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10 de jun. de 2019

Que bom que o Guri não foi embora!




    Cheguei no Anfiteatro da Biblioteca Pública Municipal de Presidente Venceslau às 13:20h, alguns minutos antes do horário previsto para a apresentação da turma de crianças iniciantes nas aulas de violão do Projeto Guri, dentre as quais estava a minha sobrinha Isabella. Sentei-me nas últimas fileiras de assentos, hábito que me acompanha desde os anos escolares, e de lá, acenei para ela, que rapidamente me reconheceu e retribuiu o gesto. O recinto em pouco tempo se encheu, tomado pela euforia infantil e pelo orgulho dos pais e responsáveis que assistiriam ao evento. Educadores musicais repassavam as últimas instruções aos alunos ansiosos para exibirem a uma plateia coruja o que aprenderam nas aulas.

     A primeira apresentação melódica de violão tocou acordes tímidos e lentos de um "Parabéns pra você" entoado por uma galerinha que está começando a acordar para as artes. Era nítido nos seus olhinhos a atenção, a disciplina e a vontade de acertar ao máximo. Ensinamentos que vão além do objetivo de formar músicos, mas principalmente, de formar cidadãos. 

     A partir da primeira exibição, sucederam outras tantas, cujo cancioneiro priorizou músicas populares e folclóricas do nosso país. Ficou evidente naquela atmosfera cultural o orgulho dos pais e educadores musicais, além da autoestima elevada das crianças e adolescentes que ali se apresentaram. Foi, de fato, emocionante.


    Lembremos que não há muito tempo, o Projeto Guri quase sofreu um baque na sua abrangência, onde muitos dos seus polos deixariam de existir por possíveis cortes orçamentários. Cortes estes que por motivos políticos, são hoje convenientemente chamados de "contingenciamentos". 

   Felizmente, após grande apelo da população e também das redes sociais, o Governo Estadual Paulista conseguiu viabilizar a manutenção total do projeto, através de parceria com a iniciativa privada. O "Fica Guri" tão conclamado na internet conseguiu surpreendentemente sensibilizar os corações que pulsam ao ritmo das planilhas calculistas sob os paletós e gravatas. A matemática do "contingenciamento" rendeu-se à lógica de que dinheiro público destinando a iniciação cultural infantil não seja simplesmente dinheiro gasto. É muito mais que isso: É investimento!

    A cada pequeno cidadão que dedilha um violão, toca um violino ou canta em um coral, temos uma criança ociosa a menos, diminuindo a possibilidade da mesma estar a mercê da vulnerabilidade social e da marginalidade. O "Guri", que quase foi  embora, enfim, resolveu ficar. E que bom que ficou!

* O Eldoradense

6 de jun. de 2018

Vai ter Copa?


Vai ter Copa?

  Não sei se os leitores têm a mesma impressão que eu: mas a cada Copa do Mundo, a empolgação do brasileiro com o evento é perceptivelmente menor. A oito dias do pontapé inicial em gramados russos,  pouco comentamos sobre o mundial de futebol.

   Quando ando pelas lojas, vejo a decoração auri-verde tímida, contrastando em muito com o que eu já vi quando adolescente e início da vida adulta. Procuro e ouço explicações de amigos, e elas variam: há quem atribua o fenômeno à proliferação de outro tipo de entretenimento, como a internet, por exemplo. Alguns dizem que a pasmaceira é fruto da última catástrofe futebolística de nossa seleção, o inesquecível 1x7 sofrido diante da Alemanha, em plenos domínios. Outros vão além, e dão explicações que considero mais plausíveis, adentrando na esfera política. Sim, o brasileiro passou a perceber com mais clareza que existem assuntos que interferem bem mais na sua vida do que o futebol. 

    Aquela versão simplista -mas real- de que "vou ter que defender o meu, independente da seleção vencer ou não" parece ter ganho mais força. E de certa forma, isso contribui para a politização de um povo, que historicamente, teve no esporte bretão seu "ópio das massas", utilizado como um dos  seus instrumentos de alienação. 

      Contrastando com esta monotonia "pré-Copa", a venda de televisores vêm "bombando" nas lojas de todo o país, mas é fato muito bem observado por um amigo que o fim do sinal analógico talvez tenha mais interferência nestas vendas do que o mundial de futebol.

   Aos poucos e a ritmo de conta-gotas, percebo o povo brasileiro menos hipnotizado por uma bola de couro, e isso é bom. Afinal, não será um troféu erguido por um jogador milionário que trará pão para nossas mesas ou remédio para nossas mazelas, o que em hipótese alguma, significa que um triunfo não seja bem-vindo. Se vier, será apenas mais um triunfo, porém, restrito ao mundo do futebol, que é só entretenimento, nada mais que isso.


* O Eldoradense

1 de jun. de 2018

Outra greve dos caminhoneiros na segunda? Eu acho que não!

     Muitos devem ter recebido, através de redes sociais e aplicativos de mensagem, a seguinte imagem:




           Não preciso me aprofundar no teor da mensagem, pois para bom entendedor, meia palavra basta. Juntamente à mensagem, há também o recebimento de inúmeros áudios de supostos caminhoneiros articulando nova greve, com maior abrangência e adesão. E aí, em meio a tanta especulação e guerra de informações, muita gente se pergunta: "Haverá mesmo outra greve, em tão pouco tempo?".  Analisando o decorrer dos acontecimentos, a resposta é: "Não, não haverá!" E eu explico os motivos pelos quais eu não acredito nisso..

         1) Não houve nenhum comunicado prévio de entidade sindical sinalizando tal intenção, muito pelo contrário: os principais sindicatos de caminhoneiros do país deram-se por satisfeitos às propostas apresentadas pelo governo no último domingo;

      2) Supúnhamos que os manifestantes estivessem reservando uma "surpresa" para a próxima semana . Aí, a tese faz menos sentido ainda, porque quem quer fazer surpresa, não fica anunciando ameaças pelo Whatsapp ou Facebook;

     3)  Pense numa greve e suas estratégias: Quem sabe ou participou de uma, sabe o quanto é difícil agregar, conseguir adesão maciça, seja através do poder de persuasão, ou na pior das hipóteses, através da intimidação. Enquanto estratégia grevista, em caso de insatisfação, seria estupidez dispersar a adesão para depois, tentar reconquistá-la, ainda mais depois de tantos transtornos. Não faz o mínimo sentido. Se fosse para continuar a greve, os caminhoneiros não teriam a interrompido.

