistas, a Argentina conta, mais uma vez, com a genialidade de Messi e enfrentará os ingleses em um jogo que promete muitas emoções e entrega.

  Restam quatro e, ainda que todos os semifinalistas reúnam condições de título, creio que a França está mais credenciada ao triunfo máximo deste Mundial pela qualidade do futebol apresentado. Em um patamar secundário está a Argentina. Correm por fora, a meu ver, espanhóis e ingleses, com ligeira vantagem de possibilidade de título da Fúria diante do English Team. No próximo domingo, apenas um deles poderá soltar o grito de campeão. Resta saber em qual idioma isso será feito!


* O Eldoradense

       

7 de jul. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Ligação suspeita"

 



     E mais um coanfitrião da Copa foi eliminado nas fase oitavas de final da competição: Após o Canadá sucumbir diante do Marrocos e o México diante da Inglaterra, foi a vez dos Estados Unidos serem eliminados pela Bélgica, em incontestável placar de 4x1. 

   Porém, se o placar foi incontestável, os bastidores que antecederam ao jogo entre belgas e estadunidenses tiveram seu teor obscuro: A anulação da suspensão automática do atacante Balogun pelo Comitê disciplinar Fifa, após expulsão em partida anterior contra a Bósnia não foi bem vista mundo afora. 

      Na ocasião, Balogun deu uma entrada violenta no adversário, sendo expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus com direito à revisão do lance através do VAR e suspensão automática para a partida das oitavas. O Comitê disciplinar alterou a decisão, o que está previsto no artigo 27 do Código disciplinar da entidade. Até aí, tudo certo, se não fosse um detalhe: O presidente Donald Trump afirmou ter telefonado para Gianni Infantino, presidente da FIFA, pedindo revisão da suspensão de Balogun. Infantino, por sua vez, admitiu o telefonema, mas negou interferência, alegando independência do Comitê disciplinar. 

     Bastou isso para que os belgas entrassem com recurso e que jogadores, imprensa e torcedores mundo afora se revoltassem com os fatos ocorridos nos bastidores. E não era para ser diferente. O recurso dos belgas foi negado e Balogun entrou em campo. Não adiantou nada, é bem verdade, pois o "sapeca iá iá" belga foi implacável, eliminando os norte-americanos. Trump teve que engolir a derrota futebolística da mesma forma que teve que digerir a derrota para a Venezuela no mundial de beisebol, também em solo estadunidense. 

     Para quem não sabe, há um precedente histórico semelhante, ocorrido na longínqua Copa de 1962, no Chile: Durante a partida semifinal entre brasileiros e chilenos, Garrincha foi expulso após revidar agressões e violência dos adversários. Na época, a expulsão ocorria de forma verbal. A suspensão foi revogada através do mesmo artigo 27 do Código disciplinar da FIFA. O problema é que o Primeiro Ministro brasileiro Tancredo Neves enviou um telegrama para a entidade máxima do futebol pressionando a revogação da suspensão do "Anjo das pernas tortas". Garrincha jogou a final contra a Tchecoslováquia e o Brasil sagrou-se bicampeão mundial de futebol.

   É claro que um erro não justifica outro ocorrido há 64 anos. O fato ocorrido no Chile, de certa forma, ao meu ver, é uma mácula na conquista brasileira. Nos Estados Unidos, os belgas conseguiram fazer justiça com os próprios pés, ao contrário dos Tchecos, em 62. Porém, no quesito qualidade técnica, Balogun é Balogun e Garrincha era Garrincha...

     

         * O Eldoradense

     



A conversa chegou na Copa: "Ressaca"

 

 


  Acabou! Era para eu ter escrito este texto ontem, mas estava de ressaca, como a maioria dos torcedores brasileiros. E não foi exatamente pela derrota em si, mas pela forma como a seleção brasileira foi derrotada. Time apático, deixando a Noruega jogar como bem entendesse, ditando o ritmo do jogo, como se os nórdicos fossem um adversário imponente, o que não são, nem de longe. Dava para ganhar, não era este o jogo com potencial eliminatório para o Brasil. 

    É claro que eu nunca tive esperanças de título, sempre deixei bem claro isso, ainda que eu torcesse por alguma espécie de milagre futebolístico. Mas a razão e a obviedade, através de resultados anteriores, dizia: Estávamos diante da pior seleção brasileira de todos os tempos, infelizmente.

    Quinta colocada nas fraquíssimas e facílimas eliminatórias sul- americanas, não era de esperar muita coisa da seleção brasileira. Fato. Deixar claro que este grupo não tinha condições de título, não era torcer contra. Era realismo, um choque de realidade que o fanatismo alheio não consegue entender. Paciência. 

      Porém, o que intriga é perder para uma seleção que também não é lá grande coisa. Em um post do Facebook, eu havia dito que mais uma vez o Brasil havia perdido para uma seleção intermediária da Europa. Equivoquei-me! Superestimei a Noruega, que nem participou da última Euro 2024, pois eles não conseguiram classificação na fase eliminatória que antecede a competição, ficando atrás de França, e - pasmem - Escócia!

     Sim, aquela mesma Escócia que a pior seleção brasileira de todos os tempos venceu com facilidade por 3x0 na primeira fase desta Copa do Mundo. 

        Culpa de uma CBF desorganizada - pra não dizer outra coisa - Culpa de jogadores tecnicamente limitados e apáticos, e culpa de um técnico que recebe um altíssimo salário para entregar um trabalho de nível medíocre. Uma contratação com péssimo custo-benefício!

       Finalizo dizendo que certa vez, entrei de gaiato numa casa de massas chique em Ubatuba. O cardápio tinha preços salgados, mas eu achei chato sair do lugar e pedi um macarrão à bolonhesa caríssimo. Pelo preço, eu achei que ao menos aquele macarrão poderia ter um sabor diferenciado, algo marcante para justificar o investimento gastronômico. Era igual ou inferior a qualquer macarrão servido em restaurantes simples que servem marmitas. Sim, o macarrão de grife com sabor comum é o Ancelloti: Bom, porém mais lembrado pelo valor astronômico do que pela experiência gastronômica...


                                                * O Eldoradense

27 de jun. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Não se faz mais torcedores como antigamente"...

  

     Final de jogo contra a Escócia, vitória brasileira garantindo o primeiro lugar no grupo C na Copa e consequente classificação para a fase seguinte do torneio. A peleja terminou por volta das 21 horas, numa gélida noite de inverno do interior paulista.

  Independente à temperatura, creio eu, era obrigação do torcedor venceslauense invadir a principal avenida da cidade numa comemoração patriótico-futebolística. Afinal, já foram feitas carreatas patrióticas em nossa cidade por motivos bem mais duvidosos. Mas enfim, isso não vem ao caso, o assunto aqui é futebol e não irei perder o foco.
 
    Pego o carro na expectativa de ver um monte de gente agasalhada na avenida, um buzinaço daqueles e a comemoração comendo frouxa pelo triunfo de Ancelotti e seus pupilos. Mas não foi o que aconteceu! Meia dúzia de carros buzinavam timidamente, não tinha quase ninguém nas ruas e a coisa ficou por isso mesmo, não engrenou. Não parecia em nada com o cenário de outras Copas, outros invernos, outras épocas. O torcedor exige garra dos jogadores, mas ele mesmo já não faz aquele sacrifício ritualístico incondicional e comemorativo pós jogos da seleção.
   
