13 de jul. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Restam quatro"

    



  A Copa do Mundo chegou ao seu último afunilamento antes da grande final. Restam quatro seleções e, tal qual em 1990, todas as semifinalistas pertencem ao seleto grupo dos campeões mundiais.

  A primeira vaga foi conquistada pela bicampeã França. Diante de uma seleção marroquina passiva em campo, os “Les bleus” venceram pelo placar convincente de 2 a 0, sem muitos sustos e com Mbappé, mais uma vez, sendo decisivo. A meu ver, é a seleção que vem jogando o futebol mais vistoso da competição, sempre se impondo e demonstrando muita confiança em suas exibições.

  A segunda seleção classificada é a Fúria Espanhola, campeã apenas uma vez, em 2010, na África do Sul. Fez um jogo pragmático, ao seu estilo, e venceu a Bélgica por 2 a 1, em uma disputa na qual qualquer uma das seleções poderia ter saído vencedora. Invictos há 36 partidas e campeões da última Eurocopa, disputada em 2024, os espanhóis eram os mais cotados para erguer o troféu do Mundial de 2026. Levam vantagem estatística em disputas diante dos franceses, seus futuros adversários, e tudo leva a crer que a primeira das semifinais será um jogo daqueles. Estatísticas recentes à parte, e levando em consideração apenas o que foi feito dentro do Mundial, repito: considero os franceses favoritos.

  A terceira vaga é do “English Team”. Inventores do esporte no qual foram campeões mundiais uma única vez, os ingleses procuram vencer um jejum de títulos em Copas do Mundo que já perdura por longos 60 anos. Venceram os surpreendentes noruegueses em um jogo extenuante, que foi para a prorrogação. Contaram com a falha do goleiro adversário, estão jogando um futebol competitivo e têm no artilheiro Harry Kane sua principal referência e liderança. Enfrentarão os argentinos na semifinal, reeditando um duelo recheado de rivalidade dentro e fora dos gramados.

  A quarta e última vaga foi conseguida pelos argentinos, que vêm avançando a cada etapa com muito drama, suor e intensidade, como um legítimo tango de Gardel. Venceram os suíços por 3 a 1, após o jogo também ir para a prorrogação. A expulsão do atacante adversário Embolo gerou muitos questionamentos, mas a verdade é que Los hermanos estão em mais uma semifinal, sendo o único representante sul-americano restante no torneio. Última campeã mundial e seleção mais vezes vencedora da competição entre as semifinalistas, a Argentina conta, mais uma vez, com a genialidade de Messi e enfrentará os ingleses em um jogo que promete muitas emoções e entrega.

  Restam quatro e, ainda que todos os semifinalistas reúnam condições de título, creio que a França está mais credenciada ao triunfo máximo deste Mundial pela qualidade do futebol apresentado. Em um patamar secundário está a Argentina. Correm por fora, a meu ver, espanhóis e ingleses, com ligeira vantagem de possibilidade de título da Fúria diante do English Team. No próximo domingo, apenas um deles poderá soltar o grito de campeão. Resta saber em qual idioma isso será feito!


* O Eldoradense

       

9 de jul. de 2026

Crônica: "Bets"

 

 


 Bons tempos em que se jogava "bets" nas ruas. Bastavam quatro jogadores, duas latas de óleo e dois tacos improvisados - que muitas vezes eram cabos de vassouras - e estava configurada uma diversão sadia que marcou época nas ruas suburbanas de terra ou asfalto, fazendo a alegria de muitas crianças e adolescentes de outrora. O jogo em questão tem este nome por uma derivação da palavra inglesa "bat", que na sua tradução para a  língua portuguesa, quer dizer "taco" ou "bastão". 

   Hoje, quando se fala em "bets", creio que só os "quarenta mais" irão se lembrar da brincadeira romântica dos bastões e latas. O termo, é bem verdade, ainda está ligado ao jogo, porém, a uma diversão bem menos sadia e que envolve uma quantidade bem maior de pessoas, que, conectadas ao mundo digital, fazem suas apostas atreladas aos mais variados esportes. Verdadeiros cassinos online que adentram os cômodos do mais humilde casebre às mais requintadas mansões. 

