16 de out. de 2026

Comentário: "A importância do Estado laico" - Escrito também no Blog do Toninho

    



"A importância do Estado laico"


  O primeiro contato que tive com o tema da intolerância religiosa foi por meio da dramaturgia, assistindo à minissérie O Pagador de Promessas, na TV Globo, em 1988, protagonizada por José Mayer. Originalmente escrita para o teatro por Dias Gomes, em 1960, a obra foi adaptada para o cinema em 1962, vencendo a Palma de Ouro no Festival de Cannes e tornando-se o primeiro filme brasileiro a concorrer ao Oscar na categoria de “Melhor Filme Estrangeiro”.

  Basicamente, a história conta a saga de Zé do Burro, um camponês que faz uma promessa para que seu burrinho de estimação, chamado Nicolau, se cure após ser atingido por um raio. A promessa é feita em um terreiro de candomblé à Iansã, que, no sincretismo religioso com o catolicismo, corresponde a Santa Bárbara, protetora contra as tempestades. Zé do Burro promete carregar uma cruz até a igreja da santa, em Salvador, mas enfrenta a oposição do padre justamente por conta do sincretismo religioso que está na origem da promessa. A partir daí, a saga do protagonista ganha outros contornos, inclusive políticos, quando muitos associam, de forma sensacionalista. sua história à pauta da reforma agrária.

  O telespectador que tem o mínimo de empatia solidariza-se com Zé do Burro. Afinal, a trama o trata como um ingênuo injustiçado, o que, de fato, ele é. Porém, o sentimento é apenas de piedade, pois se trata de uma obra de ficção que tem a intolerância religiosa como tema central.

  No entanto, o sentimento transforma-se em revolta quando aquilo que é sagrado para o indivíduo torna-se objeto de desrespeito. Foi o que senti quando o pastor Sérgio Von Helder chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, em um programa televisivo, no ano de 1995. Enquanto católico, obviamente, fiquei indignado.

  Porém, não deixei de fazer uma autorreflexão acerca do fato: quantas outras religiões praticadas no Brasil não sofrem agressões semelhantes por parte da maioria cristã, composta por católicos e protestantes? Quantas vezes não ouvimos a célebre frase “chuta que é macumba” ou até mesmo afirmações de que outras doutrinas minoritárias seriam manifestações de forças malignas?

Pois é, se queremos respeito ao “nosso sagrado”, devemos respeitar o sagrado alheio. É para isso que serve o Estado laico: para que todas as religiões sejam praticadas com liberdade de culto e respeito mútuo. Contudo, um novo sincretismo, o político-religioso, desvirtua a essência do Estado laico, alegando, de forma equivocada, que este pretende proibir as religiões e persegui-las.

  Desonestidade intelectual que parece ter um único objetivo: transformar o país numa teocracia informal e oportunista, com finalidades essencialmente políticas. Mas a Constituição Federal está aí para ser tão respeitada quanto as Bíblias, os Alcorões e as Torás. Que cada cidadão brasileiro tenha o direito de frequentar livremente terreiros, mesquitas, sinagogas, centros espíritas e igrejas. E que a liberdade de culto seja tão sagrada quanto a fé de cada um!

Nando Freitas, ( O Eldoradense )

  

          

13 de out. de 2026

DJI Avata 2 na foz do Caiuazinho

   E na tarde de ontem, no feriado Nacional de Nossa Senhora Aparecida, fiz um voo na foz do Córrego Caiuazinho, no encontro com o Rio Paraná, em Presidente Epitácio. Confira as imagens...


* O Eldoradense

9 de out. de 2026

Crônica: "Ler é saber"

   Texto de minha autoria publicado ontem, no Blog do Toninho...

 


"Ler é saber"


  Lembro-me do título deste texto sendo o nome de uma banca de livros, jornais e revistas que havia no piso superior do Terminal Rodoviário de Presidente Venceslau nos anos 90 e início da década seguinte. Não é preciso dizer que a frase faz todo o sentido, levando-se em consideração a importância da leitura e os horizontes que podem ser abertos ao indivíduo quando ele passa a exercer tal hábito.

  Sabe-se que nosso país sofreu por muito tempo com um fenômeno vergonhoso chamado analfabetismo. Pessoas que, mesmo na fase adulta da vida, não conseguiam ler e, consequentemente, escrever. Enquanto o Brasil era um país predominantemente agrário, muitas dessas pessoas garantiam a sobrevivência por meio do trabalho braçal desde a infância, abrindo mão da frequência escolar ou, então, frequentando as instituições de ensino por pouquíssimos anos.

