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10 de mar. de 2021

Comentário: "Com as barbas de molho"

 



     Há dois dias, Édson Fachin tomou a decisão de tornar Lula elegível por considerar os trâmites investigativos da Operação Lava Jato irregulares. E convenhamos: Ainda que Lula pareça ser explicitamente culpado, é fato que Sérgio Moro cometeu uma série de barbeiragens jurídicas durante a operação: vazou áudios sem autorização judicial, quebrou sigilos e manteve contatos que viciaram todo o processo. Deu no que deu.

    E agora, é fato que o país já encontra-se em estado ainda mais fervente quanto à polarização política para as eleições presidenciais do ano que vem, pois os dois principais postulantes, mesmo que sendo figuras desprezíveis ao meu ver, gozam de popularidade e de um eleitorado fiel. De um lado, Jair Bolsonaro detém os controles da máquina pública, e se ele já estava adotando uma política populista de direita, contrariando o mercado financeiro e o equilíbrio fiscal, preparem-se: Visando a reeleição, o atual presidente irá ainda mais além na sua conduta, ainda que ele torne Paulo Guedes um zero à esquerda no leme da política econômica.

     Do outro lado, Lula figura-se como principal nome - e forte - da oposição. A princípio, sua elegibilidade parecia  apenas reforçar a reeleição de Bolsonaro. Mas nas redes sociais, em meio a enquetes e até a uma pesquisa já divulgada no site da CNN, percebe-se um equilíbrio surpreendente.


       É fato que essa polarização fanática entre Bolsonaristas e Lulistas pouco acrescentará ao país. Candidaturas alternativas como de Ciro Gomes, Sérgio Moro e até mesmo de João Dória - dentre outros - serão simplesmente estranguladas. O pleito eleitoral terá dois protagonistas no quesito popularidade, e os outros, nem coadjuvantes serão: caberá a eles o papel insignificante de figurantes, infelizmente. Sérgio Moro, principalmente, nem deveria se meter nesta seara: Vai apanhar feio dos dois lados, como se fosse o "irmão do meio".

      O mercado financeiro e os investidores sabem o que vem por aí: dois postulantes populares e populistas, e fatalmente virão nesse contexto mais alta do dólar, queda na bolsa e fuga de investimentos no país. Aliás, esse é um processo que já está se desenhando.

           Quanto aos meros números, é fato que o barbudo é Lula, mas é Bolsonaro quem deve colocar as barbas de molho. As enquetes e recente pesquisa ainda o colocam na frente, mas sua hegemonia parece mesmo estar abalada após a decisão de Fachin. Reitero: ao meu ver, o país perde em todos os sentidos nesta polarização medíocre, mas democraticamente falando, "Vox populi, Vox Dei". E seja o que Deus quiser!


* O Eldoradense



      

5 de nov. de 2018

"Escola sem partido": A censura camuflada em preocupação com a "doutrinação"...




    O Projeto de Lei Escola sem partido, que felizmente teve sua votação adiada no último dia 31/10/18, na Câmara dos Deputados, é uma daquelas afrontas à liberdade de expressão que estão seduzindo muitos brasileiros. Em resumo, o projeto tem como o objetivo criminalizar professores que supostamente estariam "doutrinando" alunos para que se "convertam" a uma ou outra ideologia política. Sinceramente, isso é a censura travestida em discurso de neutralidade, uma aberração alheia a tudo o que prega o Estado Democrático de Direito. 

  Primeiramente porque "fomentar debates"  está longe de ser "doutrinação".  Segundo porque não existe possibilidade de disciplinas das áreas de humanas não citarem as mais diversas correntes ideológicas e políticas sem se aprofundar nos seus conceitos, o que tornaria as aulas ainda mais pobres e superficiais do que já são. Cabe ao professor explanar sobre tais ideologias e até expor o seu ponto de vista particular. Se o aluno vai ou não concordar com ele, é consequência, é debate, é democracia. 

    Mas tem gente que não pensa assim. A Deputada Estadual Ana Carolina Campagnolo, recém eleita pelo PSL-SC, movida por total desconhecimento das leis vigentes em seu estado, incitou os alunos a filmarem os professores que estivessem fazendo a tal "doutrinação".  Logicamente que o Ministério Público Local, o Sindicato dos Professores e até a OAB colocaram a moça em seu devido lugar, obrigando que ela retirasse suas postagens, por dois motivos:

      1º) A conduta fere os princípios de liberdade de expressão;

    2º) Este é o motivo mais curioso: Os alunos catarinenses, segundo as leis estaduais, não podem fazer uso de aparelhos celulares em salas de aula. Ou seja... A deputada eleita quis combater o exercício de liberdade de expressão fomentando um comportamento infracional em sala de aula! Começou bem, hein?


