7 de jul. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Ligação suspeita"

 



     E mais um coanfitrião da Copa foi eliminado nas fase oitavas de final da competição: Após o Canadá sucumbir diante do Marrocos e o México diante da Inglaterra, foi a vez dos Estados Unidos serem eliminados pela Bélgica, em incontestável placar de 4x1. 

   Porém, se o placar foi incontestável, os bastidores que antecederam ao jogo entre belgas e estadunidenses tiveram seu teor obscuro: A anulação da suspensão automática do atacante Balogun pelo Comitê disciplinar Fifa, após expulsão em partida anterior contra a Bósnia não foi bem vista mundo afora. 

      Na ocasião, Balogun deu uma entrada violenta no adversário, sendo expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus com direito à revisão do lance através do VAR e suspensão automática para a partida das oitavas. O Comitê disciplinar alterou a decisão, o que está previsto no artigo 27 do Código disciplinar da entidade. Até aí, tudo certo, se não fosse um detalhe: O presidente Donald Trump afirmou ter telefonado para Gianni Infantino, presidente da FIFA, pedindo revisão da suspensão de Balogun. Infantino, por sua vez, admitiu o telefonema, mas negou interferência, alegando independência do Comitê disciplinar. 

     Bastou isso para que os belgas entrassem com recurso e que jogadores, imprensa e torcedores mundo afora se revoltassem com os fatos ocorridos nos bastidores. E não era para ser diferente. O recurso dos belgas foi negado e Balogun entrou em campo. Não adiantou nada, é bem verdade, pois o "sapeca iá iá" belga foi implacável, eliminando os norte-americanos. Trump teve que engolir a derrota futebolística da mesma forma que teve que digerir a derrota para a Venezuela no mundial de beisebol, também em solo estadunidense. 

     Para quem não sabe, há um precedente histórico semelhante, ocorrido na longínqua Copa de 1962, no Chile: Durante a partida semifinal entre brasileiros e chilenos, Garrincha foi expulso após revidar agressões e violência dos adversários. Na época, a expulsão ocorria de forma verbal. A suspensão foi revogada através do mesmo artigo 27 do Código disciplinar da FIFA. O problema é que o Primeiro Ministro brasileiro Tancredo Neves enviou um telegrama para a entidade máxima do futebol pressionando a revogação da suspensão do "Anjo das pernas tortas". Garrincha jogou a final contra a Tchecoslováquia e o Brasil sagrou-se bicampeão mundial de futebol.

   É claro que um erro não justifica outro ocorrido há 64 anos. O fato ocorrido no Chile, de certa forma, ao meu ver, é uma mácula na conquista brasileira. Nos Estados Unidos, os belgas conseguiram fazer justiça com os próprios pés, ao contrário dos Tchecos, em 62. Porém, no quesito qualidade técnica, Balogun é Balogun e Garrincha era Garrincha...

     

         * O Eldoradense

     



A conversa chegou na Copa: "Ressaca"

 

 


  Acabou! Era para eu ter escrito este texto ontem, mas estava de ressaca, como a maioria dos torcedores brasileiros. E não foi exatamente pela derrota em si, mas pela forma como a seleção brasileira foi derrotada. Time apático, deixando a Noruega jogar como bem entendesse, ditando o ritmo do jogo, como se os nórdicos fossem um adversário imponente, o que não são, nem de longe. Dava para ganhar, não era este o jogo com potencial eliminatório para o Brasil. 

    É claro que eu nunca tive esperanças de título, sempre deixei bem claro isso, ainda que eu torcesse por alguma espécie de milagre futebolístico. Mas a razão e a obviedade, através de resultados anteriores, dizia: Estávamos diante da pior seleção brasileira de todos os tempos, infelizmente.

    Quinta colocada nas fraquíssimas e facílimas eliminatórias sul- americanas, não era de esperar muita coisa da seleção brasileira. Fato. Deixar claro que este grupo não tinha condições de título, não era torcer contra. Era realismo, um choque de realidade que o fanatismo alheio não consegue entender. Paciência. 