  Vieram a industrialização e o êxodo rural. Com eles, a mudança do perfil do trabalhador assalariado, cuja alfabetização passou a ser uma necessidade. Aumentou-se vertiginosamente o número de escolas, a educação pública foi democratizada, as taxas de analfabetismo diminuíram, chegando ao atual patamar mínimo da série histórica, de 4,9 pontos percentuais na população de 15 anos ou mais.

  Porém, há uma outra realidade no tocante ao assunto que assusta: o analfabetismo funcional atinge hoje praticamente 30% dos brasileiros na faixa etária entre 15 e 64 anos. Falando de forma bem simplificada, significa que boa parte da nossa população lê e escreve de forma precária, com pouca ou nenhuma compreensão do significado de palavras, frases e textos relativamente simples. À medida que as palavras e os textos tornam-se mais complexos, o fenômeno ganha ainda mais visibilidade.

  Obviamente, o fato se deve principalmente à baixa qualidade do ensino público. Mas existe um outro componente também crucial para a incômoda estatística: não temos o hábito de ler!
Não sei se por falta de incentivo, por conta do clima tropical, por preguiça ou até mesmo pelo poder sedutor do entretenimento digital, é fato que o brasileiro ainda é avesso aos livros. Faço uma pergunta: quanto tempo dos nossos dias dedicamos ao aparelho celular, muitas vezes assistindo, por exemplo, a vídeos curtíssimos que nada agregam ao conhecimento?

Por outro lado, hoje, o acesso à leitura é indiscutivelmente melhor: muitas cidades têm bibliotecas municipais, existem programas de incentivo à leitura, bem como os preços dos livros tornaram-se mais acessíveis. A gama de títulos e assuntos é variadíssima, e não é possível que não haja um tema com o qual um indivíduo se identifique.

  Ler é um exercício essencial, que demanda paciência, estímulo e foco, mas que, depois, torna-se prazeroso. Folhear um livro, embrenhar-se e viajar nas suas histórias, bem como expandir horizontes e conhecimento, é essencial nos dias atuais, fazendo com que o leitor se torne não apenas alguém mais preparado para a vida, como também um cidadão mais crítico, autônomo e consciente. E é a partir de cada edificação individual que o progresso coletivo se alcança e se consolida.

Não tenho conhecimento de nenhuma nação do globo terrestre que tenha conseguido um patamar socioeconômico de excelência sem uma eficiente base educacional e cultural. Enquanto nosso próprio povo encarar leitura e cultura como algo supérfluo, muitos não terão acesso ao básico.

É preciso, urgentemente, virar a página do analfabetismo funcional. E isso só se faz com muita leitura, estudo e busca pelo conhecimento. Para isso, é inegável que as políticas governamentais são importantes, porém, cada um de nós deve também fazer a própria parte. Caso contrário, a tal história do “país do futuro” será como um livro eternamente fechado e empoeirado nas prateleiras de uma estante…

NANDO FREITAS
Funcionário público estadual ( O Eldoradense )

21 de ago. de 2026

DJI Avata 2: "Caminho dos devotos"

 E na última quinta-feira fiz um voo no "Caminho dos devotos", um santuário localizado na Rodovia Assis Chateaubriand, no município de Regente Feijó. Confira as imagens!


* O Eldoradense


19 de ago. de 2026

Crônica: "A casa da rua Henrique Dias"

 



A casa da Rua Henrique Dias

 

   Nunca habitei aquele endereço, mas é como se tivesse, pois frequentei-o bastante. Foi, de fato, a casa de muitos da minha família paterna: avós e tios, além de um bocado de primos. Residência modesta, situada no Parque São Francisco, na Rua Henrique Dias. Construída em madeira, com quintal grande, que tinha uma outra casinha, ainda menor, ao fundo.

  A minha mais remota lembrança é datada do ano de 1980: fiquei sob os cuidados das minhas tias, enquanto minha mãe estava internada para dar à luz ao meu irmão. Muita gente não acredita, mas, com dois anos e meio de idade, eu me lembro disso. Minha mãe chegando de táxi com meu irmão nos braços e eu, com ciúmes de filho único que perdeu o trono.

  Outras tantas lembranças se sucederam: meu avô, já doente, arrancando lascas de rapadura com um facão para que eu e meu irmão saboreássemos. A doce lembrança foi sucedida pelo primeiro amargor nas minhas memórias: em 1983, meu avô faleceu, e eu vivi o primeiro luto, ainda que as compreensões de infância fossem limitadas a respeito do assunto.

  Contudo, havia muita gente naquela casa: minha avó, a tia Tica com três dos seus quatro filhos e o tio André com três dos cinco. Na pequena casa do fundo, a minha tia Rosa morava com o marido. Onze pessoas, fora a movimentação de outros primos e tantos outros colegas.