      Enfim, os nossos parlamentares têm grandes chances de aprovarem o "Escola sem Partido", muito provavelmente na próxima legislatura, recheada de políticos tarados por mordaças. Mas o SFT já mandou, por várias vezes, o recado: O tal Projeto de Lei é censor, retrógrado e principalmente, INCONSTITUCIONAL!  Afinal, estamos numa democracia...

* O Eldoradense


    

9 de out. de 2018

Quando a neutralidade não é sinal de covardia...

    As fichas do jogo da sucessão presidencial estão lançadas, ainda que o resultado final da contenda esteja praticamente certo: a vitória de Bolsonaro sobre Haddad. Muitos dos que escolheram um lado alegam que aqueles que optarem pela neutralidade à disputa sejam "omissos" ou "covardes". Ao contrário. Para desagradar ou se posicionar contra 75% de eleitores convictos, (muitos deles, fanáticos); é preciso personalidade e coragem. Pôncio Pilatos lavou suas mãos quando foi preciso escolher entre Jesus Cristo e Barrabás. Agiu equivocadamente. Mas se na época ele precisasse escolher entre Barrabás e Herodes, eu juro que lhe entregaria o sabonete e a toalha! 

      Vejam os dois casos que citarei abaixo:

    Momentos antes do jogo Atlético Paranaense x Vitória, o presidente do clube sulista ordenou que seus jogadores adentrassem no campo com uma camiseta amarela em apoio a Jair Bolsonaro. Pouco importava se dentre os jogadores havia alguém que pensasse diferente dele. Muito menos se dentre os torcedores do seu clube também existissem discordâncias políticas. Paulo André, zagueiro, não se intimidou: vestiu uma blusa do clube por cima da camiseta, demonstrando sua personalidade, coragem e contrariedade à coação e ao assédio moral:


   Correrá o risco de sofrer alguma retaliação pelo gesto. Mas e daí? Convicções não estão à venda... Parabéns, Paulo André!


     O outro caso envolve o atual governador de São Paulo, Márcio França. Seu partido, o PSB, apoiará o petista Fernando Haddad. Muitos dos seus eleitores em primeiro turno estão dizendo que se ele não apoiar Jair Bolsonaro, migrarão o voto em segundo turno para João Dória. Em meio às pressões de ambos os lados, França declarou corajosamente que não vai optar por nenhum dos lados. Corre o risco de sofrer retaliações do próprio partido, bem como perder as eleições por conta da "onda Bolsonaro". Mas e daí? Será que o resultado de um pleito eleitoral está acima das convicções e princípios de um indivíduo? Pela neutralidade explícita declarada inicialmente,  Márcio França tem o reforço do meu voto para o segundo turno das eleições no Estado de São Paulo. E ainda que venha apoiar posteriormente um ou outro, entendo que ele é o melhor candidato...


* O Eldoradense

8 de out. de 2018

Eleições presidenciais: Ao meu entender, um segundo turno medíocre!




   Votação em primeiro turno encerrada para as eleições presidenciais e os prognósticos dos institutos de pesquisa foram confirmados: Vão para o segundo turno Bolsonaro e Haddad. 

   Ao primeiro colocado, uma tarefa não muito difícil: buscar pouco mais de quatro por cento dos votos válidos para subir ao Palácio do Planalto. Ao segundo, algo quase impossível, que inclusive nunca aconteceu na história das eleições presidenciais: reverter a vantagem, virar o jogo na etapa posterior. É como se o segundo turno ocorresse apenas para cumprir um protocolo, confirmar o esperado. Mas se estas são as regras do jogo, que venha a "prorrogação"!

    Quanto aos candidatos em si, mantenho o posicionamento a respeito de ambos: o primeiro é inapto, despreparado, boçal, arcaico. Enquanto isso, o segundo representa um projeto partidário de poder desmedido, que potencializou a corrupção no país. Mediante o contexto, sustento o que tenho dito antes da confirmação das urnas: Não dá para escolher entre ambos, fica difícil mensurar o quão mais prejudicial para o país é um ou outro. Respeito quem pensa diferente, mas enquanto os candidatos medianos foram preteridos pelo eleitorado, os medíocres, ao meu ver, foram preferidos. É lógico que esta é uma opinião particular e eu não sou nenhum guru. Mas é difícil não enxergar de outra forma. 