      Porém, o que intriga é perder para uma seleção que também não é lá grande coisa. Em um post do Facebook, eu havia dito que mais uma vez o Brasil havia perdido para uma seleção intermediária da Europa. Equivoquei-me! Superestimei a Noruega, que nem participou da última Euro 2024, pois eles não conseguiram classificação na fase eliminatória que antecede a competição, ficando atrás de França, e - pasmem - Escócia!

     Sim, aquela mesma Escócia que a pior seleção brasileira de todos os tempos venceu com facilidade por 3x0 na primeira fase desta Copa do Mundo. 

        Culpa de uma CBF desorganizada - pra não dizer outra coisa - Culpa de jogadores tecnicamente limitados e apáticos, e culpa de um técnico que recebe um altíssimo salário para entregar um trabalho de nível medíocre. Uma contratação com péssimo custo-benefício!

       Finalizo dizendo que certa vez, entrei de gaiato numa casa de massas chique em Ubatuba. O cardápio tinha preços salgados, mas eu achei chato sair do lugar e pedi um macarrão à bolonhesa caríssimo. Pelo preço, eu achei que ao menos aquele macarrão poderia ter um sabor diferenciado, algo marcante para justificar o investimento gastronômico. Era igual ou inferior a qualquer macarrão servido em restaurantes simples que servem marmitas. Sim, o macarrão de grife com sabor comum é o Ancelloti: Bom, porém mais lembrado pelo valor astronômico do que pela experiência gastronômica...


                                                * O Eldoradense

5 de jul. de 2026

Letra de música para a Copa: "Canarinho, fuja da gaiola!"

 



"Canarinho, fuja da gaiola!"


 Canarinho, fuja da gaiola!

Voando sem cansaço;

E no planeta bola...

Reconquiste seu espaço!


Canarinho penta,

Busque o troféu;

Vai lá, arrebenta...

Alcança teu céu!


Nos gramados nortistas,

Deixe a massa perplexa;

Reviva conquistas,

Traga o Hexa!


Com penas amarelas,

Mas sem pena de ninguém;

Sem choro, nem velas...

Mostre quem é quem!


Drible, gingue, dê carrinho,

Cante com raça!

Vai lá, canarinho!

Levanta mais uma taça!


E na constelação do cruzeiro,

Eu já posso vê-la!

Em meu peito brasileiro...

Nascerá a sexta estrela!


              * O Eldoradense                       

A conversa chegou na Copa: "Depois da tempestade, virá a bonança?"

  



  Em junho de 2020, escrevi um conto dividido em três capítulos narrando um embate  entre Thor e Tupã reivindicando a divindade sobre as tempestades e trovões. O plano foi arquitetado por Loki, o Deus da trapaça, que sabendo que havia um Deus do Trovão no hemisfério sul, mais precisamente em Pindorama, instigou o irmão Thor a confrontar o rival das terras austrais. 

  No terceiro e último capítulo, Deus, o nosso Criador, interveio na batalha, colocando as duas divindades pagãs em seus devidos lugares e finalizando a incidência das batalhas que se sucediam sempre no Triângulo das Bermudas, justificando, através da ficção, a instabilidade energética daquela região, onde aconteciam vários naufrágios e desaparecimentos de aeronaves até no século passado.

     O conto era uma metáfora à difusão quase que global do Cristianismo ante a religiões e culturas locais, neste caso, em específico, no Brasil e nos países nórdicos.

     Hoje, em Nova Yorque, jogam pela Copa do Mundo Brasil x Noruega. É uma versão futebolística do embate que imaginei há seis anos. Coincidência ou não, há previsões de severas tempestades durante o jogo, e a FIFA já tem alertado a todos sobre esta possibilidade. 

    Tenho quase que certeza que Haaland é a reencarnação mortal de Thor. Para o nosso lado, resta torcer para que os brasileiros invoquem o espírito guerreiro de Tupã. No fim do conto escrito em 2020, o Deus do Cristianismo saía-se vencedor ante às divindades pagãs, apaziguando a tempestade. Somos mais Cristãos que os noruegueses, e espero que depois da tempestade, venha a bonança...


* O Eldoradense



30 de jun. de 2026

"A conversa chegou na Copa" : "Festa na Ponte da Amizade"!