     Acreditem: Se é na Argentina, qualquer mísera vitória contra qualquer adversário sem tradição certamente rende comemorações eufóricas na Patagônia ou em Bariloche. Mas o torcedor venceslauense, definitivamente, já foi mais animado.  Foi-se o tempo eu que triunfos futebolísticos eram comemorados em frente a um bar cujo nome tinha tudo a ver com inverno: O tradicional Bar Pinguim!

     E falando em bar, eu me lembro da Copa de 94: Eu, meu irmão e um amigo inventamos que uma bebida composta de licor de menta e Fanta daria sorte para o Brasil no torneio. Comprávamos sempre os ingredientes num bar na esquina da Tenente Osvaldo Barbosa com a Regente Feijó.  Isso passou a ser um ritual para comemorar o resultado do último jogo e dar sorte para o próximo. O paladar da bebida era uma lástima, mas o aspecto cromático verde amarelo no copo era bem patriota. Não tomaríamos vinho em hipótese alguma, afinal, nossa bebida da sorte jamais seria vermelha! Desculpem-me, olha eu novamente perdendo o foco...

   Mas enfim, eu tenho certeza que o Brasil sagrou-se tetracampeão por conta daquela mistureba composta por licor de menta e Fanta. Foi por causa dela que Baggio bateu aquele pênalti ridículo, não tenho dúvidas! 
 
       A depender do ânimo dos torcedores venceslauenses, acho difícil o hexa acontecer. Não se ganha uma Copa sem sacrifício ritualístico comemorativo contundente e coletivo. Não dá pra ficar cobrando empenho do Neymar se depois do jogo ninguém vai às ruas, limitando-se às postagens nas redes sociais, cobertores, pipoca e sofá. Não dá pra ficar em casa com medo de gripezinha. Depois que a seleção for eliminada, não adianta ficar de "Mi mi mi!". Desculpem, olha eu novamente perdendo o foco...

         * O Eldoradense

23 de jun. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Pelé ou Messi?"

 


 

 "Só sei que nada sei" - Sócrates


 Eu não me lembro exatamente o ano, mas durante o início da carreira futebolística de Messi, escrevi um texto dizendo que o argentino poderia alcançar a hegemonia de Pelé no futebol. Lembro-me que os comentários foram, em sua maioria, discordantes.

   Mais de uma década depois, o craque hermano conquistou sua primeira copa, está jogando seu sexto mundial e se tornou o maior artilheiro da história da competição, alcançando 18 gols. E vejam bem: Atualmente eu tenho a sincera humildade em admitir que não tenho um posicionamento firmado sobre quem é o maior jogador de futebol de todos os tempos.

      Penso que há alguns anos, o debate ainda soava como heresia, hoje, não mais. Ex-jogadores brasileiros e torcedores conterrâneos que viram os dois jogarem, em sua maioria, citam a superioridade do homem que eternizou a camisa número 10.

      Li muito sobre Pelé, ouvi muito sobre o Rei, devorei tudo o que fosse possível de material audiovisual a respeito. Mas sei que não é o suficiente, e quem viu Pelé e Messi jogarem certamente tem uma opinião mais respaldada, com maior autoridade em opinar. 

      Mas às vezes me questiono o quanto tem de passionalidade nas opiniões, o quanto o coração pode estar falando mais alto que a razão nas conclusões a respeito de um debate complicado, levando-se em consideração os desencontros de natureza cronológica e geracional entre ambos os craques. 

      Ronaldo, o Fenômeno, tem a autoridade de um exímio futebolista para discorrer sobre o assunto. E ele disse que na sua opinião, Messi foi o maior. Foi criticado por isso. Sua fala soou quase como um sacrilégio, e sinceramente, não vejo como tal. Sim, eu sei, a fala de Ronaldo tem a desvantagem dos que não viram ambos jogarem, mas... Será que a dúvida é tão descabida assim?

    A única certeza que tenho é que ambos foram brilhantes, e só os dois estão no protagonismo da discussão, nenhum outro. Ambos levaram as carreiras à sério, e não foram apenas jogadores, mas também atletas. A discussão está em pauta, e ela é pertinente, deixando de ser algo impensável, como em tempos atrás. 

     Enquanto santista e brasileiro, tinha tudo para sustentar de forma quase intocável, a condição hegemônica de Pelé. E reitero: A única certeza que tenho, atualmente, quanto ao assunto, é a convicção da dúvida... "Só sei que nada sei!"


* O Eldoradense


20 de jun. de 2026

A conversa chegou na Copa: "O campeão voltou!"

   


    E ontem, na terra de Rock Balboa, também conhecida como Filadelfia, a seleção brasileira venceu, por 3x0, os caribenhos do Haiti. Venceu com propriedade, como precisava ser, assumindo a liderança do grupo, que até então, estava nas mãos dos marroquinos, que haviam vencido os escoceses, minutos antes, pela contagem mínima. 

  A seleção brasileira assume o topo do grupo beneficiada pelo critério de desempate, o saldo de gols, e fechará a primeira fase contra a Escócia, que, mesmo perdendo, deu trabalho para a seleção do Marrocos. Portanto, na última rodada, a seleção canarinho tem tudo para encontrar uma certa dificuldade. Dificuldade esta que não aconteceu contra o Haiti. O Brasil "passeou" no primeiro tempo, talvez mais pela fragilidade do adversário do que propriamente pela suas próprias virtudes. Matheus Cunha deu um recado convincente à Ancelotti na busca pela titularidade e Vini Jr. tem feito uma excelente Copa, obrigado. Sinceramente, eu achei que seria sofrido novamente, o que, felizmente, não aconteceu.

      No segundo tempo houve mais alterações na equipe e o futebol dos canarinhos ficou menos vistoso. Há quem se decepcionou por isso, mas ficou nítido que a seleção brazuca tirou o pé, se poupando para o embate final da primeira fase na próxima quarta-feira.

      Se na primeira rodada a apatia e desconfiança tomaram conta da torcida brasileira, é fato que na segunda rodada o otimismo reacendeu entre os mais eufóricos. Tal qual Rock Balboa na escadaria do museu da Filadélfia, a seleção atingiu sua própria superação, mostrando que o campeão voltou, e não foi à lona, como muitos poderiam ter pensado. Porém, é fato que ainda faltam muitas lutas para a conquista máxima. Enfim, se o Brasil vai ser campeão, é outra história, mas que o campeão voltou, voltou!!


* O Eldoradense

17 de jun. de 2026

A conversa chegou na Copa: "França e Argentina dividindo o protagonismo"

  





  Quase finalizando a primeira rodada da fase de grupos na Copa e praticamente todos os campeões mundiais já estrearam, salvo os inventores do esporte bretão, a Inglaterra, que enfrentará a sempre difícil seleção croata. É prematuro analisar antecipadamente, mas o futebol inglês nunca me empolgou: Entram sempre como um dos favoritos e raramente correspondem. Portanto, ainda que vençam, creio que dificilmente os ingleses superem franceses e argentinos no desempenho futebolístico da primeira rodada.