     A psiquiatria revela que o efeito viciante dos jogos de azar no cérebro do apostador pode ser similar ao das drogas, causando uma dependência também patológica, com potencial de arruinar a vida não só do indivíduo, como da família. Há inúmeros relatos de pessoas que estão deixando suas vidas de lado, mergulhadas na ilusão do suposto "dinheiro fácil" que as bets podem proporcionar.

      E elas estão aí: Patrocinando emissoras, atletas, clubes, eventos esportivos. Há também vários casos de resultados de partidas forjados e atletas envolvidos em esquemas de apostas, comprometendo um ambiente que deveria estar atrelado à saúde e ao bom entretenimento. 

        E é claro que elas vieram para ficar, pois além de ser um fenômeno de difícil controle, exercê-lo certamente iria contrariar interesses financeiros poderosíssimos. Mas talvez um primeiro passo seria proibir os patrocínios e propagandas destas empresas a quaisquer ligações com o esporte, assim como fizeram com as empresas fabricantes de cigarros em um passado não muito distante. Afinal, o objetivo do esporte é promover saúde, bem estar, entretenimento saudável e qualidade de vida. E as tais bets contemporâneas não proporcionam nada disso, ao contrário da inocente e lúdica brincadeira que envolvia tacos, latas de óleo e quatro entusiasmados participantes...


* O Eldoradense

7 de jul. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Ligação suspeita"

 



     E mais um coanfitrião da Copa foi eliminado nas fase oitavas de final da competição: Após o Canadá sucumbir diante do Marrocos e o México diante da Inglaterra, foi a vez dos Estados Unidos serem eliminados pela Bélgica, em incontestável placar de 4x1. 

   Porém, se o placar foi incontestável, os bastidores que antecederam ao jogo entre belgas e estadunidenses tiveram seu teor obscuro: A anulação da suspensão automática do atacante Balogun pelo Comitê disciplinar Fifa, após expulsão em partida anterior contra a Bósnia não foi bem vista mundo afora. 

      Na ocasião, Balogun deu uma entrada violenta no adversário, sendo expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus com direito à revisão do lance através do VAR e suspensão automática para a partida das oitavas. O Comitê disciplinar alterou a decisão, o que está previsto no artigo 27 do Código disciplinar da entidade. Até aí, tudo certo, se não fosse um detalhe: O presidente Donald Trump afirmou ter telefonado para Gianni Infantino, presidente da FIFA, pedindo revisão da suspensão de Balogun. Infantino, por sua vez, admitiu o telefonema, mas negou interferência, alegando independência do Comitê disciplinar. 

     Bastou isso para que os belgas entrassem com recurso e que jogadores, imprensa e torcedores mundo afora se revoltassem com os fatos ocorridos nos bastidores. E não era para ser diferente. O recurso dos belgas foi negado e Balogun entrou em campo. Não adiantou nada, é bem verdade, pois o "sapeca iá iá" belga foi implacável, eliminando os norte-americanos. Trump teve que engolir a derrota futebolística da mesma forma que teve que digerir a derrota para a Venezuela no mundial de beisebol, também em solo estadunidense. 

     Para quem não sabe, há um precedente histórico semelhante, ocorrido na longínqua Copa de 1962, no Chile: Durante a partida semifinal entre brasileiros e chilenos, Garrincha foi expulso após revidar agressões e violência dos adversários. Na época, a expulsão ocorria de forma verbal. A suspensão foi revogada através do mesmo artigo 27 do Código disciplinar da FIFA. O problema é que o Primeiro Ministro brasileiro Tancredo Neves enviou um telegrama para a entidade máxima do futebol pressionando a revogação da suspensão do "Anjo das pernas tortas". Garrincha jogou a final contra a Tchecoslováquia e o Brasil sagrou-se bicampeão mundial de futebol.

   É claro que um erro não justifica outro ocorrido há 64 anos. O fato ocorrido no Chile, de certa forma, ao meu ver, é uma mácula na conquista brasileira. Nos Estados Unidos, os belgas conseguiram fazer justiça com os próprios pés, ao contrário dos Tchecos, em 62. Porém, no quesito qualidade técnica, Balogun é Balogun e Garrincha era Garrincha...