     Mediante estes três elementos, reafirmo: Dificilmente a greve dos caminhoneiros retornará em breve. O que está acontecendo nas redes sociais e aplicativos de mensagem são ameaças, brincadeiras, ou sei lá o quê. Mas a quem interessa este jogo de especulações? Respondo: a todos que possam ganhar grana extra com o desespero dos mais "precavidos". Gente que, com medo do desabastecimento futuro, vai aos supermercados, comprando mais do que necessita a preços sutilmente elevados. O exemplo também serve para os postos de combustíveis. É isso o que está acontecendo agora. Não por acaso, segunda-feira é dia quatro, às vésperas dos vencimentos de muitos trabalhadores.

    Portanto, o retorno da greve é mera especulação, e ainda que aconteça, é impossível que venha com mais força, pois já houve desmobilização. A possibilidade que isso aconteça é a mesma que a fosfoetanolamina cure câncer ou que haja intervenção militar.

* O Eldoradense

26 de mai. de 2018

E a greve dos caminhoneiros já começou a derrapar na curva...

   Amigo leitor, veja as três imagens abaixo:





  Sim, é isso o que os senhores estão vendo: o movimento grevista dos caminhoneiros adicionou, em sua pauta reivindicatória, a "Intervenção Militar". E aí, sinceramente, na minha opinião, "derrapou feio na curva". É só no Brasil que um movimento grevista pede um regime totalitário, que na prática, impede o direito às manifestações! Tal equívoco soa-me como estupidez, para não dizer outra palavra mais tosca, porém, bem mais didática.

  Enquanto brigava-se por revisão na política de preços de combustíveis e pedágios, a luta era justa, legítima, autêntica, inerentes ao contexto profissional da categoria. Mas agora, parece-me que parte do movimento resolveu "viajar na maionese", "pirar na batatinha" e reivindicar algo que contraria, inclusive, o direito à greve. Ou eles acham que para coibir um movimento grevista, um suposto governo militar consultaria primeiramente o STF para acionar as Forças Armadas? Isso só acontece numa democracia, pois num regime de exceção, os militares agiriam sem qualquer aval da justiça.

    Paralelamente à divulgação das faixas e da exibição adicional desta reivindicação à pauta, foram feitas várias enquetes na internet, perguntando se o povo brasileiro é a favor do Regime Militar. A maioria é a favor do "sim", o que não me surpreende, levando-se em conta nossa "invejável capacidade de discernimento"

  Lanço um desafio aos que leem este post: "Apresentem-me uma nação ditatorial, sob intervenção militar que prosperou e que esteja inserida no bloco de países desenvolvidos". Se alguém encontrar uma nação no globo com tais características, retiro o post e faço uma retratação. Desculpem-me, mas neste caso específico, a voz do povo não pode ser a voz de Deus, pois não imagino o Criador rouco ou louco.

   Como Michel Temer recorreu ao STF para utilizar as Forças Armadas para conter o movimento grevista, é bem provável que aconteça mais ou menos o que será exibido na charge abaixo, o que é lamentável:


   Enfim, é preciso tomar muito cuidado com o que se pede...

* O Eldoradense


22 de mai. de 2018

"Carga pesada"

   Ontem os caminhoneiros fizeram paralisações nas principais rodovias do país. Reivindicaram, com muita razão, que o governo federal reconsiderasse os reajustes nos preços do diesel praticados nas bombas dos postos de combustíveis. A política de reajustes, após os rombos e escândalos na PETROBRAS, é norteada através da oscilação dos preços do petróleo no mercado internacional. Portanto, ultimamente, é um reajuste seguido de outro, e na maioria dos casos, a oscilação é para cima.

   Consequentemente, a execução dos trabalhos desta importante categoria profissional fica quase inviável. Se este país optou equivocadamente por transportar suas riquezas através dos caminhões em detrimento aos trens e barcos, que  os governantes oferecessem um mínimo de condições para que os caminhoneiros não fiquem tão onerados com a "carga pesada" imposta covardemente a eles através do preço do diesel. A população que presenciou congestionamentos quilométricos nas rodovias deve apoiá-los, pois somos diretamente afetados com os repasses no preço final dos produtos e mercadorias consumidos. É uma questão de conscientização, de coletividade, de entender que o momento que atravessamos não permite que olhemos somente para os  nossos próprios umbigos.

     Todos nós estamos pagando por erros que, efetivamente, não são nossos. E os caminhoneiros, neste contexto, são as primeiras e principais vítimas. Trafegar por estradas precárias pagando por pedágios abusivos e combustível caro fazem com que a profissão beire a impraticabilidade, e não há outro caminho a ser seguido a não ser o do protesto, da reivindicação, da manifestação. Levemos em conta também o custeio da manutenção da ferramenta de trabalho e da depreciação do bem. E aí, congestionamentos e buzinaços tornam-se ainda mais justificáveis. 

    Já passou da hora da sociedade seguir o exemplo dos caminhoneiros e fazer uma manifestação geral em protesto aos mandos e desmandos de uma classe política que nos rouba, oprime, e por fim, zomba. Enfim, já passou da hora de tentarmos amenizar esta "carga pesada" que carregamos nas costas, mantendo privilégios de uma minoria inescrupulosa e irresponsável. Quanto aos caminhoneiros, parabéns! Eles deram mais uma vez, um exemplo de cidadania e união.  * Para visualizar a imagem abaixo em tamanho original, clique sobre a mesma.



* O Eldoradense

22 de dez. de 2017

Admito: Cometi uma infração!





