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13 de jan. de 2024

Vídeos curiosos: "Trato na bike"

 Choveu! Dia de dar um rolê na lama e depois, um trato na bike! Som do Nando Reis: "Muito estranho"...


* O Eldoradense 


24 de jun. de 2018

Falando de festa junina...

  Copa do mundo, futebol, bola na rede. Este blog precisava de uma pausa nesta overdose futebolística, neste "samba de uma nota só", prevalente durante este mês corrente.

  Hora de virar um pouco o disco, e eu resolvi escrever sobre uma experiência que há tempos eu não vivia, mas que hoje tive o prazer de relembrar. Durante a manhã, minha mãe disse que havia visitado o meu irmão, que por sua vez, recebeu o convite dos seus novos vizinhos para participar de uma festa junina nas adjacências do campo de malha do Parque Augusto Pereira. O convite que meu irmão recebeu poderia ser estendido aos seus amigos e parentes, sendo pedida a colaboração de um prato de comida típica ou refrigerante. Resolvi ir, pois acho legal este tipo de festa, e percebo que elas não são mais tão frequentes quanto antes. O evento está em sua terceira edição, e é chamado de "Arraiá das vizinhas".

     Admito que a festa estava melhor do que eu pensava, mais organizada do que eu imaginava, e confesso que fiquei bastante surpreso com a estrutura bacana que foi montada para realizá-la. Rua interditada, a maioria dos participantes vestidos à caráter, enquanto este que vos escreve, vestia trajes comuns: Sou "caipira" até para me vestir de caipira! Nem para eu ter colocado uma camisa xadrez! Mas isso é o que menos importa.

     O que importa foi a confraternização entre os participantes, sendo que vi muitos convidados de outros bairros da cidade. Porém, como houve colaboração maciça, todos saíram satisfeitos com relação aos "comes e bebes". Pipoca, quentão, bolos, paçoca, tudo como manda o figurino e a tradição das festas de junho. As organizadoras fizeram uma oração em agradecimento à ocasião, e a partir daí, a festa começou de verdade: músicas do gênero pé-de-serra, forró, incrementando um evento familiar, respeitoso, fraterno, agradável. Uma quadrilha animada foi improvisada, alegrando ainda mais o que já estava bom.

    Resgatar tradições é algo imprescindível neste mundo frio, tecnológico, cheio de amigos virtuais e poucos contatos reais. Falta hoje em dia o calor humano, que eventos desta natureza proporcionam. Calor da fogueira, calor do quentão, calor do aperto de mão, do abraço, da dança. Não conheço os organizadores do "Arraiá das vizinhas", mas desde já, fica o agradecimento pelos bons momentos vividos nesta noite de sábado.

* O Eldoradense   

13 de dez. de 2017

"Dezembro"



    É, ele chegou! Sorrateiro, aguardado, luminoso, sonoro. Chegou o último dos meses do nosso calendário, com as mesmas peculiaridades marcantes de todos os anos, e ainda assim, nossos corações palpitam mais forte com sua chegada.


    Dezembro. Mês que sempre marca o fim de mais uma jornada, e que paradoxalmente, nutre expectativas pela outra que está por vir. Período em que as harpas tocam juntamente com os sinos de Natal, entoando uma melodia que consegue ser feliz e melancólica ao mesmo tempo. É em dezembro que muitas mãos saudosas pelo calor umas das outras tornam a se cumprimentar, seja de forma sincera, ou nem tanto. É em dezembro que o perdão acontece com mais frequência. Nem sei se existem estatísticas para isso, mas com certeza, elas são dispensáveis, pois dezembro é, sem sombra de dúvidas, o mês das remissões.



    E é nesta atmosfera de pisca-piscas, pinheiros, bolas coloridas e fogos de artifícios que sorrisos brotam, ao passo que também marejam os olhos de saudades. Lágrimas salinas, molhando as retinas que insistem em enviar aos nossos cérebros imagens de tantos dezembros anteriores, em que muitos dos que aqui estavam, não nos contemplam mais com suas companhias. Dezembro é dúbio, diametralmente Divino e doloroso.
    Não são poucas as pessoas que já me disseram entristecer-se com o mês. É compreensível, pois dezembro causa mesmo esta miscelânea de sensações, pois é um mês emotivo, apaixonado, e não por acaso, a roupa do Papai Noel tem o tom rubro, escarlate, ou para facilitar, vermelho intenso. Não nos esqueçamos que em meio a tantos ícones natalinos, há um fator que torna o mês diferenciado: a comemoração do nascimento de Jesus Cristo!