     

         * O Eldoradense

     



A conversa chegou na Copa: "Ressaca"

 

 


  Acabou! Era para eu ter escrito este texto ontem, mas estava de ressaca, como a maioria dos torcedores brasileiros. E não foi exatamente pela derrota em si, mas pela forma como a seleção brasileira foi derrotada. Time apático, deixando a Noruega jogar como bem entendesse, ditando o ritmo do jogo, como se os nórdicos fossem um adversário imponente, o que não são, nem de longe. Dava para ganhar, não era este o jogo com potencial eliminatório para o Brasil. 

    É claro que eu nunca tive esperanças de título, sempre deixei bem claro isso, ainda que eu torcesse por alguma espécie de milagre futebolístico. Mas a razão e a obviedade, através de resultados anteriores, dizia: Estávamos diante da pior seleção brasileira de todos os tempos, infelizmente.

    Quinta colocada nas fraquíssimas e facílimas eliminatórias sul- americanas, não era de esperar muita coisa da seleção brasileira. Fato. Deixar claro que este grupo não tinha condições de título, não era torcer contra. Era realismo, um choque de realidade que o fanatismo alheio não consegue entender. Paciência. 

      Porém, o que intriga é perder para uma seleção que também não é lá grande coisa. Em um post do Facebook, eu havia dito que mais uma vez o Brasil havia perdido para uma seleção intermediária da Europa. Equivoquei-me! Superestimei a Noruega, que nem participou da última Euro 2024, pois eles não conseguiram classificação na fase eliminatória que antecede a competição, ficando atrás de França, e - pasmem - Escócia!

     Sim, aquela mesma Escócia que a pior seleção brasileira de todos os tempos venceu com facilidade por 3x0 na primeira fase desta Copa do Mundo. 

        Culpa de uma CBF desorganizada - pra não dizer outra coisa - Culpa de jogadores tecnicamente limitados e apáticos, e culpa de um técnico que recebe um altíssimo salário para entregar um trabalho de nível medíocre. Uma contratação com péssimo custo-benefício!

       Finalizo dizendo que certa vez, entrei de gaiato numa casa de massas chique em Ubatuba. O cardápio tinha preços salgados, mas eu achei chato sair do lugar e pedi um macarrão à bolonhesa caríssimo. Pelo preço, eu achei que ao menos aquele macarrão poderia ter um sabor diferenciado, algo marcante para justificar o investimento gastronômico. Era igual ou inferior a qualquer macarrão servido em restaurantes simples que servem marmitas. Sim, o macarrão de grife com sabor comum é o Ancelloti: Bom, porém mais lembrado pelo valor astronômico do que pela experiência gastronômica...


                                                * O Eldoradense

5 de jul. de 2026

Letra de música para a Copa: "Canarinho, fuja da gaiola!"

 



"Canarinho, fuja da gaiola!"


 Canarinho, fuja da gaiola!

Voando sem cansaço;

E no planeta bola...

Reconquiste seu espaço!


Canarinho penta,

Busque o troféu;

Vai lá, arrebenta...

Alcança teu céu!


Nos gramados nortistas,

Deixe a massa perplexa;

Reviva conquistas,

Traga o Hexa!


Com penas amarelas,

Mas sem pena de ninguém;

Sem choro, nem velas...

Mostre quem é quem!


Drible, gingue, dê carrinho,

Cante com raça!

Vai lá, canarinho!

Levanta mais uma taça!


E na constelação do cruzeiro,

Eu já posso vê-la!

Em meu peito brasileiro...

Nascerá a sexta estrela!


              * O Eldoradense                       

A conversa chegou na Copa: "Depois da tempestade, virá a bonança?"

  



  Em junho de 2020, escrevi um conto dividido em três capítulos narrando um embate  entre Thor e Tupã reivindicando a divindade sobre as tempestades e trovões. O plano foi arquitetado por Loki, o Deus da trapaça, que sabendo que havia um Deus do Trovão no hemisfério sul, mais precisamente em Pindorama, instigou o irmão Thor a confrontar o rival das terras austrais. 