     Agora, é esperar o que vem pela frente, mesmo que as tendências indiquem uma campanha baseada num inútil "Fla-flu" ideológico, marcado por pouca ou quase nenhuma proposta, além muitas ofensas de ambas as partes.  O que se salva? Os trâmites ágeis e transparentes do processo eleitoral. O resto, é "mi mi mi" recorrente em aplicativos de mensagens e  redes sociais, que só convencem àqueles que procuram pelos em ovos...


* O Eldoradense

6 de out. de 2018

Esclarecendo algumas lendas e dúvidas eleitorais...



  Se um dia alguém almejar ser um grande jogador de futebol, é apropriado que, antes de se tornar um craque, o sujeito esteja a par das regras do jogo, correto? Pois bem: antes de pesquisar sobre o histórico e as plataformas de governo do seu candidato, é importante saber também as normativas acerca da votação. Normativas estas que têm sido alvo de informações equivocadas que correm frouxo nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Abaixo estão algumas delas:

  1) Para ser considerado voto válido, é necessário votar corretamente em todos os cargos eletivos da urna. Caso haja um ou outro voto em branco, anula-se todos os seus votos válidos em efeito "cascata". Bobagem! Serão validados todos os seus votos corretos, e caso opte por  voto anulado ou branco em determinado cargo eletivo, mantém-se a validade do voto correto. Votos brancos ou nulos continuam sem efeito, sem prejuízo destes sobre o voto válido.

   2) Caso mais da metade dos votos sejam nulos ou brancos, anula-se a eleição e as candidaturas vigentes, necessitando  outro pleito eleitoral com a troca obrigatória de todos os postulantes. Nada a ver. Contabilizam-se apenas os votos válidos, e quem ganhou, leva. Nas eleições presidenciais, se o primeiro colocado não atingir "50% + 1" dos votos válidos, há a necessidade de um segundo turno, concorrendo com o segundo colocado.

   3) Voto Branco ou nulo é contabilizado para quem está em primeiro lugar na apuração. Mais uma lenda eleitoral! Voto branco e nulo não é contabilizado, portanto, não é somado a candidato algum. O que acontece é que, como são votos inválidos, não alteram as colocações dos candidatos. Mas aí... problema deles!

    4)  Posso votar duas vezes no mesmo candidato para Senador? Poder, até pode. Mas o segundo voto, (repetido), será anulado. Há candidato a senador recomendando a prática em benefício próprio, mas lembramos que independente da vitória ou não do postulante, são duas vagas. Outro senador será eleito, independente do eleitor fazê-lo ou não.

        5)   E em caso de empate, o que acontece?  Se isso ocorrer nas eleições presidenciais em primeiro turno entre os dois primeiros colocados, ambos vão para o segundo turno automaticamente. Se ocorrer entre o segundo e terceiro colocados, vai para o segundo turno o candidato mais velho. A regra do desempate vale também para o segundo turno, caso exista um igualdade no número de votos absolutos entre ambos.


           É isso aí, bom voto a todos!


* O Eldoradense

3 de out. de 2018

2018 parece marcar a segunda vitória de Dilma sobre Aécio!

   Há exatos quatro anos o país estava tão dividido para as eleições presidenciais quanto neste momento. Porém, os personagens eram diferentes. De um lado, estava Dilma Roussef, tentando uma reeleição que tinha tudo para não acontecer, devido sua baixa popularidade. De outro, o tucano Aécio Neves, que pregava o discurso da "mudança" e do "combate à corrupção". O problema é que pequenas denúncias de desvio de conduta já maculavam o playboy mineiro, enquanto outras denúncias gigantescas estavam atreladas ao nome de Dilma. Vieram as eleições e a petista bateu o tucano por uma pequena diferença percentual. O país ficou ainda mais dividido, e as trocas de farpas tomaram conta das redes sociais. O segundo governo de Dilma começou capenga, e todos nós sabemos onde foi parar: no impeachment. Pouco antes, eleitores do Aécio, orgulhosos de sua escolha, vestiam esta camiseta...



   Bonitinha, né? Sim, bonitinha, mas ordinária, como diria Nélson Rodrigues. Não atentos ao fato de que Aécio tinha perdido nos dois turnos para Dilma nas eleições presidenciais em Minas Gerais, seus eleitores carregavam consigo o sentimento do "fiz a coisa certa". Até que vieram as delações da JBS e um áudio mais do que comprometedor mostrando, quem, de fato, era Aécio. O empresário que criou a camiseta, em entrevista, confessou ter se arrependido pela sua criação. Os eleitores de Dilma no segundo turno, também se arrependeram do seu gesto, e eu me incluo no grupo.