     Não sou do tipo que acha que ser politicamente correto é uma qualidade, pois a postura deveria ser uma obrigação. Ainda mais em um país onde o "tirar vantagem" parece ser a regra, sendo que quem assim não procede, muitas vezes é rotulado como bobo. Sim, eu não me envergonho de dizer que procuro a lixeira mais próxima para jogar o copo descartável - ainda que as lixeiras sejam escassas - que separo o material reciclável - ainda que a coleta reciclável aconteça de forma irregular - e que fico indignado quando um jovem saudável estaciona na vaga de deficientes ou de idosos sem estar ao menos acompanhando uma pessoa dos dois grupos citados. Sem falsa modéstia, eu me adaptaria facilmente ao convívio com dinamarqueses, suecos ou finlandeses.

   Mas hoje, eu confesso: transgredi, violei, fui politicamente incorreto! Não que exista justificativa para tal conduta, mas creio que  os argumentos são compreensíveis. Explico:

    Fiz minha pedalada matinal pela malha urbana na cidade, sendo que tenho como meta regular alcançar, no mínimo, vinte quilômetros. Para isso, geralmente saio Jardim Eldorado, passo pelo centro da cidade, vou até o trevo da Rodovia Integração, retorno novamente pelo centro, vou até o Campo de Aviação e regresso à minha humilde residência. E é no trecho da Carlos Platzeck em que fui "transgressor". Quando percebi que veículos apressados tiravam verdadeiras "finas" da minha bike, fazendo com que meus poucos cabelos se arrepiassem, vi que o percurso, pelo menos hoje, estava arriscado. Ao me aproximar da curva da entrada da Fazenda Santa Sofia, onde existe uma placa escrito "Proibido cortar bambu", recorri à violação: Calma! Eu não cortei bambu!

   A minha violação refere-se à outra placa, e tem natureza viária, não ambiental. Do meu lado esquerdo, vi caminhões e carros apressados passando por mim. Já do lado direito, uma pista de caminhadas novinha em folha, em que também existe uma placa, (não proibindo cortar bambus, mas transitar de bicicleta). Desculpem-me, mas não pensei duas vezes: coloquei a bike na pista de caminhadas e fui pedalando, até o final da mesma. Era o "politicamente correto" conflitando com a minha integridade física, e sinceramente, não me fiz de rogado: optei pela minha pele, pois obsessão pela correção tem limites! Saliento que durante o trajeto não encontrei nenhum pedestre, e se tivesse encontrado, agiria com prudência, em nome do mútuo respeito.

   Presidente Venceslau tem um número expressivo de ciclistas e não possui um palmo sequer de ciclovia. Espera-se que isso seja resolvido em um futuro próximo, para o bem do esporte e dos seus praticantes. E perdoem-me pela conduta citada acima, mas eu não vou ficar me arriscando entre caminhões e carros apressados passando por mim: Preciso lembrar, que eu existo, que eu existo, que eu existo!

* O Eldoradense
       

25 de fev. de 2017

As ferrovias do Pontal são exceções em meio ao sucesso de vários processos de privatizações...

Trecho da malha ferroviária do Oeste Paulista em Presidente Venceslau




  Privatizações, concessões, Parcerias Público-Privadas. São vários os termos que definem a aquisição do Patrimônio Público por empresas particulares com o objetivo final de prestar serviços com melhor qualidade, mais transparência e abrangência de clientela. Foi assim, por exemplo, com a telefonia, item considerado pouco acessível à maior parte da população há três décadas. Hoje a telefonia móvel é abrangente, democratizada, ainda que seu custo seja relativamente caro e a qualidade seja questionável. Mesmo assim, é bem mais fácil e barato falar ao telefone atualmente do que no período em que a outorga da telefonia era exclusividade do Estado. Este é o exemplo mais clássico a favor das privatizações, tão rejeitadas pela massa, (talvez por uma questão meramente ideológica). Há também o exemplo da Companhia Vale do Rio Doce, que colheu os frutos do aumento da lucratividade após sua privatização.

  Hoje, em meio a tantos escândalos de corrupção envolvendo a principal Estatal Brasileira, (Petrobrás), o discurso pós privatização ganha mais força, alicerçado pelos argumentos da eficiência, da desburocratização e obviamente, da prevalência da tecnocracia sobre os apadrinhamentos, do corporativismo e principalmente, do aparelhamento político das estatais. O discurso liberal ganha força, pois empresas particulares via de regra, além de prestarem melhores serviços, arrecadam impostos.

   Mas há um exemplo, (talvez único), contrário as benesses das privatizações: as ferrovias, (meio de transporte bem mais barato que o rodoviário), cuja malha encontra-se em avançado processo de deterioração em nossa região. Quem viajou de trem na época em que a malha ferroviária pertencia à extinta FEPASA testemunhou tempos em que os vagões transportavam não somente pessoas, mas também cargas, riquezas, tanto no sentido capital, quanto no sentido interior. Com o discurso de integrar ferrovias e hidrovias, o patrimônio da FEPASA foi repassado à ALL, que depois de tantos anos, não mostrou a que veio.

   Sabe-se que o transporte de passageiros em longas distâncias é praticamente inviável, principalmente se comparados à praticidade e conforto dos ônibus e aviões. Mas e quanto ao transporte de cargas? Não seria interessante que a malha ferroviária fosse revitalizada, transportando de uma só vez, uma quantidade significativa de produtos, barateando fretes, driblando pedágios e chegando ao consumidor final com preços melhores? As exportações não trariam mais divisas ao país, tornando-o mais competitivo? Mas não: O Brasil segue a receita estranha e arcaica da prevalência descomunal dos pneus frente aos vagões. Por qual motivo? Interesses maiores, incompetência ou burrice mesmo? Cadê a ARTESP que não faz estes questionamentos, sendo que cabe a ela realizá-los? Seria de interesse da ALL o sucateamento das ferrovias para a alegria da logística praticada sobre o asfalto? 