  Lembro-me do entra e sai intenso, gente saindo e chegando da escola, do trabalho, o som das máquinas de costura das minhas tias funcionando sem parar, a cozinha exalando os aromas do café da manhã, do almoço, do lanche da tarde, do jantar. Dos gritos do papagaio, que odiava meu irmão por atormentá-lo, das clientes das minhas tias chegando em seus carros para provar os vestidos feitos sob medida. A jabuticabeira na parte baixa do quintal, o abacateiro na parte de cima, a casa de pó de serra, o fogão a lenha, a criação de patos, os almoços nas festas de fim de ano.

  O converseiro, a televisão ligada à noite na sala com a luz apagada, o rádio funcionando durante o dia, as discussões sadias sobre futebol entre as metades corintiana e santista da família, os meus primos jogando pelada na rua. Lembro-me de ler os gibis do meu primo Edmilson durante a infância e, mais tarde, na adolescência, devorar a Folha de São Paulo e a revista Veja, que meu primo Nei, já trabalhando no Fórum, assinava.

  A casa, que era lotada, recebia visitantes e parentes de São Paulo e Cuiabá Paulista, mostrando que, tal qual coração de mãe, sempre cabiam mais alguns. Era um ambiente carregado de afeto e acolhimento e, quando dois primos – filhos do tio André – vieram de São Paulo visitar os familiares pela primeira vez, não titubearam: quiseram ficar ali e passaram a habitar também a casa!

  Aos poucos, na segunda metade da década de noventa, o cenário foi mudando. Alguns primos buscaram seus destinos em outras cidades, outros se casaram, meu tio André comprou a própria casa e mudou-se para o Eldorado com os filhos, minha avó Angélica faleceu. Quando passei a frequentar a universidade, deixava a minha moto na garagem da casa e seguia a pé ao posto de combustíveis da Tiradentes para tomar o ônibus com destino a Presidente Prudente. Naquela ocasião, moravam apenas meu primo Nélson e minha tia Tica na casa de baixo, e minha tia Rosa com o marido na casa de cima.

  Gradualmente, o tempo foi se encarregando de diminuir os habitantes daquele endereço. Em 2004, meu primo Nélson se casou, e o quintal passou a se mostrar imenso para três pessoas em duas casas. Há aproximadamente seis anos, minha tia Rosa ficou viúva, e aí ficaram apenas as duas irmãs, já idosas, em duas casas, no quintal que, então, passou a mostrar-se gigantesco e silencioso.

  Duas irmãs inseparáveis, se não fosse a intransigência do tempo e da morte. Há pouco mais de um ano, minha tia Tica faleceu, e certamente foi um baque muito forte para a minha tia Rosa, que não teve filhos, mas foi uma grande mãe para todos os sobrinhos. Ontem, aquele endereço outrora apinhado de gente testemunhou o último suspiro da única remanescente. No Jardim Celestial foi plantada uma nova Rosa: doce, serena, meiga, amorosa.

  É, tempo, você venceu, sempre vence e vencerá. A energia física daquela casa foi se esvaziando aos poucos, e agora são apenas ecos e lembranças nas minhas memórias. E até isso um dia você levará, quando meu coração parar de bater e eu não estiver mais por aqui. Consola-me saber que, neste momento, meus avós, meu pai e todos os meus tios se reencontraram, repovoando uma nova casa, tão apinhada quanto aquela da Rua Henrique Dias. Porém, agora, em outro plano, supostamente eterno. E lá, o cenário muda um pouco: você apenas passa, sem subtrair nada de ninguém...

 

O Eldoradense

   


18 de ago. de 2026

Voa comigo! Invasão do Mirante com o DJI Avata 2

    E na última sexta-feira reeditei o take de "invasão do Mirante histórico" feito anteriormente com o pequenino DJI Neo, utilizando controle remoto comum. Desta vez, partindo também do Estádio Municipal José Francisco Abegão, a nova invasão foi feita com o DJI Avata 2, usando os óculos e controles de voo FPV, com direito à narração. Confiram!


* O Eldoradense



4 de ago. de 2026

Voa comigo! Dependências do AME, em Presidente Venceslau

  E no último domingo fiz um voo sobre as dependências do canteiro de obras do AME em Presidente Venceslau, utilizando o DJI Avata 2 e sincronizando o áudio com a Go pro, improvisando uma narração. Confira!



 * O Eldoradense

Comentário: "A importância do Estado laico" - Escrito também no Blog do Toninho

      "A importância do Estado laico"   O primeiro contato que tive com o tema da intolerância religiosa foi por meio da dramaturg...