    Mas a verdade é que se usarmos as eleições de 2018 para tentar saber quem estava "menos errado" naquele contexto, chegamos à conclusão de que Dilma ficou menos mal vista na foto que o tucano. Enquanto ela lidera as pesquisas de intenção de voto para o Senado, Aécio defende uma candidatura bem menos ambiciosa: o cargo de Deputado Federal.




   Enfim, é como se Dilma tivesse saído do protagonismo da novela das oito e conseguisse um papel modesto na novela das sete. Ao Aécio, restou ser coadjuvante em "Malhação"...

* O Eldoradense


13 de set. de 2018

Direita... "Vou ver?"





    A esquerda fracassou no Brasil e propiciou terreno fértil, não para a direita, mas aparentemente, para a extrema direita. E é aí que eu coloco as minhas barbas de molho. Sim, porque a alternância político/ideológica é algo totalmente normal e rotineiro nos países de Primeiro Mundo, com uma diferença: Raramente os extremistas se criam nestes lugares. E quando se criam, rapidamente experimentam a impopularidade do eleitorado, como vem acontecendo com Donald Trump, nos Estados Unidos, ameaçado por possibilidade real de impeachment.

    O fato de eu me identificar com as diretrizes centro-esquerdistas não quer dizer que rotulo a direita de forma negativa. Não, até porque existe gente muito inteligente e preparada que pensa de forma diferente. Normal. O problema é o fanatismo visceral da extrema direita arcaica, tão prejudicial quanto a extrema esquerda xiita. 

      As possibilidades de vitória de Bolsonaro parecem estar cada vez mais reais, apesar de incertas. Mas sinceramente, se fosse para ver um governo de direita no comando do Brasil, que fosse de um cara moderno e preparado, feito João Amoedo. Teríamos, neste cenário hipotético, mais credibilidade e confiança no contexto global. Porém, se Bolsonaro ganhar, é torcer para que ele me surpreenda, como se fosse sair um guindaste dentro do Kinder Ovo.   Vai saber, né? De certa forma, seria interessante comprovar se o governo destro de Bolsonaro atenderia ou não as expectativas de um povo tão esperançoso em seu voto personificado. Direita... "Vou ver?"

* O Eldoradense

8 de fev. de 2018

Alckmin disse que intenção é privatizar "tudo o que for possível", caso seja eleito...

  O assunto sempre vem à tona em campanhas presidenciais: privatização. E numa entrevista em Brasília, após reunião com empresários da construção civil, o governador Geraldo Alckmin disse, convictamente: a intenção é privatizar tudo o que for possível. Desta vez o PSDB adotou a bandeira do neoliberalismo de forma mais explícita, haja vista que nas últimas eleições majoritárias o tema não era muito aceito pela população brasileira. Com os escândalos de corrupção e corporativismo político em diversas estatais, ficou mais fácil encampar as propostas de privatizações, e talvez o partido já tenha uma ideia sobre a mudança de pensamento da população quanto ao assunto.

   As privatizações diminuem a burocracia das empresas, tornando-as mais competitivas, diminuindo os riscos de fisiologismo político nos seus respectivos comandos, deixando estas funções para gente dotada de capacitação técnica. Com todos estes fatores contando a favor, tais empresas maximizam seus lucros, gerando mais arrecadação de impostos para a União. Por outro lado, existem setores estratégicos para o país, e talvez fosse importante que tais setores se mantivessem sob a gestão pública, mesmo com tantos desafios a serem superados.

    Mas ficou claro que adotando tal discurso "Alckmin é mais Alckmin", deixando mais claro suas reais intenções com relação às estatais. Vale lembrar que tais empresas são "Públicas", portanto, são patrimônio do povo brasileiro. Se por um lado não queremos que sejam surrupiadas pelos políticos na condição de "Estatais", é importante saber se o povo é, de fato, a favor das privatizações. Afinal, estatais não pertencem exclusivamente aos governos, pertencem também aos governados...  * Para visualizar a imagem abaixo em tamanho original, clique sobre a mesma.


* O Eldoradense

25 de jan. de 2018

Quem mais se beneficiou com a condenação de Lula?



 
  Ontem foi um dia importante para o futuro político do Brasil. Lula foi condenado no TRF-4 por unanimidade, sufocando o discurso de que não há provas concretas contra o petista no caso "tríplex do Guarujá". Com a decisão, o ex-presidente pode ser preso a qualquer momento, bem como a sua possibilidade de inelegibilidade ter aumentado substancialmente. É bem provável que sua defesa utilize todos os recursos possíveis (e impossíveis) para retardar sua prisão e a suspensão de sua candidatura. Ok, mas isso é só uma questão de tempo.