   Há quem diga que tecnicamente o traçado das ferrovias é ultrapassado, e que o modelo das tais "bitolas" não estimulam os investimentos necessários para tornar o transporte de cargas sobre trilhos razoavelmente viáveis. Mas a empresa que adquiriu a concessão não sabia de tudo isso? Neste contrato de concessão não existem contrapartidas e obrigações? Em meio a estes questionamentos, presenciamos o sucateamento de toda uma malha ferroviária, que além de inativa, atravessa as áreas urbanas das cidades de uma forma indigna, inoperante, tornando-se um verdadeiro estorvo para seus habitantes. Enfim, por que a privatização, (que deu certo na maioria dos casos), não obteve sucesso específico no caso das ferrovias? É para se pensar...


* O Eldoradense 

5 de nov. de 2016

É muita palhaçada!




   A internet parece ter ajudado a propagar mais um dos seus fenômenos negativos, e desta vez, a vítima foi o riso, o humor, a graça. Refiro-me aos tais "palhaços assustadores" que andam pelas ruas provocando o medo nas pessoas, pelo simples prazer de aterrorizar, nada mais. Eles saem por aí com suas maquiagens horripilantes, trajes esquisitos e muitas vezes munidos de objetos com potencial de causar mortes ou lesões corporais. Se o objetivo desdes "palhaços" é fazer humor através do susto, eis que a prática não tem graça alguma, podendo matar alguém em um acidente ou até mesmo através de um ataque cardíaco, possibilidade que com certeza não é levada em conta por aqueles que realizam as abordagens.

   Há também a probabilidade (ainda que remota); da vítima estar armada, e, num ato desespero, agredir ou até matar os tais "palhaços". Sim, pois na hora do susto, as reações são imprevisíveis. Ou seja: o risco é mútuo. Isso sem dizer que a alegre figura do palhaço  começa a sofrer uma certa inversão de valores, onde muitas crianças passaram a ter medo do personagem que nasceu para ser engraçado, e não aterrorizante. E quem acaba "pagando o pato" são os palhaços que tentam alegrar o público, pois a desconfiança e o medo estão aos poucos, roubando a risada nas suas apresentações. Em um mundo tão complicado, cada vez mais sisudo, cheio de tragédias, guerras e miséria, os homens estão atrapalhando até mesmo aqueles que têm como objetivo proporcionar alegrias. É uma pena.

   Cresci vendo o palhaço Tic Tac na TV Cultura, no extinto programa infantil "Bambalalão". Posteriormente, ao Bozo, no SBT. Mas o que não faltam são outros ícones que fizeram da "palhaçada" motivo para risos não só das crianças, mas também dos adultos ao longo dos tempos: Arrelia, Carequinha, Atchim & Espirro, Patati & Patatá, Tiririca. Creio que a maioria das pessoas prefira assistir as trapalhadas como o táxi maluco, o botão de flor que expele água, ou até mesmo rir com a típica cena "pastelão" da "torta na cara" , pois isso é muito mais sadio e agradável do que ver os falsos palhaços munidos com moto-serras, marretas, foices. O mundo real já está repleto de sustos, medos e violência. Não é justo que a fantasia, o entretenimento e a comicidade sejam invadidos pelo terror e pelo horror. Que os bons palhaços se sobressaiam, propagando amor e humor, pois é disso que estamos precisando...

* O Eldoradense

   

17 de jan. de 2015

Há limites para o humor? Eu penso que sim!

Charge do Charlie Hebdo: Sátira à visita do Papa ao Rio, em que Francisco aparece travestido de carnavalesco no intuito de arrebanhar "clientes"


Há limites para o humor? Eu penso que sim!

  O atentado ocorrido na sede do jornal francês "Charlie Hebdo" reacendeu novamente a velha discussão sobre os limites do humor. Há quem tenha aderido totalmente à frase "Je suis Charlie", e como democrata que sou, respeito os que pensam assim. Mas também penso que é preciso repensar algumas atitudes inconsequentes que acontecem em nome da tal "liberdade de expressão". Para ser sincero, só fui tomar conhecimento da existência do "Charlie Hebdo" após o lamentável episódio extremista, e por isso, procurei ler mais sobre o assunto para emitir alguma opinião.

  Em primeiro lugar, deixo claro que sou contrário à qualquer tipo de execução, até mesmo à pena de morte praticada contra os criminosos mais nocivos à sociedade. Penso que ninguém tem o direito de assassinar ninguém, salvo o argumento de legítima defesa. Portanto, o objetivo deste texto não é defender terroristas, mas sim, questionar os limites do humor.

   Que os caras do "Charlie Hebdo" pareciam ser geniais em suas charges, isto é indiscutível. Islamofóbicos? Creio que não, pois entendo que em seus trabalhos eles questionavam o fundamentalismo, o fanatismo e o extremismo. Porém, apesar de toda e qualquer crítica ao fanatismo ser legítima, não dá para desprezar que alguns fanatismos são perigosos, e é preciso equilíbrio ao lidar com os mesmos, sob pena da caneta ou do teclado serem contra-atacados com uma arma de grosso calibre.

   Em uma sociedade democrática, alguém ofendido por uma charge, fala ou texto recorre aos meios jurídicos, pleiteando uma indenização. Porém, os terroristas geralmente são vindos de culturas ditatoriais, que não medem esforços para defender o seu extremismo. E é aí que mora o perigo: os chargistas assumiram risco de perder a vida em nome do humor. Há quem diga que isso seja heroísmo, eu penso que seja inconsequência. É preciso saber que existem diferentes tipos de públicos, e que, enquanto alguns se ofendem torcendo o nariz ou simplesmente criticando, existem os que, infelizmente, matam.

  Se o sujeito faz uma sátira ao cristianismo no Brasil, dificilmente ele corre risco de morrer, porque o fanático cristão brasileiro não mata em nome da religião. Ele apenas discute ou se ofende, mas matar, não. Se o meu clube de futebol vence um clássico contra o seu arquirrival, eu posso até caçoar de um amigo que eu conheça, mas isso não quer dizer que eu vá tripudiar na arquibancada de um estádio em frente à Torcida Organizada adversária, por exemplo. Isso seria estupidez, que colocaria em risco a minha integridade física. Covardia? Não vejo desta forma, prefiro chamar de sensatez.