     Há quem diga que Ele também se entristeceria se visse seus filhos enaltecendo sentidos secundários do Natal e fim de ano ao invés de enfatizarem a importância de sua vinda ao mundo. É uma possibilidade, mas Jesus é puro altruísmo e nenhum egocentrismo. Imagino que Ele sentiria sim uma pontinha de decepção. Mas seja na Times Square, Paris ou Copacabana, imagino Jesus dando um sorriso sutil, balançando a cabeça  e,  em meio aos equívocos materialistas e ilusórios dos seus filhos, dizendo: "Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem..."


* O Eldoradense

27 de nov. de 2017

Comentando "Liga da Justiça"



     
   No último sábado, novamente fui ao Park Shopping em Presidente Prudente para conferir mais um lançamento cinematográfico do mundo dos super-heróis. E a bola da vez foi "Liga da Justiça", produto originário da editora americana DC Comics. Primeiramente, eu preciso ser honesto: toda opinião que emitirei abaixo, é viciada, parcial e suspeita. Eu sou Marvel Comics F.C!

    Então vamos lá: O filme, ao meu ver, é "meia boca", tem alguns efeitos especiais interessantes, roteiro clichê e tenta ser engraçado. Tenta. Sim, porque os diálogos cômicos da Marvel são muito mais envolventes, divertidos e perspicazes. É inevitável a comparação com "Os Vingadores", e no frigir dos ovos, "Liga da Justiça" não me empolgou, e em dado momento, (sem exagero); me flagrei "tirando uma pestana" por trás das lentes 3D.

    Mas como é como eu disse: meu olhar é muito parcial quando o assunto envolve quadrinhos ou filmes de super-heróis. Se você, amigo leitor, é fã da "tchurma" da DC Comics, há uma grande chance de você simpatizar com o filme.

      Batman, Mulher Maravilha, Ciborgue, Flash e Superman (ressuscitado) tentam salvar o mundo do ataque impiedoso do "Lobo das estepes", que, para variar, quer acabar com o nosso humilde habitat. Origina-se, através das forças e poderes de cada herói, a "Liga da Justiça". Na sala de cinema, parece que o filme agradou, porque eu percebi muitas interjeições e risadas do público, enquanto eu ficava remoendo meu senso crítico de "torcedor" da Marvel; (sei que não é um comportamento adequado, mas é mais forte que eu).

    Portanto, baseando-me na minha parcialidade quase que passional, aconselho o leitor a conferir o que eu digo, talvez porque o chato da história não seja o filme em si, mas este blogueiro "marvete" que vos escreve...

* O Eldoradense 

23 de nov. de 2017

Livro: X Men - Espelho Negro




   Conclui ontem a leitura de mais um romance baseado nos quadrinhos, e desta vez o livro lido foi "X Men - Espelho negro". Dos três livros do gênero que li, este foi o que menos me agradou, pois considerei a narrativa um tanto quanto monótona, diferente por exemplo, de "Guerra Civil" e "A morte do Capitão América". 

   Cinco dos X Men, (Ciclope, Vampira, Jean, Noturno e Wolverine), são vítimas de uma "armadilha" feita pelo médico telepata "Jonas Maguire", que promove uma "troca de corpos" entre pacientes de um hospital psiquiátrico e os mutantes acima citados. A partir daí, os cinco heróis encampam uma jornada épica na busca de entender os fatos e lutam para "reaverem" suas respectivas identidades,  pois os cinco "impostores" adentraram na Mansão Xavier, com intenções não muito boas.

   O enredo possui as velhas pitadas de humor da Marvel, pois é interessante citar, por exemplo, que Jean, Wolverine e Ciclope incorporaram seus personagens em pessoas do sexo oposto. Imaginem Wolverine usando vestido e frequentando o banheiro feminino? Surrreal, não? Além disso, a obra também traz a discussão sobre os conflitos entre as diferenças, sendo que a condição mutante é mera analogia para as questões raciais, de gênero e de preferência sexual dos humanos, promovendo a reflexão do leitor.

   O romance foi escrito pela jovem escritora Marjorie M. Liu,  reconhecida pelas obras literárias com ênfase na paranormalidade e fantasias urbanas. 