  Levando-se em consideração o seleto grupo de campeões mundiais, eu não deveria desprezar os alemães, que, além de serem tetracampeões, aplicaram outro sonoro 7x1. Mas convenhamos: Não sei se golear Curaçao serve de parâmetro qualitativo e prenúncio de favoritismo.

     E é nas finalistas da última Copa que os holofotes do bom futebol parecem ter seu foco: A França de Mbappé e a Argentina de Messi foram convincentes em campo, com direito ao protagonismo dos seus grandes craques. Azar dos africanos de Senegal e Argélia. 

        É fato que os Les bleus, no primeiro tempo contra o Senegal, não agradaram. Até houve uma expectativa de que talvez os senegaleses pudessem aplicar uma zebra. Mas no segundo tempo, os franceses viraram a chave de voltagem e colocaram a suposta zebra para correr. Abriram um convincente dois a zero, tomaram um gol nos acréscimos e Mbappé ampliou com a propriedade dos craques que chamam para si a responsabilidade. A atual vice-campeã mundial é claramente uma das grandes favoritas ao título. Nova Jersey foi testemunha. 

      Mais tarde, em Kansas, a Argentina precisava dar uma resposta à altura dos franceses. E particularmente, na minha modesta opinião, fez mais que isso: Os portenhos trituraram a seleção da Argélia, aplicando um sonoro e inquestionável 3x0, com direito a hat-trick de Messi, que igualou-se ao alemão Klose na artilharia histórica de todas as Copas, com 16 gols. Ofuscou também Mbappé, que havia feito dois, poucas horas antes.

       Os argentinos mais uma vez lavaram a alma do futebol sul- americano, que até então, não havia vencido neste mundial. Carimbaram o favoritismo com propriedade e belíssima apresentação, dividindo, ao meu ver, o protagonismo junto aos franceses, porém, com uma ligeira vantagem.

        É cedo cravar qualquer prognóstico, pois até o caminho da finalíssima, muita coisa pode acontecer. Mas seguindo os mais prováveis cruzamentos de grupos, argentinos e franceses só duelariam numa final, reeditando Catar 2022, quando fizeram aquela que foi a maior decisão da história das Copas. Ainda é a primeira rodada, e até a final em Nova Jersey, muita água vai rolar por baixo da ponte do Rio Hudson. Porém, tanto os bleus quanto os albicelestes mostraram que não estão para brincadeira!


* O Eldoradense

15 de jun. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Um a um contra o Marrocos"

  



   Brasil 1x1 Marrocos. A estreia brasileira na Copa 2026 limitou-se a um empate com a contagem mínima de gols diante de uma seleção africana cujo futebol evoluiu muito nas últimas décadas. Há de se levar em consideração que os marroquinos ficaram na quarta colocação na última Copa, em 2022, no Catar, bem como sagraram-se campeões no último Mundial sub-20, realizado no Chile. Não bastassem os recentes êxitos, o país será uma das sedes da próxima Copa do Mundo, em 2030, ao lado de Portugal e Espanha. 

   Mas a escalada marroquina, ao meu ver, teve seu passo inicial no Mundial de Clubes da Fifa, em 2013, quando o Raja Casablanca eliminou o Atlético Mineiro nas semifinais e sucumbiu diante do tradicional Bayern de Munique na finalíssima, ficando com o vice-campeonato.

     Aos olhos do torcedor mais alienado, empatar com o Marrocos na estreia pode ser decepcionante, levando-se em conta o resultado. Mas, como citado nos parágrafos acima, os marroquinos tinham tudo para ser "páreo duro", como realmente foram. O resultado, em si, até que não foi dos piores,  mesmo porque no último jogo entre ambas as seleções, em Tânger, no Marrocos, os donos da casa venceram por 2x1, em 2023. 

    O problema, logo, não foi o empate, e sim como ele aconteceu: a seleção brasileira mostrou muita limitação técnica, desorganização, desentrosamento, apatia. Ficou longe de empolgar o torcedor, salvo em dois momentos:  O primeiro em que Vini Jr tirou um canarinho da gaiola e igualou o placar, aos 31 minutos da etapa inicial. O segundo foi num voleio de Paquetá, que quase culminou numa virada brazuca. 

    Fora isso, foram inúmeros erros de passes, ligações diretas, pouca criatividade e alguns sustos, como na defesa em dois tempos do goleiro Alisson, nos minutos finais da partida.

      Com isso, a seleção brasileira soma um ponto, ficando na terceira colocação do grupo C na Copa. Certamente se classificará para a fase eliminatória, porque o regulamento permite que os oito melhores terceiros colocados avancem. O problema é depois: Com tamanha limitação técnica e tática, é bem difícil acreditar no hexacampeonato, quiçá numa campanha digna. Para isso, seria necessário retirar um bando de canarinhos da gaiola. E Carlo Ancelotti é um bom técnico, mas está longe de ser mágico. 

    Dito isso, finalizo o texto já adiantando que outros virão durante a competição: Pois se a conversa não chegou na cozinha, ao menos chegou na Copa!

* O Eldoradense   

3 de jun. de 2026

Comentário: "Brasil 70 - A saga do tri", da Netflix...

 



   No momento em que escrevo este texto, faltam dez dias para a estreia da seleção brasileira diante do Marrocos, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Levando-se em consideração que o maior evento futebolístico do planeta será realizado em três países, e que, em dois deles a seleção nacional sagrou-se campeã (México 70 e EUA 94), o cenário teria tudo para ser de otimismo. Mas não. Qualquer torcedor mais sóbrio percebe que a seleção não está no nível das principais potências futebolísticas, quiçá do adversário da primeira partida, o Marrocos, para qual perdeu um amistoso há três anos pelo placar de 1x2. 

   Não que seja um time ruim. Mas é um time que carece de craques que desequilibram, fator que conta muito a favor para se vencer uma competição dificílima. Para o torcedor que está apático e desconfiado, é necessário uma espécie de energético, um doping de otimismo,  e eu acho que encontrei o tal entorpecente necessário para ao menos, sonhar acordado com o hexa: A série da Netflix "Brasil 70 - A saga do Tri"

      De antemão, qualquer crítico diria que por se tratar de uma ficção que mexe com a memória afetiva do telespectador, a obra nem precisa de tanto esmero para ser um sucesso, pois a mesma já tende a obter êxito por tratar daquela que provavelmente tenha sido a maior conquista do esporte brasileiro em todos os tempos.

    Porém, a série é mais que isso, ainda que não seja perfeita: As interpretações de Rodrigo Santoro (João Saldanha) e Bruno Mazzeo (Zagallo) são impactantes, e até mesmo o ator que interpretou Pelé (Lucas Agrícola) é surpreendente. Marcelo Adnet interpreta Eusébio, um narrador de futebol que divide a cabine de transmissão com Saldanha, o comentarista. A série também explora o contexto histórico e político da época, o auge da ditadura militar durante o governo Médici, que tentava, a todo custo, usar a seleção brasileira como veículo de propagação do regime no intuito de alienar a população.

     Mas o que mais impressiona, ao meu ver, é a fotografia: As imagens dos estádios onde se passam os jogos, contando já com o recurso da inteligência artificial, reproduzindo a atmosfera dos torcedores nas arquibancadas, são bem convincentes. E o que é mais difícil de tudo: Reproduzir de forma fidedigna as jogadas e dribles dos jogos imortalizados por uma seleção vencedora. Os produtores audiovisuais da série foram incrivelmente exitosos neste sentido.