   Quanto aos limites do humor, apesar de muitos humoristas defenderem a tese de que eles não existem, eu discordo. Há limites sim! É preciso avaliar o que se escreve, diz ou até mesmo desenhe. Há uma série de assuntos delicados, principalmente os relacionados às etnias e religiões, e é preciso bom senso ao abordá-los, pois corre-se o risco da má interpretação e até mesmo de se assumir um rótulo racista ou também intolerante. Em um mundo ideal, os humoristas do Charlie Hebdo poderiam ser processados por um grupo ou questionado por outros.  Mas o nosso mundo está longe de ser ideal, e dentro da sua cruel realidade, existem os fundamentalistas. A charge postada sobre o texto é também de autoria do  Charlie Hebdo, e satirizou a vinda do Papa ao Rio, numa suposta busca de arrebanhar mais fiéis para o catolicismo. A considerei inteligente, humorada e não entendo que seja ofensiva. Porém, há uma outra em que Deus, Cristo e o Espírito Santo aparecem numa orgia, e nesta, eu percebi  exagero tolo e barato. Mataria por isso? Claro que não, apenas não achei graça. Portanto, eu repito e defendo a tese de que para tudo há limites, inclusive para o humor. 


* O Eldoradense

30 de set. de 2014

"Carta aos candidatos"


"Carta aos candidatos"

  Presidente Venceslau, 30/09/2014

  De: Eldoradense

  Para: Os candidatos

  Venho, através desta, manifestar a minha compreensão para com os senhores candidatos, que neste exato momento se "engalfinham" atrás dos votos necessários na reta final do pleito eleitoral com o intuito de se manterem agarrados nas gordas tetas do Poder Público, bem como também compreendo aqueles que vislumbram agarrá-las pela primeira vez.

  Entendo os motivos de tanto ímpeto publicitário, pois os salários ganhos nos mais diferentes cargos políticos são realmente imensos, inversamente proporcionais ao tanto que os senhores trabalham ou pretendem trabalhar. Ou seja: é uma outra forma de dar o "golpe do baú", com a diferença de que nos casamentos por interesse, o golpista precisa aturar seus cônjuges, e neste caso, somos nós é quem temos que aturar os golpistas. Além disso, nos casamentos por interesse, o prejudicado pode pedir o divórcio a qualquer momento, e nós, só daqui quatro anos. Os Senadores são golpistas ainda mais sortudos: nós só podemos nos livrar deles daqui a oito anos!

   Mas vamos ao que interessa: Por mais que os senhores almejem sombra e água fresca, por favor, não sujem meu quintal! Não é justo eu abrir a caixa de correspondências do meu portão, e vê-la transbordando "santinhos" com fotos de gente que de "santo" não tem nada!

 Os senhores já emporcalham os canteiros centrais com seus cavaletes, já pagam uma miséria para que os cabos eleitorais tremulem vossas bandeiras com ânimo digno de piedade, já passam com o carro de som nas alturas, atrapalhando que eu leia, converse ou assista TV. E falando em TV, eu confesso que nada tenho contra a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, pois nestes casos específicos, eu tenho a liberdade de desligar os respectivos aparelhos. Por favor, emporcalhem menos! Já não basta toda a sujeira que os senhores produzem no exercício dos seus cargos, fazendo mau uso do dinheiro do povo?

   Enfim, talvez os senhores rasguem minha carta, assim como eu jogo os seus inúmeros santinhos deixados em minha caixa de correspondências no lixo. Mas se por acaso esta carta chegar em vossas mãos, repensem suas estratégias publicitárias: elas afastam mais o eleitor do que conquistam. Obrigado.


* O Eldoradense 

29 de ago. de 2014

Mais racismo no futebol...


Aranha, goleiro do Santos, foi vítima de manifestações de racismo


"Mais racismo no futebol"

  Ontem, na Arena Grêmio, o Santos bateu o tricolor gaúcho pela Copa do Brasil, e agora, tem grandes chances de avançar no torneio, pois poderá até perder por um a zero para os gremistas na Vila Belmiro que ainda se classificará. Seria mais uma vitória na repleta saga de triunfos santistas, porém, novamente e infelizmente, um  episódio de racismo maculou a história do jogo e roubou a cena. O bom goleiro Aranha, teve que aturar gritos ofensivos como "macaco" e "preto fedido", vindos de parte da torcida do Grêmio.

  Visivelmente revoltado, Aranha procurou o juiz, que pasmem, não havia relatado o episódio na súmula do jogo. As manifestações de apoio ao goleiro vieram de várias partes: desde o filho de Aranha, até dos dirigentes de clubes adversários e rivais, como o próprio Grêmio e Corinthians.

  A torcedora gremista Patrícia Moreira foi flagrada pelas lentes cinematográficas entoando o coro de "macaco" contra Aranha, e já está pagando pela sua imbecilidade: foi afastada do trabalho, onde prestava serviços no Centro Odontológico na Brigada Militar. Além disso, está sofrendo hostilidades nas redes sociais; (talvez assim, ela sinta na pele como é ser hostilizada de forma ríspida).

  Deixo claro aqui que tenho certeza que esta não é uma conduta que deva ser generalizada aos torcedores gremistas: esta idiotice foi praticada por parte de sua torcida, que deverá ser punida mediante imagens e outras provas, que certamente aparecerão.

  O torcedor santista orgulha-se  da metade negra do seu coração, e mais do que isso, orgulha-se do histórico de miscigenação racial na formação dos times do Santos ao longo dos seus mais de cem anos de fundação. Pelo Santos já brilharam jogadores brancos, negros e até orientais, como Kaneco, Kazu e Paulinho Kobayashi. Além disso, o maior jogador de futebol de todos os tempos, é do Santos e também negro:"um tal de Pelé". E agora, orgulha-se ainda mais de ter na história do seu clube, o goleiro Aranha, que externou toda sua indignação ao episódio, e gritou aos racistas, batendo no próprio braço: " Sou preto sim! Sou negão sim!".