 Consideremos então que o líder das pesquisas esteja definitivamente fora do páreo e que sua barba não apareça na urna eletrônica em outubro. E agora, quem é o maior beneficiário da decisão tomada ontem, pela justiça? Se fosse uma corrida de Fórmula 1, automaticamente, o possível futuro presidente do Brasil seria Jair Bolsonaro, segundo colocado nas pesquisas. É, só que as coisas não são tão simples: é provável que Bolsonaro tenha ostentado esta posição movido pelo voto anti-PT, onde muitos eleitores talvez pudessem tê-lo escolhido por estar mais próximo de Lula nas pesquisas. Mas agora, com o petista praticamente fora,  o antipetismo pode voltar ao partido que mais abraçou tal corrente na história política recente do Brasil: O PSDB.

    E o PSDB não vem com pouca munição para a batalha. Seu candidato é Geraldo Alckmin, governador do maior colégio eleitoral do país, e que, dentro deste colégio, lidera a disputa para a presidência. Há quem questione seu carisma pelo restante do país, porém, falta muito tempo para as eleições. E com uma campanha mais robusta e mais tempo de televisão na propaganda eleitoral, é provável que "Alckmin" seja mais "Geraldo",  aumentando consideravelmente seus números nas pesquisas de intenções de voto junto às camadas menos favorecidas da sociedade.

  Some-se isso ao fato de que Jair Bolsonaro esteja tão preparado para ser presidente do Brasil quanto o XV de Jaú está preparado para ser Campeão Mundial Interclubes. Num hipotético debate entre Alckmin e Bolsonaro, o tucano vai elegantemente "trucidar" o falastrão. Não que eu morra de amores por Alckmin, mas isso é tão líquido e certo quanto dois mais dois serem quatro.

    Quais alianças o "poderoso" PSL poderá formar? Quantos partidecos nanicos girarão em sua órbita? Quem o truculento Bolsonaro seduzirá com sua capacidade de articulação similar a de um joelho com artrose? À imprensa, Bolsonaro disse que a decisão da justiça contra Lula foi histórica. Mas em seu íntimo, se ele tiver um mínimo de discernimento, sabe que Alckmin foi o maior beneficiado com o resultado do julgamento de ontem.

* O Eldoradense

   

28 de dez. de 2017

"Pato com bananas"




    Faço a observação com certa frequência. O atual silêncio da população brasileira é vergonhoso, incompreensível, para não dizer, covarde. Sim, o barulho das panelas que acabaram por enxotar Dilma do Palácio do Planalto foi mais do que justo, mas os protestos não deveriam ter cessado, haja vista o mar de escândalos sucessivos envolvendo o atual governo.  Isso dá alguma consistência ao discurso de seletividade e manipulação durante as manifestações, oferecendo sobrevida a um ex-presidente  que não merecia sequer um microfone para disparar suas bravatas cínicas e demagógicas.  A alegação de "golpe" toma forma, mesmo que do ponto de vista técnico e judicial, os trâmites e os ritos do impeachment tenham ocorrido de forma legal.

    E é neste cenário nebuloso, em que o governo age acintosamente conforme seus interesses, que a população vai pagando o pato. Sim, aquele pato amarelo, inflável, que os manifestantes diziam em alto e bom tom que não iriam pagar, mas já estão pagando, com juros e correção.  Aquele pato, da mesma cor da camisa da seleção brasileira, com o emblema da CBF, também imersa em corrupção. Pato amarelo, camisa amarela, que coloriram os protestos de um povo que agora, "amarela" diante dos mandos e desmandos do Governo Temer.  Toda banana, quando amadurece, fica amarela. Contrariando a fruta, nós "amarelamos" numa explícita falta de maturidade. Mas ainda assim, formamos um grandioso cacho de "bananas"...

* O Eldoradense

26 de out. de 2017

O Congresso Nacional assume cada vez mais o papel de "Casa de tolerância"!


  Os políticos brasileiros evidenciam, cada vez mais, o que realmente são : mercenários travestidos de representantes de uma nação que agoniza apunhalada sucessivas vezes pela corrupção desenfreada.

 O Congresso Nacional assume o papel das famigeradas "Casas de tolerância", com uma diferença crucial : As profissionais do sexo ao menos fingem preocupação em agradar quem as paga, enquanto nossos digníssimos de"puta"dos se esforçam explicitamente em agradar o cafetão-mor da República! 

* O Eldoradense

18 de out. de 2017

A blindagem da impunidade e o corporativismo político...