     Por motivos óbvios, me emocionei ao assistir à série. É como se eu matasse saudades de algo que não vivi, pois sou nascido em 1977. É como se a série tivesse me dado o privilégio de ser uma das testemunhas daquela que o mundo considera a maior e melhor seleção de todos os tempos.

       Durante a semifinal contra o Uruguai, Zagallo, em uma cena emblemática, faz uma preleção enérgica no vestiário durante o intervalo, motivando os jogares brasileiros rumo à vitória. Se a série não me trouxe o otimismo enquanto torcedor, ao menos retomou a consciência de que, independente de prognósticos provavelmente desfavoráveis, é quase que obrigatório torcer, tentar enviar energia positiva e quem sabe, fazer o improvável acontecer. Afinal, torcedor sem fé não é torcedor: É espectador, é testemunha!

* O Eldoradense

25 de mai. de 2026

Comentário: "Sobre o portal na entrada de Presidente Venceslau"

 





O ano era 2014. Eu havia postado no meu blog fotos de uma viagem que fiz ao litoral sul de São Paulo, mais precisamente no Vale do Ribeira, quando fiquei hospedado em Ilha Comprida, mas também visitei Cananeia. Nos comentários da postagem, um leitor — atualmente vereador — sugeriu que houvesse, em Presidente Venceslau, uma espécie de concurso cultural para viabilizar a construção de um portal na entrada de nossa cidade, semelhante ao que havia em Cananeia.


Para quem não sabe ou não conhece, Cananeia é tida como um dos primeiros povoados brasileiros, possui uma história riquíssima e, exatamente por isso, preserva muito de sua cultura colonial e do seu povo caiçara. O portal possui uma arquitetura em estilo colonial, lembrando as casas do centro histórico da cidade, e é feito em uma estrutura mista de concreto revestido em pedras, tendo sobre ele uma nau portuguesa — caravela — além da inscrição: "Cananeia, cidade ilustre do Brasil".


Pois bem: em 2026, Presidente Venceslau comemora o seu primeiro centenário de emancipação político-administrativa. Data única, que obviamente requer comemorações e eventos especiais. Dentre as intenções da atual administração está a construção de um portal, orçado em 450 mil reais, na entrada da cidade, inspirado na histórica torre do casarão da família de um dos fundadores do município. As imagens produzidas através de inteligência artificial preveem uma torre de cada lado da avenida, sendo que elas estão interligadas por um arco superior com a seguinte inscrição: "Presidente Venceslau, bem-vindo".


Ao meu ver, esteticamente bonito, receptivo e em consonância com a história da cidade. Oportuno, eu diria, mediante o fato de vivenciarmos o ano do centenário da nossa emancipação político-administrativa. Porém, como vivemos em uma comunidade de aproximadamente 35.000 habitantes, é óbvio que a construção do portal levanta polêmicas e questionamentos. Muitos alegam outras prioridades, dizendo que o valor destinado ao monumento poderia atender a demandas mais importantes, como a recuperação de vias públicas, por exemplo. Compreendo a ressalva, mas, particularmente, creio que uma coisa não anula a outra. E digo isso com muito conforto, pois a opinião independe de voto ou preferências políticas: Ela está restrita à possível construção do novo portal, e ponto.


Além de agregar beleza cênica a uma das entradas da cidade, o monumento reforçaria a identidade cultural local, fazendo uma alusão àquele que talvez seja o principal cartão-postal do nosso município: a torre do casarão de um dos fundadores.


A minha grande ressalva particular está na localização: ainda que previsto para a entrada do trevo principal, por onde a maioria dos visitantes adentra a cidade e, portanto, possui mais visibilidade, creio que a construção do monumento naquela localidade traga um "excesso de informação visual". Ali já existem o letreiro com o nome da cidade, um coração vermelho e o monumento religioso do Cristo Misericordioso.


Como cidadão, penso que o portal teria um protagonismo cênico maior em outras entradas secundárias da cidade: no trevo do prolongamento da Avenida Carlos Platzeck, junto à pista de caminhadas, ou até mesmo no trevo de acesso à Rodovia Integração que, por ser uma via de menor fluxo, talvez mereça mais atenção da administração pública, inclusive quanto à iluminação do local.


Mas, enfim, esta é uma opinião bem particular em meio a outras 35 mil, aproximadamente. O debate quanto à possível construção do portal é sadio e democrático, e creio que todos os que são a favor ou contrários à obra, embora divergentes, tenham um único objetivo: à sua maneira, cada habitante, cada cidadão, quer o melhor para a comunidade. E a minha opinião está exposta neste artigo.

* O Eldoradense



19 de mar. de 2026

Comentário: Érika Hilton e a legitimidade do cargo

  



 Voltando a escrever depois de algum tempo. Temas para isso não faltam, mas está faltando tempo e alguns dos muitos assuntos em pauta ainda estão inconclusivos, aguardando investigações e possíveis delações. Prefiro escrever sobre assuntos que já tiveram suas definições, para minimizar os riscos de equívocos de avaliação.

   E falando sobre opinião e avaliação, andei lendo sobre a eleição de Érika Hilton para a Presidência da Comissão dos direitos da mulher na Câmara Federal. Sobre isso, existem dois campos: O opinativo e o legal. Sobre o opinativo, ele é amparado no direito de liberdade de expressão, e o que é legal, é legitimado através da Constituição Federal. 

     Enfim, neste caso específico, o sujeito pode achar que a Comissão dos direitos das Mulheres só pode ser exercida por uma "mulher biológica", isso é opinião, tá valendo, desde que não seja ofensivo, discriminatório e vexatório, sujeito às punições legais. Já no campo das leis, nada impede que uma mulher trans ou até mesmo um homem assuma tal função, desde que legitimado através do voto dos integrantes da mesma. Sim, nada impede, o gênero não impede, assim como um homem pode exercer o cargo máximo - delegado - Numa delegacia de mulheres. Simples assim.

     E sabem como foi a eleição? Chapa única! Nenhuma "mulher biológica", conservadora que fosse, encabeçou uma chapa de oposição para confrontar ÉriKa Hilton. Na omissão das "conservadoras", que geralmente evitam protagonizar tais comissões para não parecerem "feministas", Érika assumiu a presidência do colegiado. Com as favas contadas, quem se omitiu, tem o direito de querer virar a mesa? Sinceramente, tanto na esfera opinativa, quanto na legal, não!

      Ano que vem, em outra eleição, quem quiser encabeçar uma chapa de mulheres conservadoras para tal função que o faça, é do jogo, a regra é clara, como diria Arnaldo Cézar Coelho. Para este ano, Érika só não exerce o cargo se houver uma pressão interna governista para renunciar diante da polêmica ou do desgaste. Caso contrário, não.

      A propósito: Se um homem hetero, que não menstrua, não ovula e nem dá à luz tivesse ganho este páreo, será que haveria tanto barulho? Sinceramente, acho que não...


* O Eldoradense

4 de jan. de 2026

"Sobre a ação norte americana na Venezuela"

      

    


  2026 começou com uma notícia bombástica, no sentido literal e metafórico da palavra: as forças bélicas norte-americanas promoveram uma ação de invasão na Venezuela, capturando o então presidente daquele país, Nicolás Maduro, para ser julgado e, muito provavelmente, condenado em solo estadunidense pela acusação de narcoterrorismo.