* O Eldoradense

6 de nov. de 2017

Livro: Guerra Civil



  Prosseguindo com a minha breve tendência de realizar leituras com conteúdo bastante fictício, finalizei ontem o livro "Guerra Civil", escrito por Stuart Moore, romance adaptado das Histórias em Quadrinhos da Marvel, e que não por acaso, também ganhou uma versão cinematográfica anos atrás.

   O "corpo" da história é o mesmo, tanto no cinema quanto no romance: Uma divisão interna entre os Vingadores, motivada pelo "Ato de registro", onde o governo americano elabora uma lei obrigando os cidadãos com poderes extra-humanos a realizarem um cadastro, sendo que quem quisesse exercer as atividades heroicas ficaria sob tutela governamental, participando de treinamentos, recebendo salário e sendo supervisionado oficialmente.

   Surpreendentemente, um dos heróis mais "caxias" do Universo Marvel, (O Capitão América); é contrário ao ato de Registro, liderando a chamada "Resistência", se opondo ao grupo liderado pelo Homem de Ferro, que se posiciona favoravelmente às interferências governamentais. Capitão América defende a liberdade e autonomia dos super-heróis, enquanto o Homem de Ferro acha que as ações supervisionadas diminuem os riscos aos civis.

   A partir daí a trama literária é tomada por batalhas violentas, onde a espionagem de ambos os lados se faz presente, e inclusive, a mudança das convicções quanto ao Ato de Registro.

    Diferente do filme, o livro conta com muito mais nuances, incluindo as participações de vários outros super-heróis do Universo Marvel: Quarteto Fantástico, Namor, Doutor Estranho, Justiceiro e Demolidor são apenas alguns exemplos.

      Por ser bem mais abrangente tanto no enredo quanto no número de personagens, achei o livro mais interessante que o filme, embora no cinema "Guerra Civil" também tenha feito muito sucesso.


* O Eldoradense

26 de mai. de 2017

A Ética deveria ser nossa "Nova Mania"...



"Etiqueta e ética"


    Há alguns dias deveria ter escrito este texto, mas sinceramente, fui acometido por uma certa preguiça, contudo, por uma questão de honra e merecimento por parte da protagonista da história, resolvi fazê-lo hoje. Fala sobre ética, honestidade, cuja falta de tais valores estão em evidência no cotidiano brasileiro. Há quem diga que honestidade não seja adjetivo, é obrigação. Concordo, em partes: se estivéssemos na Noruega, Japão ou Suécia, talvez fosse assim, mas não. Estamos no Brasil, onde muitos querem levar vantagem em tudo, desde os pequenos gestos até às mais escusas falcatruas envolvendo dinheiro público. Mas vamos ao que interessa:

  Vinte e dois de maio, última segunda-feira. Fui até à casa do meu irmão à tarde, e como ele não estava lá, disse à minha cunhada que iria novamente, à noite. Voltei, como o prometido. Passamos uma noite agradável, onde brinquei muito com a minha sobrinha. Ela pintava minhas unhas do pé com tinta verde e pedia para que eu me transformasse no "Incrível Hulk". Posteriormente eu simulava a "metamorfose"  e corria atrás dela, que gritava, fingindo susto. Passamos um bom tempo neste ritual, que era marcado pelo corriqueiro pedido infantil: "Faz de novo...."

   Quando voltei para a casa, minha esposa ligou o celular, e no Facebook, viu uma postagem do meu irmão, falando do aniversário da minha sobrinha. Caramba, santa distração! Passei duas horas lá e nem me lembrei da data. Telefonei naquele dia mesmo, justificando o esquecimento e dizendo que compraria o presente da "Clarinha" no dia seguinte, e assim o fiz.

  A nova saga de compra de presentes para meninas envolveu repetição no repertório: além de muito distraído eu não sou criativo, e comprei novamente um carrinho cor-de-rosa. A melhor parte da experiência vem depois...