   Portanto, finalizo o texto de manifestação de apoio ao Aranha com o trecho de uma música contra o racismo, do também santista Zeca Baleiro, intitulada "Alma não tem cor", em que a mesma cita dois grandes jogadores da história do peixe, sendo um negro, outro branco:

    "Branquinho, neguinho,
     branco, negão,
     Oscar e Otelo,
     Diego e Robinho..."

   A prática de racismo é ainda mais revoltante em um país como o Brasil, marcado pela miscigenação. Creio que não devemos nos omitir diante de tais episódios, principalmente porque em cada em cada um e nós, corre sangue negro, branco e indígena nas veias.


* O Eldoradense

22 de mar. de 2014

Texto crítico: "Polícia para quem precisa..."

  
Policiais adentrando o CDP de Caiuá - Foto: Ifronteira


"Polícia para quem precisa"

 Antes que eu seja mal interpretado por algum policial militar ou civil, antecipo que o texto não tem nada contra ambas as categorias, assim como creio que as digníssimas forças policiais do Estado de São Paulo nada tem contra os agentes penitenciários. O texto é sim, contrário à forma com que o governo estadual procede em meio à situações de greve, muitas vezes apelando pela truculência e pela falta de diálogo com seu próprio funcionalismo. Basta lembrar que as polícias civil e militar, que na última quinta-feira adentraram o CDP de Caiuá para fazer valer uma ordem judicial, em 2008 se enfrentaram na zona sul de São Paulo, mediante greve dos civis, naquela oportunidade. Uma cena patética, deprimente e vergonhosa, em que mais uma vez, o governo estadual foi o protagonista oculto e que seus "atores coadjuvantes" se digladiavam no braço e na borracha.

  Mas justiça seja feita, na última quinta-feira, em Caiuá, parece não ter ocorrido excessos, apesar de muita boataria e de um ou outro bate boca isolado entre membros das três categorias dos agentes públicos. Porém, como era previsto e esperado, os 46 detentos adentraram o presídio, fazendo valer uma ordem judicial no mínimo contraditória, pois ao forçar a inclusão dos presidiários, foi infringida a Lei de Execução Penal, que estabelece condições dignas de cumprimento de pena aos presidiários. E o CDP de Caiuá, assim como a maioria dos presídios paulistas, encontra-se superlotado. E fica um outro esclarecimento: não estou, neste parágrafo, defendendo presidiários, mas sim, a lei.

  Imagino que a maioria absoluta daqueles policiais militares e civis estivessem ali constrangidos, pois naquele cenário de negociação e tensão, só haviam trabalhadores e pais de família, à exceção daqueles que estavam dentro das viaturas aguardando uma vaga nas celas do "transbordante" CDP de Caiuá. Diga-se de passagem, a polícia militar nem direito de fazer greve tem. Os valorosos homens da corporação precisam enfrentar bandidos, salvar vidas, confrontar grevistas, ganhar mal, vestir a farda e aguentar a pressão e opressão dos governantes. Creio que não seja fácil, por isso, ao invés de criticá-los, solidarizo-me a eles. 

   Lembro-me do "massacre do Carandiru", quando o governador da época passou uma destas ordens mirabolantes para "chegar chegando" no complexo penitenciário, por questões políticas e eleitoreiras. Ordem que foi prontamente atendida pelo então coronel Ubiratan. Deu no que deu. Sobrou alguma coisa para o político? Obviamente que não. Sobrou para quem recebeu a ordem e não tem sequer o direito de questioná-la.

  É por essas e outras que penso que o governo ao invés de apelar para suas forças policiais também mal pagas para resolver suas ingerências, deveria solucioná-las com diálogo, como prevê uma democracia. O governo deve usar suas forças policiais para combater traficantes, bandidos, estupradores e não colocá-las umas contra as outras, ou até mesmo contra professores, como ocorreu já no passado. Afinal, é como diz uma frase de uma música clássica dos Titãs: "Polícia para quem precisa, polícia para quem precisa de polícia..."


                             * O Eldoradense   

14 de jan. de 2014

Rolezinho no "Chopis centis"!


Rolezinho no Chopis centis!

"Esse tal  Chopis centis,
é muito legalzinho;
Pra levá as namorada,
e dá uns rolezinho!"

  Acima, está o trecho da música "Chopis centis", cantada pela banda "Mamonas Assassinas", que teve sucesso meteórico, fatalmente interrompido por um acidente trágico de avião, em 1996. Porém, a letra da música nunca foi tão atual. Quem acompanha os principais sites de notícia, deve ter ouvido falar dos tais "rolezinhos". Para quem não sabe, os "rolezinhos" são encontros marcados por jovens, (em sua maioria da periferia das grandes cidades), que se reúnem em pontos tradicionalmente ocupados pelos segmentos mais abastados da sociedade, ( como os shoppings, por exemplo).

 Alegam os frequentadores dos "rolezinhos", que o "movimento", (se é que se pode chamar assim); tem como objetivo mostrar o clamor dos jovens menos privilegiados por lazer, tendo em vista a ausência do poder público em promover entretenimento e diversão na periferia dos grandes centros. E, para variar, nossa sociedade não está sabendo lidar com o fenômeno: lojistas de shoppings, policiais e autoridades competentes, estão confusos, sem saber como proceder mediante um aglomerado de jovens de origem humilde, que segundo eles, de uma hora para outra, pode promover tumulto e baderna. 

 Ainda segundo a maioria dos lojistas, é temerário que neste aglomerado de jovens, possam estar infiltrados bandidos com intenção de furtá-los ou promover vandalismo, como nos protestos realizados no país, em meados do ano passado. Mas...e aí? Se assim acontecer, que se puna somente os vândalos, ora! Quem for no shopping somente para dar um "rolezinho pacífico", deve ter seus direitos de ir e vir preservados, ou para frequentar tal lugar é preciso pertencer à uma classe média alta? Triagem na porta dos shoppings, agora??