   É preciso salientar aqui dois pontos distintos. O primeiro é que Maduro não é boa bisca e que todo ditador, golpista ou até mesmo pretenso autocrata merece o destino do julgamento e da prisão. Fato. A democracia, mesmo com todas as suas imperfeições, é a expressão máxima das vontades e dos anseios de um povo. E o povo venezuelano vinha sendo oprimido e subjugado por Maduro. A miséria e a falta de liberdade imperavam no país, que estava sob o terceiro mandato do presidente, eleito em um pleito marcado por falta de transparência e ausência de reconhecimento por parte de várias lideranças internacionais, inclusive do atual presidente do Brasil. Portanto, trata-se do típico caso do sujeito que lidera um país e acredita ser seu dono e que, no fim das contas, de forma legítima ou não, paga por seus atos.

  O segundo ponto diz respeito à legitimidade da ação, que, ao que tudo indica, não ocorre nem dentro das leis norte-americanas, muito menos dentro das normas do direito internacional. É claro que esperar que os poderes constituídos venezuelanos destituíssem Maduro seria utópico, já que os mesmos estavam aparelhados e corrompidos pelo ditador. Porém, no que se refere às próprias leis norte-americanas, tal ação necessitava de aprovação do Congresso daquele país, o que não houve. Em relação ao direito internacional, é evidente que a ação fere os princípios da soberania nacional e da autonomia.

  Sobre a veracidade da motivação da ação, é preciso aguardar mais um pouco. Maduro foi, de fato, denunciado pelas agências de segurança norte-americanas por supostamente liderar um grande cartel de drogas na Venezuela. E, como o país supostamente envia grandes quantidades de narcóticos para o solo americano, Trump viu-se no direito de comandar tal ação, o que vem sendo amplamente contestado por muitas lideranças nacionais e apoiado por outras.

  Dizer que a ação envolve questões ideológicas é a motivação menos provável. Se assim fosse, Cuba já teria sido tomada pelos norte-americanos, e Trump não teria extinguido a maior parte das sobretaxas impostas recentemente ao Brasil, por exemplo. Outra questão envolve os movimentos pós-ação: o presidente norte-americano cogita que, após a transição liderada pelos Estados Unidos, a Venezuela seja governada pela atual vice-presidente chavista, Delcy Rodríguez. Não só fez isso como descartou a possibilidade de passar o bastão para a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado.

  A outra vertente sobre a ação — e que é a mais provável — é que os Estados Unidos estejam mais interessados no ouro negro (petróleo) venezuelano do que propriamente em coibir o tráfico do ouro branco (cocaína) daquele país. Já foi dito que as petrolíferas norte-americanas assumirão o controle da extração do mineral em solo venezuelano enquanto o governo interino, sob tutela dos Estados Unidos, perdurar.

  Minha opinião a respeito? Trump agiu fora da legalidade, mas isso tende a ficar por isso mesmo, pois há tempos ele vem ignorando quaisquer leis, sejam internas ou externas. Por outro lado, Maduro é merecedor de um destino trágico, pois, como afirmei nos primeiros parágrafos, este é o fim de ditadores, autocratas e pretensos golpistas. Não fará falta alguma, nem deixará qualquer lacuna relevante com sua destituição. Além disso, não é descartada a hipótese de o ditador ser também um narcotraficante internacional.

   A compaixão de Trump pelo povo venezuelano e por sua liberdade é equivalente à de Maduro. A mesquinharia e a ambição pela principal commodity daquele país são o que movem tanto o ditador explícito quanto o defensor camuflado da democracia venezuelana em suas ações.

  Quanto à postura do atual governo brasileiro, creio que deva ser pragmática. O país acabou de solucionar um imbróglio diplomático com os Estados Unidos, e manifestar-se contra a ação norte-americana poderia abrir margem para interpretações de apoio a Maduro, ainda que sejam coisas bem distintas. Vivemos uma era de propagação da desinformação e de guerra de narrativas e, a meu ver, não compensa correr esse risco. Tal pragmatismo seria, em tese, antiético? Sim. Mas, se tanto o líder norte-americano quanto o venezuelano também agiram de forma antiética, para que se expor desnecessariamente? Se a invasão foi ilegal — e de fato o foi —, que os organismos internacionais se manifestem.


        * O Eldoradense      

   

       

23 de nov. de 2025

Comentário: "Desdobramentos"

   



A última semana trouxe consigo desdobramentos importantes acerca da condenação de Jair Bolsonaro. Começo o texto falando sobre o fim das sanções norte americanas impostas por Trump aos principais produtos brasileiros exportados para aquele país. Pois é, contrariando as previsões de muita gente, o tal "tarifaço" é fatura liquidada, c´est fini, game over, ou qualquer outra expressão similar ao "acabou" de Galvão Bueno após o Brasil se tornar tetracampeão mundial de futebol em 1994. Ainda sobre isso, transcrevo a previsão "brilhante" de um comentarista anônimo no meu blog: "Tá difícil engolir o xarope ianque? A dose vai aumentar". dose não só diminuiu aos poucos, como praticamente foi extinguida, para desespero daqueles que torcem contra o país motivados por uma simples derrota eleitoral. Seria desonesto atribuir o recuo de Trump aos parcos 40 segundos de conversa entre Lula e o presidente norte americano. Muito provavelmente o xarope ianque percebeu o impacto negativo do tiro que deu no próprio pé, onde os produtos tarifados encareceram o custo de vida do povo norte-americano.

    Um dia depois, o "ferro": Não é uma metáfora, mas sim, uma alusão ao fato de Bolsonaro ter tentado violar sua tornozeleira eletrônica com um pedaço de ferro quente. Réu confesso na tentativa, desmontou toda a narrativa dos seus defensores que alegavam que sua prisão preventiva na carceragem da Polícia Federal, decretada por Alexandre de Moraes, teria sido motivada por uma inocente vigília em frente à sua casa em um condomínio. Condomínio este que comemorou muito a decisão tomada pelo ministro do STF, o que indica o quanto Bolsonaro deve ser um vizinho agradável.  

     Protestos contra a prisão foram organizados pelos filhinhos do papai. Sim, claro, pois este é um país democrático que preza pela liberdade de expressão. Perto do condomínio onde morava o ex-presidente, Ismael Lopes, um dos coordenadores da Frente Evangélica pelo Estado de Direito, acreditou mesmo que bolsonaristas lutam por liberdade de expressão e democracia. Pegou o microfone e discursou... Contra Bolsonaro!

      Sabe aquele palmeirense que, infiltrado na torcida do Corinthians, comemora um gol do verdão no tobogã do Pacaembu? Pois é, não deu bom: O corajoso - ou talvez ingênuo - homem foi expulso a socos e pontapés pelos pacíficos "vigilantes da democracia e liberdade de expressão".