   Ao me dirigir ao caixa, a moça perguntou qual foi o valor do brinquedo, já que a etiqueta do preço estava rasgada. Eu disse, em nova demonstração de total distração, que o valor era "X". Ela embrulhou para presente e passou o cartão de crédito para efetuar a venda. Agradeci, e quando eu estava com a moto já em funcionamento, ela veio até minha direção, ofegante. Disse que desconfiou do valor que eu havia dito, e ao fazer a conferência do preço na gôndola dos brinquedos, constatou que o carrinho custava "X - 20". Voltou ao caixa e me devolveu vinte reais. Pode até soar como um gesto simples, que caracterize "obrigação", mas como eu disse, nos dias atuais, é qualidade, adjetivo nobre. Agradeci a moça e resolvi homenagear seu gesto. Por timidez, infelizmente não perguntei seu nome, e talvez ela nem saiba que foi motivo desta postagem, justificada não pelos vinte reais devolvidos, mas sim, pela atitude. 

   A falta da ETIQUETA adesiva no preço do carrinho teve como consequência uma singela demonstração de ÉTICA, que deveria se fazer "presente" em nossa rotina. Como não sei o nome da moça, fica como gesto de agradecimento a divulgação da loja na postagem, que é a "Nova Mania", situada em Presidente Venceslau, na Avenida Tiradentes, 726. E para finalizar, fica a sugestão: E se a honestidade se tornasse, de fato, a "Nova Mania" da nossa sociedade? Fica a dica...

* O Eldoradense


23 de mar. de 2017

"Sigla enfrente!"



"Sigla enfrente"

    Ele tirou o carro da garagem para se dirigir ao trabalho em mais uma manhã de trânsito intenso. Era um BMW prata, estiloso, que lembrava bastante o glamour do carro do avô, um DKV conservadíssimo, ainda pertencente ao patrimônio familiar. Ligou o rádio do veículo, no intuito de ficar a par das notícias do dia:
     "DIEESE calcula inflação de 7,5%"
     "IBGE confirma aumento na taxa de desemprego"
     "PETROBRAS não nega possibilidade no reajuste do preço dos combustíveis"
     "ANEEL pede aos consumidores que economizem energia para descartar apagão"
    ... E na Copa Nordeste, o ABC empatou em zero a zero com o CSA!

  - PQP!  Só notícia ruim! E quem lá quer saber do resultado do jogo do ABC com o CSA? - pensou. Resolveu desligar o rádio e inseriu um pen drive na entrada USB. Rapidamente escolheu a pasta de sua banda preferida, o RPM. Passou em uma loja de conveniência e comprou uma latinha de TNT para ter mais energia na difícil tarefa de encarar o dia. Dali onde estava até o banco HSBC, do qual era gerente, ainda restavam dez quilômetros, segundo a voz sensual da moça do GPS. No caminho, deu azar: Uma manifestação por justiça social, liderada por integrantes da CUT e do MTST.  Mais um pensamento raivoso: "Eita gente desocupada! Protestando em plena quarta-feira?"
   O pessoal da PM juntamente com a CET conseguiu normalizar o fluxo do trânsito e ele finalmente conseguiu prosseguir em direção ao trabalho. Chegando lá, ligou o PC sobre a escrivaninha e abriu sua caixa de e-mails. Havia uma correspondência eletrônica do setor de RH, que ele abriu imediatamente:
   "O banco HSBC agradece pelos serviços prestados ao longo destes dez anos, mas motivado por uma readequação no seu contingente de funcionários, lastima ter que abrir mão de sua eficácia e competência. Compareça hoje ao RH para assinar a demissão e verificar a soma dos direitos trabalhistas, inclusive do FGTS"
      Desmaiou em seguida, e os amigos, com medo de ele ter sofrido um AVC, ligaram para o SAMU. Mas não foi nada grave. No mês seguinte, ele estava engrossando as estatísticas de desemprego do IBGE e fazendo protestos na Marginal Tietê, juntamente com os integrantes da CUT e do MTST. Mas viu que aquilo não adiantaria muita coisa: Fez um curso no SEBRAE, vendeu o BMW e juntamente com a grana do FGTS, abriu uma franquia da CVC. E assim está tocando o barco, pagando IPVA, IPTU, PIS, COFINS e tantas outras siglas que fazem parte do nosso cotidiano.
   A vida está difícil? Está! Mas não adianta desanimar... Sigla enfrente!