   A cada dia que passa, noto que a impunidade tornou-se mais explícita no Brasil, motivada, principalmente, pelo corporativismo da classe política. Sim, porque os magistrados, o STF, o Ministério Público e a Polícia Federal até que cumprem bem seus respectivos papéis, investigando, julgando e condenando. O problema é que quando chega no julgamento feito pelos próprios políticos, a coisa emperra: o "toma lá da cá" prevalece e todo mundo coloca uma venda nos olhos com o intuito de se preservar futuramente. Isso ocorre devido ao fato de que nossas duas Casas de Leis, (Câmara de Deputados e Senado); estarem abarrotadas de homens com o rabo preso. Com o Poder executivo não é diferente. Há troca de favores explícitas, e mesmo diante de delações, áudios e provas concretas, estes bandidos mantém-se no poder, tendo a pachorra de alegarem que são vítimas de "complôs" e "conspirações". São meliantes engravatados, que alicerçam suas absolvições em negociatas escusas, imorais e dotadas e um cinismo absurdo.

    Temer e Aécio são os exemplos mais recentes. Provas de seus ilícitos não faltaram, mas tanto um como outro, mediante apoio político mercenário, mantém-se no poder, zombando da cara do povo. Quando Dilma Roussef caiu, Juca Kfouri escreveu em sua coluna: "Só caiu porque é mulher e não tem apoio político". Na ocasião, pensei que tal frase estivesse equivocada, pois eu achava que finalmente a justiça começava dar o ar da graça neste país. Ponto para Juca Kfouri!  * Para visualizar a imagem em tamanho original, clique sobre a mesma.


* O Eldoradense



7 de out. de 2017

Capítulo ll da briga interna tucana...

     Continuando com os espetáculos de troca de farpas que estão fazendo o PSDB parecer uma autêntica "casa da mãe Joana", João Dória rebateu Alberto Goldman, não fazendo muitas justificativas nem explanações, fazendo um discurso evasivo e ligeiramente acalorado. Desculpem-me os que são "filhos da dona Joana", pois usei uma terminologia popular para tentar explicar o inexplicável caos interno do tucanato, pois tenho certeza que as residências chefiadas pelas senhoras com este nome resolvem bem melhor seus conflitos internos do que os "peessedebistas". Peguem a pipoca e assistam a réplica...


* O Eldoradense

Assistam ao vídeo e vejam como está o clima dentro do PSDB!

  Amigo leitores, o PSDB deu mais uma prova de sua divisão interna. E desta vez, não foi texto, não foi artigo jornalístico, muito menos suposição ou hipótese. Foi fogo amigo produzido em vídeo, feito pelo ex-governador de São Paulo Alberto Goldman, atualmente, vice-presidente nacional do partido. Goldman ataca e critica acintosamente o início da gestão de João Dória à frente da prefeitura de São Paulo, alegando o óbvio: A capital do nosso estado não tem prefeito, está à deriva, pois quem foi eleito para exercer tal função, só pensa em ser candidato à presidente! Enfim, precisou alguém do próprio PSDB para expor as verdades que a mídia parece esconder em nome do seu mais novo "queridinho". Assistam ao vídeo e tirem suas próprias conclusões...




* O Eldoradense

22 de set. de 2017

No PSDB, Arthur Virgílio também quer ser candidato à Presidência!

   


  Quando o sujeito pensa que o PSDB está dividido, o partido prova que sua capacidade de dissolução e vocação às derrotas em disputas presidenciais pode ser maior do que se pensa: Desta vez, em entrevista ao site Veja.com, é o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, quem está proclamando explicitamente a intenção de concorrer ao Palácio do Planalto nas próximas eleições, em 2018. 

  Parece ainda não ter caído a ficha do tucanato que as pesquisas eleitorais para o ano que vem indicam percentual baixíssimo de todos os seus possíveis candidatos à presidência, e que, tais divisões, (ou indefinições); aumentam drasticamente as chances da sigla de amargar uma nova derrocada visando as eleições majoritárias do ano que vem. Quanto à Arthur Virgílio, é um político experiente, opositor ferrenho à Lula, mas convenhamos: é muita pretensão achar que ele próprio tenha visibilidade suficiente para colocar a faixa verde-amarela no peito! Com tanto "fogo amigo", parece que o Governador Geraldo Alckmin nem precisa do Major Olímpio como opositor político! Os próprios colegas de partido desempenham muito bem este papel...

* O Eldoradense

20 de set. de 2017

Quem vota nulo não tem o direito de reclamar?