        Enfim, a lista de barbeiragens estratégicas cometidas por esta gente é grande. Eduardo Bolsonaro, pelo visto, vai ter que ficar um bom tempo na Disney. Jair, que um dia zombou explicitamente da prisão de Lula, está vendo que o mundo dá voltas e que a Terra não é plana. Quem com ferro quente fere, com ferro quente será ferido, como profetiza o dito popular. E quem defendia torturadores da época da ditadura militar, hoje clama por prisões humanizadas. Finalizo dizendo que os pitis de Bolsonaro diante da prisão provam duas coisas: Ou é um teatro patético simulando fragilidade, ou o ex-presidente tem a resiliência de manteiga derretida sobre uma fatia de pão quente. É, este é o "mito"...


* O Eldoradense

28 de out. de 2025

Comentário: "O Pacto Federativo e as ideias separatistas..."

 



   Em resumo, o Pacto federativo é um mecanismo legal que trata da distribuição dos recursos e responsabilidades de cada uma das esferas do Poder Público - União, Estados e Municípios. Está previsto desde 1891, dois anos após à Proclamação da República, e sua versão mais atual e moderna é a da Constituição de 1988.   

  Porém, sua intervenção inicial com o intuito de mitigar disparidades regionais ocorreu durante o Estado Novo criado pelo gaúcho Getúlio Vargas. Antes disso, os dois estados mais populosos do Brasil concentravam de forma proporcional e direta o retorno das suas arrecadações, num modelo que beneficiava explicitamente as oligarquias destas duas províncias.  Este antigo molde era classificado por "Federalismo Oligárquico".

     Com o novo modelo instituído por Getúlio Vargas, os Estados perderam a autonomia de gestão dos recursos, que ficou centralizada, e os repasses dos mesmos não aconteceram de forma simétrica e proporcional à arrecadação dos mesmos. Porém, é fato que a centralização da gestão destes recursos durante o regime ditatorial de Vargas não diminuiu as disparidades regionais na prática, muitos especialistas alegam que até aumentaram. Portanto, efetivamente, Vargas priorizou a centralização da arrecadação, e a redução das desigualdades foi mais um pretexto do que um objetivo. 

        A mais recente versão do Pacto Federativo, prevista na Constituição Federal de 1988, dá maior autonomia aos estados e municípios, porém, prevê que os repasses por parte da União aconteçam de forma assimétrica, beneficiando os estados mais pobres da federação, novamente, com o intuito de mitigar as disparidades entre as regiões do Brasil. De forma objetiva, efetiva e estatística, tais desigualdades diminuíram, ainda que permaneçam e talvez não tenham sido mitigadas na velocidade almejada, certamente por conta da corrupção dos agentes públicos.

         Todavia,  é a partir deste mecanismo de tentativa de correção e diminuição das desigualdades que muitos cidadãos das regiões economicamente mais prósperas recorrem aos argumentos da "justiça e da meritocracia" para alimentar ideias separatistas: Segundo eles, quem arrecada mais, "trabalha mais", e portanto, deveria ter os repasses diretamente proporcionais às suas respectivas arrecadações. 

          Penso que se assim fosse, as diferenças regionais enormes que ainda existem, seriam maiores. Os movimentos migratórios em direção às regiões mais ricas seriam recorrentes, o que poderia gerar mais desequilíbrio populacional e dificultar, inclusive, o desenvolvimento das regiões do Centro-Sul do país. E é aí onde entra o radicalismo separatista e delirante de alguns: Para evitar a migração, os defensores da ideia - ao meu ver, mais latente no sul - explicitam, de forma bem clara, a intenção da  divisão do país em duas partes: Uma compondo o Norte e o Nordeste, enquanto a outra, as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. 

     É bom salientar que já nos primeiros parágrafos da Constituição Federal  é dito que a Federação brasileira é indissolúvel, caracterizando a indissolubilidade "cláusula pétrea" da Carta Magna, não podendo ser alterada nem mesmo sob emenda constitucional. Que, portanto, qualquer movimento separatista efetivo que venha a usar métodos que se utilizem da violência ou da força para alcançar tais objetivos, é caracterizado crime.

       Debater ou discutir o Pacto Federativo, visando revisá-lo? Sim, isso é previsto no Estado Democrático de direito, obviamente. Debater o separatismo, ainda que seja um delírio elitista, de quem se acha "os donos da cocada branca"? Também, pois a democracia tolera devaneios no campo das ideias. Porém, qualquer coisa que vá além disso, é crime, é tentativa de golpe. E a história recente do nosso país mostra que nossa democracia é bem tolerante com as ideias. Mas com violência em tentativa de golpe, não! 

       * O Eldoradense

        

         

24 de out. de 2025

Comentário: "A gente não quer só comida e bebida..."


"Bebida, é água,
Comida, é pasto.
Você tem sede de quê? (de quê?)
Você tem fome de quê? (de quê?)







  Acima, o trecho de um dos maiores clássicos do rock nacional, que explodia talentos e músicas de protestos dos anos 80. "Comida" foi gravada em 1987, pouco depois da formalização da abertura política do Brasil e dois anos antes da primeira eleição presidencial após a redemocratização. De lá para cá, passaram-se quase quarenta anos - trinta e oito, para ser mais exato - mas, infelizmente, a música ainda é atual, como se fosse atemporal em um país em que tantos almejam o básico e tratam outros itens  que também são primordiais para o desenvolvimento humano como supérfluo, como "frescura". 

      É como se governos em mais diferentes esferas do poder público tivessem que oferecer aos seus cidadãos apenas o mínimo: O acesso à comida, à água potável e à saúde pública. Como moramos em um país onde muitos não têm acesso à tríade de "benesses" citadas acima, os governantes que os fornecem passam a ter a sensação do dever cumprido, e se as pessoas passam a almejar outras demandas - o que é natural em uma sociedade em evolução - isso soa como desnecessário, irrelevante.

       E a culpa do fenômeno da limitação conformada dos anseios não está restrita a quem governa: Muitos dos cidadãos têm a percepção equivocada de que o que extrapola um pouco o essencial não é necessário, é extravagância. De que o que vai além do pão e da água, é circo. Será mesmo que devemos nos contentar apenas em comer, beber, dormir e trabalhar, como se fôssemos dentes de uma engrenagem faminta por funcionamento incessante em nome da produtividade? 
 
      Não podemos almejar o lazer, o que possa ser belo e esteticamente agradável, às artes, à prática esportiva, os livros, a conhecer outros lugares, a "ter saída para qualquer parte?". A gente não quer só comida, pois a nossa fome vai além das proteínas e carboidratos. A gente não quer só bebida, pois a nossa sede vai muito além de mera água potável. A gente quer ser gente, na mais pura e íntegra essência das nossas existências! 

      É preciso pensar fora da caixinha desgastada, incolor, retrógrada e feia. É preciso querer mais que pão e água potável. É preciso querer também um circo com lonas coloridas, pois viver é uma necessidade bem mais complexa que a restrita e limitada sobrevivência...


* O Eldoradense



           

16 de out. de 2025

Comentário: "Cessar fogo em Gaza"

   



    Há pouco mais de dois anos, o grupo terrorista Hamas realizou um ataque covarde em uma rave que ocorria em Israel. Inicou-se, a partir daí, uma sangrenta guerra que seria mais um dos inúmeros capítulos do conflito árabe-israelense. A nova carnificina no Oriente Médio parecia não ter fim. Líderes do mundo todo manifestaram sua opinião, sendo que o presidente Lula subiu o tom, comparando a ação de Israel ao Holocausto. Reitero que ao meu ver, a fala foi inoportuna e exagerada, pois, como eu disse em texto anterior, na Alemanha do século passado, não houve uma ação concreta dos judeus para justificar o extermínio em massa de Hitler. No caso de Israel, é fato que a reação do país judeu tenha sido desproporcional, porém, houve uma ação concreta e violenta do Hamas para justificar, ao menos, a guerra.