* O Eldoradense

17 de mar. de 2017

"O presente de Sophya"


"O presente de Sophya"


    O mundo está ficando cada vez mais complicado. Qualquer coisa que era bem mais fácil ontem vem ganhando ares mais complexos, cheios de questionamentos e dúvidas. Percebi isso no último sábado, ao tentar realizar uma simples compra de presente de aniversário para a filha de um primo. Sophya é o nome dela, que só para complicar, tem "phy" no meio. As Sofias de ontem não tinham "phy" na certidão de nascimento, mas em contrapartida, as Sofias de ontem não eram tão graciosas quanto a minha priminha. Porém, não é esta pequena complicação que motiva o texto que escrevo. É um complicação de maior magnitude, bem mais justa.
   A festa de aniversário de Sophya foi marcada para o dia 11 de março, três dias após o Dia Internacional da Mulher. Três dias após eu ter lido um texto que falava sobre a influência dos brinquedos dados aos meninos e meninas durante a infância, que supostamente condicionam suas atividades no futuro. O texto fazia com que o sujeito que comprasse uma boneca ou uma miniatura de joguinho de panelas a uma menina refletisse sobre o machismo velado em sua atitude. Para ajudar, o Presidente da República havia feito um discurso sutilmente sexista ao "homenagear" as mulheres, dizendo que elas são "termômetros da economia", pois são as primeiras a manifestar descontentamento com os preços nos "supermercados". Fiquei remoendo isso, tentando exorcizar qualquer resquício de machismo do meu ser.
    Fui até a loja de presentes. Nas prateleiras, muitos mimos na cor Pink remetendo meninas às possíveis atividades predominantemente femininas: kits de beleza, bonecas e até miniaturas de compras de supermercado. Peguei o último item e abordei uma mulher que, apesar da vestimenta simples, transparecia bom nível cultural. Perguntei-lhe se dar aquilo de presente seria uma atitude machista. Ela lançou olhar com ar inquisitório, e me disse um "claro que sim" em tom ríspido. Sim, elas estão mais engajadas na árdua luta pela igualdade de direitos.
  Devolvi as miniaturas de compras de supermercado às prateleiras, e acabei comprando um bonito carrinho conversível na cor Pink. Acho que rompi parcialmente com o suposto machismo, pois apesar de ter comprado um carrinho, fiquei preso ao tirano padrão cromático rosa-choque para as meninas. Mas convenhamos, já foi uma quebra de tabu.
     É neste mundo complicado que a Sophya com phy no meio do nome vai buscar seu espaço, lutar por dignidade e igualdade de direitos. Levando-se em consideração a garra e a predestinação das mulheres, com certeza, ela alcançará seus objetivos. Mas ainda assim, não será fácil, pois o mundo está complicado, e a vida, de fato, não é nada cor-de-rosa...  

* O Eldoradense

1 de mar. de 2014

Um "causo" de carnaval...



Um "causo" de carnaval...
 Levanto-me da cama agora, totalmente sem sono, mas com vontade de compartilhar como os leitores do blog uma historinha boba, porém inesquecível, que aconteceu comigo. Foi em um carnaval qualquer, de um ano qualquer, em uma noite qualquer:

 Estava assistindo ao desfile das escolas de samba na TV, (sem qualquer ânimo), juntamente com dois amigos, (Ricardo e Marcos). Em meio a um silêncio irritante, eu iniciei uma conversa para quebrar o gelo:

   "Detesto carnaval. A gente liga a TV, carnaval. Liga o rádio, carnaval. E aí, lá pelas tantas, aparece um xarope contando aquela mesma piada de sempre, a da Mangueira..."

   Confesso que fiz o comentário só para quebrar o silêncio, sem qualquer intenção de prever o futuro. Porém, qual não foi nossa surpresa, quando em questão de pouco mais de 30 segundos, aparece o Miro, (in memorian); sempre com um sorriso largo na boca, fazendo a pergunta crucial:

  "E aí, estão assistindo ao desfile das escolas de samba? Já viram a Mangueira entrar?

    As nossas gargalhadas foram muito maiores do que a piada óbvia merecia. Não acredito que o Miro tenha achado que sua anedota havia sido engraçada. Na verdade, ele ficou com um semblante de quem não tinha entendido bem o que havia realmente acontecido.

  Saudades do Miro, um grande cara. Topógrafo, agrimensor, corintiano, e que, infelizmente, não está mais entre nós. Que Deus o tenha.
  

* O Eldoradense
  

3 de out. de 2013

Texto: "Vozes e equívocos"





“Vozes e equívocos"

  As impressões digitais são únicas de cada ser humano, como se fossem uma carteira de identidade emitida pelo Criador, com a diferença que não é possível falsificá-la. Porém, existe outra característica também peculiar de cada indivíduo, não tão específica quanto as impressões digitais, mas que compõe um traço pessoal bem marcante: a voz.