 



      Ah, que segunda-feira de Copa do Mundo maravilhosa foi esta, hein, amigo leitor!? Escrevo este texto com a garganta rouca e o coração louco por conta de tantas emoções positivas proporcionadas pelos acontecimentos futebolísticos recentes ocorridos em solo norte-americano! 

    Comecemos pelo sofrido Brasil x Japão: Tá, eu imaginava que fosse difícil, mas daí a supor que fosse uma virada  sacramentada nos últimos minutos de jogo, não! Jogo pegado, digno de nervosismo e um final épico, justificado muito mais pela transpiração do que pela inspiração. Sim, o triunfo foi ocasionado pela superação, pelo coração pulsando na ponta das chuteiras, pela adrenalina, pela garra. 

     Eu, que não curto falar palavrões, emiti tantas palavras de baixo calão que deixaria embasbacados Dercy Gonçalves e Ari Toledo bêbados, numa conversa de boteco. Borra, baralho, filhos da luta, acaba logo com esta crosta! Perdão, mãe, sei que não foi esta a educação que a senhora me deu, eu bem que queria assistir ao jogo na minha casa, mas é chato recusar convite materno. Peço desculpas, foi mal, mas foi por uma boa causa, creio que compreenda. Estou quase começando a ficar otimista e arranhando um pouco de crença no hexa, sinceramente!

     O segundo ato veio num duelo entre arianos imponentes e guaranis aguerridos: Alemães e paraguaios duelaram em Boston, e eu só não intitulo o jogo como "A batalha de Boston" porque não teria uma sonoridade agradável. Mas os nossos vizinhos abriram o placar, cederam o empate aos germânicos, e a partir daí, o que se viu foi uma blitz ostensiva europeia, com poucas chances de contra-ataques porque era visível o extremo cansaço paraguaio. Veio a prorrogação, a persistência do empate e a heroica classificação guarani diante dos tetracampeões mundiais. Em meus devaneios, imaginei Solano Lopez dançando guarânia na cara de Hitler, que por sua vez, bebia cerveja adulterada com erva mate no lugar da cevada. Foi tão bom quanto ver o Brasil vencer minutos antes, em Houston.

        E em novo devaneio, imaginei uma festa muito bonita reunindo brasileiros e paraguaios sobre a Ponte da Amizade: Cantos eufóricos misturando o português e o espanhol num êxtase bilíngue, com o Rio Paraná lavando a alma de dois vizinhos sofridos, que têm no futebol uma grande paixão em comum...


* O Eldoradense

27 de jun. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Não se faz mais torcedores como antigamente"...

  

     Final de jogo contra a Escócia, vitória brasileira garantindo o primeiro lugar no grupo C na Copa e consequente classificação para a fase seguinte do torneio. A peleja terminou por volta das 21 horas, numa gélida noite de inverno do interior paulista.

  Independente à temperatura, creio eu, era obrigação do torcedor venceslauense invadir a principal avenida da cidade numa comemoração patriótico-futebolística. Afinal, já foram feitas carreatas patrióticas em nossa cidade por motivos bem mais duvidosos. Mas enfim, isso não vem ao caso, o assunto aqui é futebol e não irei perder o foco.
 
    Pego o carro na expectativa de ver um monte de gente agasalhada na avenida, um buzinaço daqueles e a comemoração comendo frouxa pelo triunfo de Ancelotti e seus pupilos. Mas não foi o que aconteceu! Meia dúzia de carros buzinavam timidamente, não tinha quase ninguém nas ruas e a coisa ficou por isso mesmo, não engrenou. Não parecia em nada com o cenário de outras Copas, outros invernos, outras épocas. O torcedor exige garra dos jogadores, mas ele mesmo já não faz aquele sacrifício ritualístico incondicional e comemorativo pós jogos da seleção.
   
     Acreditem: Se é na Argentina, qualquer mísera vitória contra qualquer adversário sem tradição certamente rende comemorações eufóricas na Patagônia ou em Bariloche. Mas o torcedor venceslauense, definitivamente, já foi mais animado.  Foi-se o tempo eu que triunfos futebolísticos eram comemorados em frente a um bar cujo nome tinha tudo a ver com inverno: O tradicional Bar Pinguim!