    Mais uma vez, faço questão de escrever sobre o cenário político que vem sendo montado para as eleições presidenciais de 2018: Lula, em primeiro, e Bolsonaro, em segundo. Não vou me atentar aos detalhes dos números, porque até mesmo a inversão das respectivas colocações não aliviariam em nada o cenário absolutamente "trash" que está se desenhando. E para um país que agoniza, visualizar tais números é decepcionante, (para não dizer desesperador).

  De um lado, um político que consegue se manter na dianteira das pesquisas ainda que se saiba que seu partido institucionalizou a corrupção, arrombou com as contas públicas e que, nos últimos anos, viabilizou um projeto de poder agindo às margens da legalidade. Do outro, nada mais do que um falastrão, que ganha força mais pelo descrédito generalizado do que pelos seus próprios méritos. Sugiro ao leitor que me diga algo que Bolsonaro tenha feito de relevante ao país em seus seis mandatos enquanto deputado federal. Olha, mas é preciso ter relevância, consistência, e não vale falácia, verborragia, porque isso não me convence. Ah, e se me argumentarem que ele é o candidato "defensor da família", perdoem-me: se você deposita em um político a outorga de defender sua família, então, você precisa repensar o seu papel de defensor da tua própria família!". 

    E é neste cenário nada promissor que resolvi reconsiderar sobre o voto nulo. Em outras épocas, eu seria um crítico ferrenho à prática, mas o tempo nos molda e faz reavaliar posturas: eu tenho mesmo que escolher entre um corrupto profissional de carteirinha e um demente idiota amador? Não, não dá para compactuar com nenhuma das possibilidades. Prefiro acreditar que algum nome de mínima razoabilidade e viabilidade emerja do fundo das pesquisas e surpreenda esta aberração de cenário futuro. Caso contrário, vejo-me na obrigação de adotar, ineditamente, a prática do voto nulo. Isso exclui minha possibilidade de criticar e reclamar? É claro que não. O voto nulo também é uma expressão democrática, legítima a qualquer cidadão.

* O Eldoradense

12 de ago. de 2017

Quando três malucos querem brigar... sai de baixo!

  O bom e velho ditado diz que "quando um não quer, dois não brigam". Pois é! Agora imaginem quando três estão loucos para brigar? Coisa boa é que não sai, né?

 Na liderança da maior potência mundial, temos um megalomaníaco desequilibrado com discurso de extrema direita, xenófobo e com popularidade baixíssima. Contrapondo a ele, na Coréia do Norte, um baixinho invocado que resolveu brincar de fazer testes com bombas nucleares. Não é preciso ser nenhum gênio da análise geopolítica, para concluir que, na busca por popularidade e prestígio, os dois podem resolver iniciar um confronto bélico, derramando sangue dos seus respectivos povos, alimentando seus respectivos discursos nacionalistas.

    Como se não bastasse, aqui nas bandas da América do Sul, um ditadorzinho com discurso esquerdopata faz e desfaz na Venezuela, oprimindo um povo que sequer tem comida nas prateleiras dos supermercados. Pratos vazios para os venezuelanos, mas um prato cheio para o presidente norte-americano, que já sinalizou a possibilidade de interferência militar contra Nicolás Maluco, que já provou até onde é capaz de ir utilizando o discurso demagógico da "República Bolivariana". 

   Quer dizer, a coisa não tá cheirando bem. Se "quando um não quer, dois não brigam", quando três querem brigar... Sai de baixo!  * Para visualizar a imagem em tamanho original, clique sobre a mesma.


* O Eldoradense
       

11 de ago. de 2017

E o PSDB continua cometendo o velho erro da divisão interna!



    A um ano das eleições presidenciais, o PSDB parece cometer o mesmo erro do passado quando visava o Palácio do Planalto: os principais nomes do partido parecem buscar o mesmo objetivo, causando conflitos de interesses e divisões internas. Foi assim com Aécio e Serra, com Serra e Alckmin, Aécio e Alckmin, e agora, surpreendentemente, com Dória e Alckmin. Ambos iniciaram viagens pelo país, cumprindo agendas informais de pré-candidatura, cada qual buscando os próprios apoios, conquistando os próprios espaços, como num estratégico jogo de tabuleiros.

 Dória recebeu recentemente o título de "Cidadão soteropolitano" em Salvador, e disse abertamente que está feliz pelas sondagens recebidas pelo DEM e PMDB, numa possível mudança de sigla partidária visando à Presidência da República. Ao meu ver, seria um grande erro, pois o atual prefeito de São Paulo teria que abandonar o comando da capital paulista no segundo ano de mandato, tentando alcançar Brasília. Fora isso, Dória deveria dedicar um mínimo de lealdade ao seu padrinho político, o Governador Geraldo Alckmin, que também tem como objetivo principal a Presidência da República. 