  Há vozes inconfundíveis, daquelas que ao serem ouvidas, torna inevitável ligar o nome à pessoa: Frank Sinatra é um exemplo emblemático. Há também vozes ocultas, de sujeitos que falam e nunca aparecem, aguçando a curiosidade dos ouvintes: é o caso do falecido Lombardi, que trabalhou tantos anos anunciando produtos e serviços no programa Sílvio Santos.

  Mas as vozes também pregam peças, confundem e podem provocar erros. Não por culpa delas, mas sim pela nossa, que muitas vezes tiramos conclusões sobre outras pessoas baseando-se simplesmente na voz alheia. Faça um exercício e prove o que digo: imagine se você não soubesse quem são Anderson Silva e Nélson Ned. Continue imaginando agora, os dois discutindo em um lugar fechado, longe dos seus olhos e ouvindo apenas a voz de cada um. Em caso de ambos partirem para as vias de fato, e baseando-se apenas nas vozes, qualquer pessoa concluirá que o cantor nanico dará uma verdadeira “sova” no lutador de MMA, quando na realidade, Anderson Silva tem plenas condições de trucidar Nelson Ned, dando-lhe uma surra daquelas que não sobre nem o DNA do oponente. Tudo isso porque Anderson Silva tem voz de menininha manhosa e Nelson Ned, de trovão. Perdoem-me pelo exemplo hipotético e violento, mas os senhores hão de concordar: é um exemplo didático.

  Tem gente que supõe que uma pessoa possa ser privilegiada pela beleza ou não ouvindo somente a voz. É quase que inevitável pensarmos que as mulheres que falam nos aparelhos de GPS, nos serviços de telemarketing, nos aeroportos e até nos hospitais são verdadeiras divas, de tão sensuais que são suas respectivas vozes, o que pode ser um equívoco, em alguns casos.

  Outra prova de indução ao erro promovido pela voz é o provérbio que diz que “A voz do povo é a voz de Deus”. Nada a ver. Se assim fosse, não teríamos tantos políticos incompetentes, atrapalhados e corruptos eleitos exatamente através do clamor das maiorias. Definitivamente, a voz do povo não é a voz de Deus! Que provérbio mais pretensioso...


* O Eldoradense



29 de ago. de 2013

Texto: "Palavrões"




“Palavrões”

   O convívio social entre os indivíduos requer comunicação, e isso é inevitável. Durante o cotidiano, as pessoas conversam entre família, com os vizinhos, trabalham, fazem transações comerciais, enfim, comunicam-se. É aconselhável que a cordialidade e o respeito se façam presentes nestas relações, exatamente para que nelas a harmonia seja predominante. E nestes contextos, saudações, palavras bem colocadas, conversas agradáveis e agradecimentos não são apenas bem vindos: são necessários.

   Mas existem ambientes e ocasiões, que vez ou outra, um tipo de vocábulo chocante e discriminado por muitos pode sair de forma surpreendente até das bocas mais puritanas: o palavrão. Falar um palavrão, ao meu entender, em determinadas situações, não é sinônimo de má educação. O baixo calão pode ser empregado até mesmo para extravasar um momento de tensão, e neste caso específico, é possível até que faça bem para a saúde. Imagine-se martelando um prego, e de repente, acertando o próprio dedo, com força. É preciso ser muito educado, ou ter paciência de monge budista para não verbalizar um palavrão tão intenso quanto a pancada sofrida.

  Outro contexto que serve como um “culto ao baixo calão” são as peladas e os jogos de futebol. Uma pessoa que solta um palavrão jogando futebol ou mesmo assistindo uma partida, não necessariamente propagará palavras chulas em ambientes ou situações mais formais. Envolto pela emoção e pelo calor de uma peleja futebolística, o sujeito vai de Papa Francisco a Capitão Nascimento em poucos segundos.

  Não escrevi este breve texto com o objetivo de fazer uma “apologia ao palavrão”, muito pelo contrário. Apenas acho que existem situações e ocasiões em que ele é admissível. Seja contando piadas entre adultos, extravasando dores e tensões, ou até mesmo durante a prática esportiva, é fato que os palavrões já ganharam uma espécie de “licença poética” para fluírem com naturalidade, sem maiores preconceitos, julgamentos ou retaliações. Enfim, assim como nos dizeres dos rótulos das bebidas alcoólicas, creio que o baixo calão deva ser apreciado com moderação. E aquele que nunca disse um palavrão sequer durante a vida, que atire a primeira pedra...