     Dito isso, é importante salientar que apoiar a criação de um Estado Palestino difere totalmente de um apoio ao Hamas. Quem alega que uma coisa se mistura com a outra, das duas, uma: Ou  é desprovido de inteligência, ou usa a confusão como artifício de uma tática corriqueira atualmente, a desonestidade intelectual. Isso ocorre quando o sujeito sabe que o que alega não é verdadeiro, mas assim o faz para confundir os mais desinformados em benefício das próprias convicções.

      A criação de um Estado Palestino prevê o surgimento de um Estado oficial na Faixa de Gaza, com reconhecimento internacional, sujeito também à repreensões e sanções internacionais em casos de abusos contra os direitos humanos. É uma corrente que muitos líderes internacionais de todos os continentes defendem: Para se ter uma ideia precisa, dos 193 Estados-membro da ONU, mais de 140 já reconhecem a independência palestina; (inclusive o Estado do Vaticano).

      É fato dizer que o recente cessar fogo no Oriente Médio não signifique, necessariamente, que a paz foi instaurada em uma região tão conturbada do globo terrestre. Também não dá para deixar de reconhecer a intervenção oportuna e precisa de Donald Trump no processo. O presidente norte-americano chegou a dizer para Netanyahu: "Você vai parar esta guerra agora!" ao passo que também foi enérgico com o Hamas, exigindo a devolução dos reféns vivos e dos corpos das vítimas fatais dos terroristas. 

        Trump exigiu também o desarmamento dos extremistas, e aí, sinceramente, tenho dúvidas que aconteça, pois o Hamas é um grupo extremista e covarde.  Caso não ocorra, prometeu fazê-lo à sua maneira, e caso as ações aconteçam contra os criminosos , sem os exageros cometidos pelos israelenses, que assim seja. Netanyahu foi oportunista, usou o ataque do Hamas como pretexto para justificar sua política expansionista e opressora contra os Palestinos, inclusive para abafar as crescentes denúncias de corrupção dentro do seu próprio governo. 

       Que o Estado Palestino seja criado para autonomia e soberania dequele povo e que o Hamas sofra as consequências de suas atrocidades. Que o cessar fogo deste momento não seja apenas um alento, mas um marco no início de um processo de paz no Oriente Médio. De uma forma ou de outra, Trump teve seu mérito, e, antipatias à parte, é preciso reconhecê-lo.


* O Eldoradense









     




10 de out. de 2025

Comentário: "Crescimento urbano integrado e adensado"

 


   



    Há algumas décadas, o fenômeno era mais explícito e parecia não haver muita preocupação do Poder Público a respeito: As cidades brasileiras cresciam de forma desordenada e sem adensamento, como se os novos bairros fossem "ilhas urbanas" distantes do centro geográfico das mesmas. Havia inúmeros vazios urbanos entre o centro e o subúrbio, causando transtornos para os moradores destes bairros jovens, pois a infrastrutura dos mesmos era precária, e as novas demandas, favoreciam, é claro, os especuladores imobiliários.

      O deslocamento cotidiano dos moradores da periferia, por si só, demandava a necessidade de transporte coletivo. Chegavam, de forma demorada e posterior, outros benefícios, como pavimentação asfáltica, por exemplo. Quem possuía terras neste hiato ou intervalo urbano - muitas vezes, pastos -  tinha seus imóveis consideravelmente valorizados. Ou seja: O sofrimento de muitos significava oportunidades para outros.

         Na maior parte das vezes, os novos bairros surgiam pela iniciativa dos empreendedores privados: Dividiam-se terrenos distantes em áreas rurais sem qualquer infraestrutura, mantinha-se o vazio urbano intercalado, e depois, era só esperar os ganhos financeiros: Em primeiro momento, na venda dos lotes, e posteriormente, na valorização dos espaços vazios futuramente beneficiados com as obras realizadas pelo Poder Público. É bom ressaltar que a cumplicidade do Poder Público, muitas vezes, ia além: Ele próprio, quando construía casas populares, agia da mesma maneira: Conjuntos habitacionais surgiam em espaços distantes e ilhados, e, em alguns casos, até mesmo sem rede de esgoto concluída e em terrenos impróprios, com topografia desfavorável, por exemplo.

     Atualmente, a realidade parece estar mudando lentamente em muitos municípios:  Em várias cidades, os investidores imobiliários privados, por obrigação legislativa, passaram a ter que entregar seus empreendimentos com infraestrutura básica. Os novos conjuntos habitacionais com investimentos públicos, entregam, para seus mutuários, além das casas, energia solar e pavimentação. Quanto às áreas onde são construídas, priorizam-se espaços já integrados ao tecido urbano, incluindo mais e segregando menos. Em várias localidades, a legislação local adota o IPTU progressivo para terrenos, lotes e área ociosos, coibindo, de alguma maneira, a especulação. 

      Porém, mitigar ou consertar os erros históricos cometidos durante o processo de urbanização do Brasil é um desafio enorme, principalmente nas grandes cidades, onde são mais latentes. As favelas são a prova mais explícita destes erros. Muitos moradores sequer habitam ruas com nome e CEP, por exemplo. Nas cidades de médio e pequeno portes, a distância significativa do centro e a falta de pavimentação asfáltica ainda estão presentes. 

       Contudo, é fato que houve uma mudança de comportamento do Poder Público acerca do fenômeno, e este já é um primeiro passo. Esta mudança se deve, principalmente, por conta da percepção de que cidades com tecido urbano adensado e integrado tornam os custos de serviços e obras mais baratos: Distâncias menores trazem menor oneração com transporte coletivo, coleta de lixo, fornecimento de água, saneamento, energia elétrica e internet, por exemplo. Enfim, o tecido urbano integrado e adensado é menos oneroso, mais funcional, além de ser, obviamente, mais inclusivo e harmônico, trazendo mais dignidade aos moradores menos abastados. 


* O Eldoradense     


25 de set. de 2025

Comentário: "Fatos recentes que deram sobrevida à esquerda"

      


    Há alguns dias, postei no Facebook um enunciado de fatores recentes que ao meu ver, deram sobrevida à esquerda no tocante a vislumbrar a reeleição de Lula para 2026. Reeleição esta que mesmo os mais otimistas eleitores esquerdistas via como incerta, haja vista que o atual mandato do Governo Federal sangrava em meio a quedas sucessivas nas pesquisas de opinião a respeito de sua popularidade.

    Mas, como eu disse em texto anterior, se tem um elemento que serve para ressuscitar ou manter acesa a chama do petismo é o Bolsonarismo. Sim, o Bolsonarismo faz com que o Lulopetismo seja retroalimentado, mantendo o esquerdista à esquerda e fazendo com que boa parte dos eleitores de centro ou até mesmo indecisos, façam a conversão para o espectro canhoto da política brasileira. 