     E falando em bar, eu me lembro da Copa de 94: Eu, meu irmão e um amigo inventamos que uma bebida composta de licor de menta e Fanta daria sorte para o Brasil no torneio. Comprávamos sempre os ingredientes num bar na esquina da Tenente Osvaldo Barbosa com a Regente Feijó.  Isso passou a ser um ritual para comemorar o resultado do último jogo e dar sorte para o próximo. O paladar da bebida era uma lástima, mas o aspecto cromático verde amarelo no copo era bem patriota. Não tomaríamos vinho em hipótese alguma, afinal, nossa bebida da sorte jamais seria vermelha! Desculpem-me, olha eu novamente perdendo o foco...

   Mas enfim, eu tenho certeza que o Brasil sagrou-se tetracampeão por conta daquela mistureba composta por licor de menta e Fanta. Foi por causa dela que Baggio bateu aquele pênalti ridículo, não tenho dúvidas! 
 
       A depender do ânimo dos torcedores venceslauenses, acho difícil o hexa acontecer. Não se ganha uma Copa sem sacrifício ritualístico comemorativo contundente e coletivo. Não dá pra ficar cobrando empenho do Neymar se depois do jogo ninguém vai às ruas, limitando-se às postagens nas redes sociais, cobertores, pipoca e sofá. Não dá pra ficar em casa com medo de gripezinha. Depois que a seleção for eliminada, não adianta ficar de "Mi mi mi!". Desculpem, olha eu novamente perdendo o foco...

         * O Eldoradense

23 de jun. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Pelé ou Messi?"

 


 

 "Só sei que nada sei" - Sócrates


 Eu não me lembro exatamente o ano, mas durante o início da carreira futebolística de Messi, escrevi um texto dizendo que o argentino poderia alcançar a hegemonia de Pelé no futebol. Lembro-me que os comentários foram, em sua maioria, discordantes.

   Mais de uma década depois, o craque hermano conquistou sua primeira copa, está jogando seu sexto mundial e se tornou o maior artilheiro da história da competição, alcançando 18 gols. E vejam bem: Atualmente eu tenho a sincera humildade em admitir que não tenho um posicionamento firmado sobre quem é o maior jogador de futebol de todos os tempos.

      Penso que há alguns anos, o debate ainda soava como heresia, hoje, não mais. Ex-jogadores brasileiros e torcedores conterrâneos que viram os dois jogarem, em sua maioria, citam a superioridade do homem que eternizou a camisa número 10.

      Li muito sobre Pelé, ouvi muito sobre o Rei, devorei tudo o que fosse possível de material audiovisual a respeito. Mas sei que não é o suficiente, e quem viu Pelé e Messi jogarem certamente tem uma opinião mais respaldada, com maior autoridade em opinar. 

      Mas às vezes me questiono o quanto tem de passionalidade nas opiniões, o quanto o coração pode estar falando mais alto que a razão nas conclusões a respeito de um debate complicado, levando-se em consideração os desencontros de natureza cronológica e geracional entre ambos os craques. 

      Ronaldo, o Fenômeno, tem a autoridade de um exímio futebolista para discorrer sobre o assunto. E ele disse que na sua opinião, Messi foi o maior. Foi criticado por isso. Sua fala soou quase como um sacrilégio, e sinceramente, não vejo como tal. Sim, eu sei, a fala de Ronaldo tem a desvantagem dos que não viram ambos jogarem, mas... Será que a dúvida é tão descabida assim?

    A única certeza que tenho é que ambos foram brilhantes, e só os dois estão no protagonismo da discussão, nenhum outro. Ambos levaram as carreiras à sério, e não foram apenas jogadores, mas também atletas. A discussão está em pauta, e ela é pertinente, deixando de ser algo impensável, como em tempos atrás. 

     Enquanto santista e brasileiro, tinha tudo para sustentar de forma quase intocável, a condição hegemônica de Pelé. E reitero: A única certeza que tenho, atualmente, quanto ao assunto, é a convicção da dúvida... "Só sei que nada sei!"


* O Eldoradense


A conversa chegou na Copa: "Ligação suspeita"

        E mais um coanfitrião da Copa foi eliminado nas fase oitavas de final da competição: Após o Canadá sucumbir diante do Marrocos e o M...