  No terceiro e último capítulo, Deus, o nosso Criador, interveio na batalha, colocando as duas divindades pagãs em seus devidos lugares e finalizando a incidência das batalhas que se sucediam sempre no Triângulo das Bermudas, justificando, através da ficção, a instabilidade energética daquela região, onde aconteciam vários naufrágios e desaparecimentos de aeronaves até no século passado.

     O conto era uma metáfora à difusão quase que global do Cristianismo ante a religiões e culturas locais, neste caso, em específico, no Brasil e nos países nórdicos.

     Hoje, em Nova Yorque, jogam pela Copa do Mundo Brasil x Noruega. É uma versão futebolística do embate que imaginei há seis anos. Coincidência ou não, há previsões de severas tempestades durante o jogo, e a FIFA já tem alertado a todos sobre esta possibilidade. 

    Tenho quase que certeza que Haaland é a reencarnação mortal de Thor. Para o nosso lado, resta torcer para que os brasileiros invoquem o espírito guerreiro de Tupã. No fim do conto escrito em 2020, o Deus do Cristianismo saía-se vencedor ante às divindades pagãs, apaziguando a tempestade. Somos mais Cristãos que os noruegueses, e espero que depois da tempestade, venha a bonança...


* O Eldoradense



30 de jun. de 2026

"A conversa chegou na Copa" : "Festa na Ponte da Amizade"!

 



      Ah, que segunda-feira de Copa do Mundo maravilhosa foi esta, hein, amigo leitor!? Escrevo este texto com a garganta rouca e o coração louco por conta de tantas emoções positivas proporcionadas pelos acontecimentos futebolísticos recentes ocorridos em solo norte-americano! 

    Comecemos pelo sofrido Brasil x Japão: Tá, eu imaginava que fosse difícil, mas daí a supor que fosse uma virada  sacramentada nos últimos minutos de jogo, não! Jogo pegado, digno de nervosismo e um final épico, justificado muito mais pela transpiração do que pela inspiração. Sim, o triunfo foi ocasionado pela superação, pelo coração pulsando na ponta das chuteiras, pela adrenalina, pela garra. 

     Eu, que não curto falar palavrões, emiti tantas palavras de baixo calão que deixaria embasbacados Dercy Gonçalves e Ari Toledo bêbados, numa conversa de boteco. Borra, baralho, filhos da luta, acaba logo com esta crosta! Perdão, mãe, sei que não foi esta a educação que a senhora me deu, eu bem que queria assistir ao jogo na minha casa, mas é chato recusar convite materno. Peço desculpas, foi mal, mas foi por uma boa causa, creio que compreenda. Estou quase começando a ficar otimista e arranhando um pouco de crença no hexa, sinceramente!

     O segundo ato veio num duelo entre arianos imponentes e guaranis aguerridos: Alemães e paraguaios duelaram em Boston, e eu só não intitulo o jogo como "A batalha de Boston" porque não teria uma sonoridade agradável. Mas os nossos vizinhos abriram o placar, cederam o empate aos germânicos, e a partir daí, o que se viu foi uma blitz ostensiva europeia, com poucas chances de contra-ataques porque era visível o extremo cansaço paraguaio. Veio a prorrogação, a persistência do empate e a heroica classificação guarani diante dos tetracampeões mundiais. Em meus devaneios, imaginei Solano Lopez dançando guarânia na cara de Hitler, que por sua vez, bebia cerveja adulterada com erva mate no lugar da cevada. Foi tão bom quanto ver o Brasil vencer minutos antes, em Houston.

        E em novo devaneio, imaginei uma festa muito bonita reunindo brasileiros e paraguaios sobre a Ponte da Amizade: Cantos eufóricos misturando o português e o espanhol num êxtase bilíngue, com o Rio Paraná lavando a alma de dois vizinhos sofridos, que têm no futebol uma grande paixão em comum...


* O Eldoradense

A conversa chegou na Copa: "Restam quatro"

         A Copa do Mundo chegou ao seu último afunilamento antes da grande final. Restam quatro seleções e, tal qual em 1990, todas as semif...