   Não nego minha antipatia explícita ao tucanato, mas admito que este é o partido que tem mais nomes aptos para concorrer às eleições majoritárias de 2018. Porém, se a sigla almeja vitória, é imprescindível que entre em consenso. Caso contrário, agonizará mais uma derrota, numa inacreditável demonstração de insistência nos mesmos erros. Lula e Bolsonaro assistem tudo de camarote, torcendo para que os conflitos internos do PSDB continuem a dividir o partido...

* O Eldoradense

   

12 de jul. de 2017

Sobre a condenação de Lula...



“Tarda, e às vezes, não falha!”

    Todos nós sabemos o quão polêmica a notícia é, e não dá para não imaginar o turbilhão de possibilidades sobre o futuro. De cara, é preocupante imaginar as reações das Centrais Sindicais e Movimentos Sociais ligados à esquerda, pois a probabilidade de uma “convulsão social” não é descartada. E como simpatizante declarado da ideologia centro-esquerdista, fico muito à vontade para dizer: seria um grandessíssimo erro promover manifestações solidárias a um criminoso, que tantos prejuízos causou ao país. Seria um desrespeito às instituições democráticas e uma afronta à Justiça, que tanto clamamos historicamente aos quatro ventos. No caso específico da condenação de Lula em primeira instância, foram respeitados todos os ritos de um processo criminal, passando pelo direito de defesa, o acúmulo de provas e depoimentos testemunhais. Desqualificar o rito seguido à risca pelo juiz Sérgio Moro é tergiversar, dissimular, dar uma de “João sem braço”, ou com o perdão do trocadilho, dar uma de “Luiz sem dedo”.


   Enfim, se a esquerda brasileira quiser concentrar suas forças em causas justas e legítimas, que saia às ruas para defender os direitos que o trabalhador está perdendo com a Reforma Trabalhista, visivelmente prejudicial aos seus interesses. Se os movimentos sociais querem lutar por algo nobre, que o faça em defesa dos sem-teto, dos sem terra, mas não em defesa dos “com tríplex no Guarujá” ou dos “com sítio em Atibaia”. Há tempos o “homem do povo” mostrou-se cada vez mais atrelado às elites que tanto criticou nos palanques,  visando financiamentos de campanha através do famigerado “caixa dois”.



   A condenação de Lula é emblemática, um exemplo a ser seguido, e queira Deus, seja cumprida sem as benesses dadas aos figurões que podem pagar pelos melhores advogados. Que nesta avalanche promovida pela Operação Lava Jato, caiam todos que mereçam cair, sem distinção de partidos políticos ou ideologias. Afinal, qualquer ideologia é menos importante que a justiça e os valores éticos.



* O Eldoradense

10 de jul. de 2017

Revoada tucana do governo Temer é iminente!



    O governo Temer transformou-se em um zumbi cambaleante, cuja queda está tão evidente quanto iminente. E os principais alertas para a sua derrocada estão vindo do ninho tucano, (leia-se PSDB); partido que atualmente compõe a base governista, mas que a cada dia, testemunha declarações dos seus caciques contrárias à permanência na base situacionista.

   O Senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB); disse que se é para escolher entre a bancada governista na Câmara Federal e abandonar os cargos, é preferível abandonar os cargos. Já o Senador Tasso Jereissati, (PSDB-CE); afirmou que a saída do partido do governo Temer está "evoluindo naturalmente". Geraldo Alckmin, governador tucano de São Paulo, defende que o tucanato acolha favoravelmente a pauta das reformas (trabalhista e previdenciária); porém, sem necessariamente compor a base governista.

   Um dos principais nomes tucanos a defender a permanência do partido do governo Temer é o de Aloysio Nunes, senador paulista e Ministro das Relações Exteriores, porém, sua fala parece cada vez mais isolada dentro do partido.

   A reunião proposta por  Temer com FHC foi desmarcada, sem previsão para agendamento de nova data. Como "um tucano só não faz verão", afirmo, sem medo de errar: A revoada tucana do governo Temer está próxima! E aí, meus amigos, é questão de tempo para que o bêbado equilibrista caia de forma indigna e melancólica. O que esperar de Rodrigo Maia? Não esperem muita coisa, quiçá, esperem menos do que esperaram de Temer...

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* O Eldoradense


Crônica: "Tetos de vidro"

         Imagine, caro leitor, dois hotéis vizinhos. O primeiro é cinco estrelas, o maior de todos. O hotel ao lado, por sua vez, tem três e...