      O primeiro elemento citado foi o crime de lesa pátria cometido por Dudu Bolsonaro ao pedir arrego na barra das calças do Trump e está atrelado ao segundo elemento: O tarifaço. A esquerda foi sagaz em elaborar uma narrativa nacionalista acerca do fato, colocando os Bolsonaro como traidores da pátria, incutindo o discurso de que os interesses pessoais sobressaíram sobre o coletivo, o nacional. Estavam errados? Não, pois foi isso mesmo o que aconteceu! Financiadores de campanha de Bolsonaro começaram a amargar prejuízos financeiros com a medida, pois boa parte deles mantinha exportações para os Estados Unidos e se viram vítimas de uma chantagem que fere a soberania nacional.

      O terceiro elemento, obviamente, foi a condenação de Bolsonaro pelo STF no inquérito de tentativa de golpe. Por 4x1, o STF decidiu o que todo mundo sabia, mas que precisava ser oficializado: Bolsonaro liderou sim, uma tentativa de golpe, que culminou nos atos lamentáveis ocorridos em 8 de janeiro. Mais uma vez, só quem acha Bolsonaro inocente, são os Bolsonaristas. Esquerdistas, obviamente, achavam-no culpado, e boa parte dos eleitores de centro e indecisos, tiveram a percepção de que a justiça foi feita de forma imparcial, respeitando o amplo direito de defesa e o princípio do contraditório.

      O quarto e mais recente elemento foi a votação na Câmara da tal "PEC da blindagem" atrelada ao projeto de anistia ampla, geral e irrestrita. Mas que patifaria, hein? Deputados queriam ser julgados apenas com autorização deles mesmos, abrindo espaço para ampliar a sensação de impunidade que existe neste país desde sempre. 

       No último final de semana houve manifestações em várias cidades brasileiras, manifestações estas, diga-se de passagem, organizadas pela sociedade civil, mas que a esquerda, mais uma vez, soube abraçar para si. A boa e amada bandeira brasileira, sequestrada por um grupo político, voltou a ser de todo um país, e o tal projeto de anistia "ampla, geral e irrestrita", se tornará, no máximo, uma revisão das penas criminais, tendo como líder, o deputado Paulinho da Força. Sobre a PEC da blindagem, que nasceu em meio à grande impopularidade, a mesma foi barrada no Senado.

      E ainda há um possível - e eu repito possível -  quinto e futuro elemento: Os desdobramentos de uma provável conversa entre Trump e Lula, depois do breve encontro de ambos os líderes na Assembleia Geral da ONU. Trump elogiou Lula, e disse que rolou uma "química" entre ambos. O Itamarati e até mesmo Lula, obviamente, estão cautelosos quanto à fala. 

      Porém, este é um outro caso em que a esquerda já pode cantar vitória, na minha opinião: Se Lula for maltratado por Trump durante a conversa, reforça o discurso da soberania e do nacionalismo. Por outro lado, se Trump realmente estiver revendo seus conceitos quanto ao Brasil, Lula poderá ser contextualizado como alguém de fato carismático, aberto ao diálogo e bom negociador.

        Como eu disse em várias oportunidades: O Lulopetismo estava praticamente morto até surgir o mandato presidencial de Bolsonaro. E agora, com um governo até então impopular aos olhos da população, Lula respira e já consegue vislumbrar um cenário bem menos desfavorável rumo à reeleição, graças aos sucessivos erros do Bolsonarismo. Aguardemos os próximos capítulos...


* O Eldoradense

       


       

11 de set. de 2025

Comentário: "Condenado!"


 


   As primeiras pedras que eu havia cantado sobre Jair Bolsonaro datam de antes de ele ser eleito. Conhecendo o seu passado improdutivo enquanto Deputado Federal, bem como seu discurso idiota, sensacionalista e inflamado, não seria preciso ter o dom da vidência para saber que boa coisa dali não sairia.

  E vieram o mandato presidencial pífio, a gestão desastrosa e zomebeteira acerca da pandemia, as ameaças constantes de golpe, os questionamentos sobre o processo eleitoral e as afrontas aos Ministros colegiados do STF.

   Com um repertório tosco e motivado por uma minoria barulhenta que propagava fake news  querendo tomar o poder à força, o primeiro revés relevante veio nas urnas: Tornou-se o primeiro presidente a não obter êxito ao tentar reeleição, perdendo para Lula, que até 2018, juntamente com o PT, estava enfrentando rejeição monstruosa da população brasileira. Pois é: Bolsonaro não só conseguiu se autodestruir politicamente, como conseguiu a façanha de ressuscitar alguém que parecia totalmente fora do jogo eleitoral presidencial após absolvição - ou descondenação, chamem como quiserem - pelo STF.

    O segundo revés relevante e galopante em progressão contínua, foi a inelegibilidade. Por cinco votos contra, e apenas dois a favor, o ex-presidente atingiu esta condição por abuso do poder econômico durante o pleito de 2022. Gradualmente, o ex-presidente parecia querer ultrapassar os limites legais, desafiando os Ministros do STF, como se ele estivesse acima do bem e do mal.

       Mas aí, não contente, veio o fatídico e lamentável episódio do 08/01/23. Depredação, vandalismo, cenas paralelas à invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, após a derrota do xarope ianque, o tal de Donald Trump. Para deduzir que aquela palhaçada iria resultar em condenação por tentativa de golpe, não precisa ser bacharel em direito: Bastava saber juntar lé com cré, ter dois dentes e não babar. 

     Na iminência das provas juntadas, da culpa anunciada e no desespero, vieram os pedidos de anistia - até mesmo sem condenação lavrada - e agora, as ameaças vindas dos Estados Unidos, sejam através de sanções econômicas até o delírio de intervenção militar. E o pior: Tem gente adorando isso tudo!

     Os parágrafos seguintes dizem respeito ao que é opinião e o que é fato: O sujeito tem todo o direito de venerar Bolsonaro, de colocar poster dele no quarto, de rezar pelo ex-presidente, de visitá-lo na cadeia, de propagar aos quatro ventos que o "mito" foi condenado sem provas. Porém, fatos, são fatos, e decisões técnico judiciárias são fundamentadas, não são pautadas em "achômetro". Luiz Fux, até agora, foi o único que votou pela absolvição, e ponto, respeito seu voto, ainda que eu discorde. Porém, como eu disse, foi o único que teve esta compreensão, portanto, assim como nas urnas, venceu a maioria colegiada pela condenação. 

      Foram respeitados todos os trâmites legais e o princípio do contraditório. Pedidos pela anistia virão, novas chantagens também, e sim, há a possibilidade de Bolsonaro ser liberto em breve, afinal, este país geralmente pune de forma severa somente os mais pobres, e dificilmente o repertório será mudado. 

     Mas sim, Bolsonaro foi condenado como merecia, aliás. No campo dos fatos e das leis, está consumado. No campo das opiniões e interpretações, é direito o cidadão apaixonado ter seu criminoso de estimação, negar de forma veemente os fatos, afinal, numa democracia, há liberdades, inclusive para chorar. No meu caso, que raramente bebo, vou abrir uma cerveja - sem álcool - para brindar. Falta de aviso, não foi!


* O Eldoradense  

Voa comigo! Dependências do AME, em Presidente Venceslau

  E no último domingo fiz um voo sobre as dependências do canteiro de obras do AME em Presidente Venceslau, utilizando o DJI Avata 2 e sincr...