   Muitos transeuntes (inclusive da classe média alta), e pessoas ligadas à imprensa alegam que a Polícia Militar barrou jovens que queriam adentrar os shoppings utilizando o "olhômetro", distinguindo possíveis participantes do "rolezinho" através das vestes e aparência. Amigo leitor, quer queira quer não, isso caracteriza discriminação e preconceito. Há ainda os que alegam que maus policiais utilizaram-se da força e da intimidação contra esses jovens. Lamentável!

   Não estou aqui defendendo baderna, arruaça ou qualquer coisa do tipo. Apenas acho que as ações de policiais e lojistas devem punir apenas vândalos e ladrões, e não jovens pobres que queiram frequentar determinado espaço. Afinal, é proibido dar um "rolezinho" no shopping? Até onde eu saiba, não...
   

* O Eldoradense


9 de jan. de 2014

Maranhão: A caricatura de um país caricato

José Sarney e sua filha, Roseana: poder, dinastia e imoralidade

Maranhão: A caricatura de um país caricato

  Amigos leitores, como os senhores sabem, notícias de corrupção e imoralidade em nosso país se proliferam mais que larva do mosquito Aedes aegypt: é mensalão, é trensalão, é Maranhão. Qualquer cidadão de bem se revolta ou se sente enojado mediante tanto dinheiro público indo pelo ralo, enquanto políticos inescrupulosos e certos da impunidade enriquecem às custas do meu, do seu, no nosso dinheiro. A vontade que dá é de não assistir mais ao telejornal, não acessar sites de notícias, enfim, de não se informar, tamanha sujeira envolvendo aqueles que deveriam zelar pela coisa pública. Mas isso seria tudo o que eles querem: povo desinformado é povo alienado e  desprovido de senso crítico. 

  No decorrer da semana foi noticiada a morte de uma menina de 6 anos, vítima de um incêndio em um ônibus queimado a mando do crime organizado, no Maranhão. Ontem, o mesmo crime organizado divulgou um vídeo de bárbara violência, onde três presidiários foram decapitados por rivais, na unidade prisional de Pedrinhas, em São Luís. Enfim, o estado do Maranhão vive um momento de caos, que requer cuidados especiais e atitudes firmes por parte dos governantes.

 Mediante o quadro caótico, a governadora Roseana Sarney realizará uma licitação imoral para o abastecimento alimentício de sua residência oficial por um ano, sendo que no pregão, constam alguns itens "básicos" como lagosta, filé mignon, picanha, duas toneladas e meia de camarão, além de salmão fresco. Dentre os itens não perecíveis, constam geléias francesas de morango, pêssego e cassis; azeites de oliva espanhol e português; castanhas do Pará e portuguesa, além de água mineral e refrigerantes. O valor da comprinha? Pouco mais do que a bagatela de um milhão de reais! 

    Os mais radicais dirão que o povo daquele estado merece mesmo o que está acontecendo, que a população vota repetidamente na família Sarney, coisa e tal. Mas amigos, o buraco é mais embaixo. A dinastia da família que há décadas comanda aquele estado, usa métodos inteligentes para se manter no poder, desde o sucateamento quase que total do ensino público, passando pelo consequente voto de cabresto e chegando às barganhas de apoio aos governos presidenciais. Assim foi no governo FHC, Lula, e agora, com Dilma. O povo maranhense até deva ter mesmo sua parcela de culpa no quadro, mas creio que ele seja mais vítima que vilão nesta história toda.

  Além disso, a corrupção corre desenfreada nos estados mais ricos do Brasil, haja vista as notícias envolvendo os esquemas dos cartéis nas licitações das obras do metrô em São Paulo. O problema, é que em um estado miserável como o Maranhão, as consequências são mais cruéis, mais perversas, mais latentes. Os bandidos pés de chinelo daquele estado fazem decapitação no interior dos presídios e queimam ônibus, enquanto os "honoráveis bandidos" consomem em seus palácios, lagostas, camarões, salmões e "outras cositas más".

  O Brasil é um país em que a corrupção o torna caricato. O Maranhão, é, por sua vez, a caricatura da caricatura. Quem dera, se em um milagre divino, mesmo sem educação e informação, o povo maranhense decapitasse a corja dos Sarney do poder, utilizando a arma pacífica do voto. Ah, quem dera se esse povo acordasse, e saísse do berço esplêndido! Enfim, como seria bom se esse povo saísse da cama, dos lençóis...dos lençóis maranhenses!

* O Eldoradense

24 de out. de 2013

"Sobre as transferências dos padres em PV"

Paróquia Nossa Senhora de Fátima em Presidente Venceslau
    
Paróquia Santo Antônio de Lisboa, também em Presidente Venceslau


"Sobre as transferências dos padres em PV"



 Entendo as lamentações da comunidade católica venceslauense, principalmente pelo fato dos três sacerdotes realizarem seus trabalhos com grandiosa competência e devoção, além do evidente carisma que possuem com os fieis. Sou admirador dos três, em especial do padre Wilson.

  Porém, é fato que a carreira eclesiástica é marcada por idas e vindas, exatamente porque sacerdotes são incumbidos de missões. E tenho certeza que exatamente pelo bom trabalho realizado aqui, nossos padres foram convocados para plantar novas sementes e colher novos frutos em outros lugares.

  O espanhol José de Anchieta e o português Manoel da Nóbrega deixaram a Europa e desembarcaram no Brasil com a árdua tarefa de difundir o catolicismo entre as populações indígenas, já no distante século XVI. Jorge Mario Bergoglio deixou a Argentina para tornar-se o primeiro papa latino-americano da história. Estes são apenas alguns dos exemplos emblemáticos que uso para que compreendamos a rotina nômade da carreira eclesiástica. Assim foi, é, e creio que será por muito tempo.

