O ano era 2014. Aqui mesmo, neste blog, eu havia postado
fotos de uma viagem que fiz ao litoral sul de São Paulo, mais precisamente no
Vale do Ribeira, quando fiquei hospedado em Ilha Comprida, mas também visitei
Cananeia. Nos comentários da postagem, um leitor — atualmente vereador —
sugeriu que houvesse, em Presidente Venceslau, uma espécie de concurso cultural
para viabilizar a construção de um portal na entrada de nossa cidade,
semelhante ao que havia em Cananeia.
Para quem não sabe ou
não conhece, Cananeia é tida como um dos primeiros povoados brasileiros, possui
uma história riquíssima e, exatamente por isso, preserva muito de sua cultura
colonial e do seu povo caiçara. O portal possui uma arquitetura em estilo
colonial, lembrando as casas do centro histórico da cidade, e é feito em uma
estrutura mista de concreto revestido em pedras, tendo sobre ele uma nau
portuguesa — caravela — além da inscrição: "Cananeia, cidade ilustre do
Brasil".
Pois bem: em 2026,
Presidente Venceslau comemora o seu primeiro centenário de emancipação
político-administrativa. Data única, que obviamente requer comemorações e
eventos especiais. Dentre as intenções da atual administração está a construção
de um portal, orçado em 450 mil reais, na entrada da cidade, inspirado na
histórica torre do casarão da família de um dos fundadores do município. As
imagens produzidas através de inteligência artificial preveem uma torre de cada
lado da avenida, sendo que elas estão interligadas por um arco superior com a
seguinte inscrição: "Presidente Venceslau, bem-vindo".
Ao meu ver, esteticamente bonito, receptivo e em consonância
com a história da cidade. Oportuno, eu diria, mediante o fato de vivenciarmos o
ano do centenário da nossa emancipação político-administrativa. Porém, como
vivemos em uma comunidade de aproximadamente 35.000 habitantes, é óbvio que a
construção do portal levanta polêmicas e questionamentos. Muitos alegam outras
prioridades, dizendo que o valor destinado ao monumento poderia atender a
demandas mais importantes, como a recuperação de vias públicas, por exemplo.
Compreendo a ressalva, mas, particularmente, creio que uma coisa não anula a
outra. E digo isso com muito conforto, pois a opinião independe de voto ou
preferências políticas: Ela está restrita à possível construção do novo portal,
e ponto.
Além de agregar beleza cênica a uma das entradas da cidade,
o monumento reforçaria a identidade cultural local, fazendo uma alusão àquele
que talvez seja o principal cartão-postal do nosso município: a torre do
casarão de um dos fundadores.
A minha grande
ressalva particular está na localização: ainda que previsto para a entrada do
trevo principal, por onde a maioria dos visitantes adentra a cidade e,
portanto, possui mais visibilidade, creio que a construção do monumento naquela
localidade traga um "excesso de informação visual". Ali já existem o
letreiro com o nome da cidade, um coração vermelho e o monumento religioso do
Cristo Misericordioso.
Como cidadão, penso
que o portal teria um protagonismo cênico maior em outras entradas secundárias
da cidade: no trevo do prolongamento da Avenida Carlos Platzeck, junto à pista
de caminhadas, ou até mesmo no trevo de acesso à Rodovia Integração que, por
ser uma via de menor fluxo, talvez mereça mais atenção da administração pública,
inclusive quanto à iluminação do local.
Mas, enfim, esta é uma opinião bem particular em meio a
outras 35 mil, aproximadamente. O debate quanto à possível construção do portal
é sadio e democrático, e creio que todos os que são a favor ou contrários à obra,
embora divergentes, tenham um único objetivo: à sua maneira, cada habitante,
cada cidadão, quer o melhor para a comunidade. E a minha opinião está exposta
neste artigo.