   Que nossa tristeza não se converta em desconfiança, e que recebamos de braços abertos os novos padres de nossa comunidade, pois foi com hospitalidade que recebemos um dia os padres Jaílton, Davi e Wilson.

  Que as bênçãos divinas continuem sendo derramadas sobre eles, dando-lhes sabedoria, saúde e motivação para os novos desafios. Que sejam abençoados também os padres Wilton José e Luiz Carlos, pois acima do carinho aos sacerdotes, está o amor em Jesus Cristo. Fica o registro das saudades antecipadas, da admiração e principalmente da gratidão aos que se vão, bem como as saudações hospitaleiras aos que chegam. Vida que segue.



    * O Eldoradense
  

7 de ago. de 2013

Texto crítico: "Tucanos, tatus e toupeiras"

Tucano

Tatu


Toupeira

"Tucanos, tatus e toupeiras"

   Em floresta republicana que se preze, não existe mais esse lance de “Rei dos animais”, pois isso é coisa do regime imperial. A bicharada, nas florestas republicanas, é eleita através do voto direto, e quem conseguir a maioria absoluta no pleito, ocupa o cargo executivo ao qual foi eleito. Portanto, é possível que o prefeito seja de uma espécie, o governador de outra, e o presidente, de uma terceira. Enfim, estas são as características da floresta republicana democrática. Na província mais próspera da selva, conhecida por “Locomotiva”, os tucanos estão no comando há um bom tempo. Muitos acreditam que eles estão acima de qualquer suspeita, mas sinceramente, eles nunca me enganaram. 

   Há quem diga que certa vez, um tucano quis aumentar o número de túneis subterrâneos na floresta, com intuito de tornar mais ágil a mobilidade da bicharada. A ave bicuda então resolveu contratar os serviços da espécie que possui maior conhecimento técnico para a realização de obras desta natureza: os tatus.

   Como na república democrática florestal é exigido o processo licitatório para o início dos trabalhos, diferentes grupos de tatus se ofereceram para realizar a empreita pelo menor preço. O tatu-bola ofereceu um valor, o tatu-galinha outro, e o tatupeba, um terceiro. Mas canastrão que é, o tatu-canastra propôs a formação de um cartel, onde os preços seriam elevados e muito parecidos. Posteriormente, os tatus perdedores da licitação seriam contratados pelo grupo vencedor, prosseguindo com as obras, então superfaturadas. E assim foi feito, muito provavelmente com o conhecimento e a participação dos tucanos nos lucros ilegais do esquema.

   Quase vinte anos depois, eis que perdigueiros estão na cola de tatus e tucanos. O tatu-canastra, canastrão que é, prometeu colaborar com as investigações em troca de não ser punido, em um trâmite conhecido juridicamente como delação premiada. O tucano, bom de bico que é, jura não saber do ocorrido, e diz que exigirá na justiça o ressarcimento dos cofres da província, movendo um processo contra tatus empreiteiros e servidores toupeiras, que promoveram a viabilidade burocrática do trâmite.

    Como na nossa floresta republicana democrática sempre prevalece a “lei da selva”, que geralmente beneficia os mais fortes e influentes, pergunto: Será que a justiça punirá apenas as humildes toupeiras?


                                                 * O Eldoradense

17 de jul. de 2013

Texto crítico: "Geração Miojo"


“Geração Miojo”

   Dizem que quando um sujeito começa a comparar gerações com certo saudosismo, é porque está ficando relativamente velho. Na verdade, eu nem sou tão velho assim, mas é que as coisas estão caminhando em uma velocidade tão alucinante, que fazem qualquer trintão sentir-se um Flintstone no meio da família Jetson, principalmente quando se depara com as atuais crianças e adolescentes. Ah, só para explicar aos mais jovens, “Flintstones” e “Jetsons” eram desenhos animados que faziam sucesso na TV aberta da “jurássica” década de 80.

   Há alguns dias, fui com meu sobrinho bater uma bolinha no campinho do bairro. Passados dez minutos, chegou um guri com uma pipa gigante, em formato de morcego, com uma aerodinâmica que fazia inveja a qualquer caça F-15 norte-americano. Pois bem: o moleque não precisou correr nem dez metros para a pipa começar a voar! E olha que a velocidade do vento nem era tão propícia assim. Reparei que esse guri não cortou bambu, não fez cola caseira com água e farinha de trigo, não comprou “papel de seda” e nem “linha 10”. Não confeccionou nem a rabiola da pipa, pois ela não precisava de rabiola. Quanta comodidade! Provavelmente ele foi a algum “lojão”, comprou a pipa prontinha e a colocou rapidamente no céu. Simples assim! Conclusão: brincou por no máximo 10 minutos e foi embora, pois foi tudo muito fácil. Não sei se isso é bom. Talvez seja, não sei, fico confuso. Sei que é diferente.

   As crianças de hoje não fazem “telefones” com potes de iogurte amarrados em barbante, pois já ganham aparelhos celulares dos pais. Não jogam futebol de botão, pois o “Playstation 3” é muito mais real e emocionante; (caramba, e é mesmo!). Raramente empurram carrinhos com as próprias mãos, pois carrinhos com controle remoto ou fricção são encontrados a preço de bananas no camelódromo. Não, eles não confeccionam mais os próprios brinquedos. Compram prontinhos, brincam e enjoam deles ainda mais rapidamente. Não existe mais o ritual, a curiosidade, a experiência. Existe agora o consumo facilitado e o prazer saciado de forma imediata, efêmera.

   Como disse em alguns parágrafos acima, não sei se isso é melhor ou pior, mas de certa forma, torna as comparações inevitáveis. Está tudo muito imediato, prontinho, instantâneo. Enfim, está tudo muito “Miojo” demais. Lembro-me com saudades do tempo em que se preparava a macarronada...


* O Eldoradense

Voa comigo! Dependências do AME, em Presidente Venceslau

  E no último domingo fiz um voo sobre as dependências do canteiro de obras do AME em Presidente Venceslau, utilizando o DJI Avata 2 e sincr...