* O Eldoradense


25 de jul. de 2013

"Folclore, medos e causos"



“Folclore, medos e causos”

  Quem nunca ouviu uma história intrigante sobre assombrações, lendas ou personagens do rico folclore brasileiro contada por um antepassado? Quem nunca se deliciou com uma narrativa descrita com riqueza de detalhes e com uma convicção tamanha que fazia acreditar que tudo aquilo era uma realidade fantasiosa ou uma fantasia real? Se alguém que lê este texto não teve oportunidade de ser ouvinte de um “causo” desta natureza, afirmo: não sabe o que perdeu!

  Em um país com uma cultura popular tão rica e em que até metade do século passado possuía uma população predominantemente agrária, elementos propícios para a proliferação de causos envolvendo personagens assombrosos não faltavam: o ambiente rural, a falta de energia elétrica, o pouco grau de escolaridade das pessoas, bem como o hábito de conversar nas noites silenciosas, alimentavam as especulações sobre a existência de lobisomens, sacis, curupiras, mulas-sem-cabeça e tantos outros personagens folclóricos e fictícios.

  É, eu sei, tudo isso hoje parece ser uma grandiosa bobagem. Mas era muito gostoso ouvir tais histórias contadas pelos mais velhos e depois dormir amedrontado, só com os olhos para fora do cobertor, arrepiando-se com o barulho de um gato inoportuno sobre o telhado ou com o cantar de uma coruja agourenta. Era legal saber que nossos antepassados ingênuos tinham seus medos abstratos aumentados durante os quarenta dias do ano que correspondiam à “Quaresma”. Medo caipira, medo matuto, que no máximo assustava, mas que na prática, não fazia mal a ninguém.

  Já ouvi algumas histórias bacanas: desde matilhas que corriam à noite pelas estradas de terra até luzes brancas noturnas, que rompiam misteriosamente a escuridão das pastagens, como se fosse um flash disparado do além. Já me contaram sobre pessoas que ouviam choro de recém- nascido onde não havia bebê algum, como também um relato sobre pedras que flutuavam, saídas das paredes de barro de uma casa situada no pé da Serra do Cariri, no Ceará.

  Enfim, houve uma época em que pessoas muitas vezes não alfabetizadas verbalizavam histórias de forma tão marcante que parecíamos visualizar o cenário dos causos em nossas mentes, como quem assiste a um filme de suspense sutil e de autêntica origem cabocla. E você, conhece algum causo deste tipo? Conta aí, vai!


* O Eldoradense

12 de jun. de 2013

Texto especial para o Dia dos namorados: "O amor é sempre amor"


"O amor é sempre amor"

  Capítulo l

   Doze de junho. Ele pegou o seu celular de última geração e ligou para ela, dizendo que hoje era dia dos namorados e que iriam comemorar a data de uma forma especial. Ela, toda excitada, pegou o carro que ganhou dele há 20 dias e dirigiu-se à "Daslu", onde comprou uma lingerie sensualíssima, um vestido ousado e um par de sandálias com saltos bem altos, que fariam ele chamá-la de “Deusa”. Ainda na "Daslu", pegou seu celular também caríssimo e fez uma ligação para a babá, pedindo para que a mesma ficasse com os meninos à noite, dizendo que pagaria antecipadamente pelas horas-extras. A babá aceitou a proposta.

  Às dezenove horas ele chegou cansado, mas não o bastante para apagar o fogo de sua paixão. Tomou um banho demorado, colocou seu melhor terno e esperou ela ficar pronta. Foram ao restaurante mais badalado da cidade, onde pediram um prato leve, para não comprometerem o restante da noite. Na sequência, beberam um vinho italiano, (ótima safra); antes de irem para um luxuoso motel, onde ele havia reservado uma suíte duplex master gold plus five stars. Dispensaram a troca de presentes, pois a noite especial por si só já bastava. Sobre a cama redonda, ele acionou o controle remoto e o teto da suíte se abriu, fazendo com que o apaixonado casal se amasse naquele momento, contemplando a luz das estrelas...

  Capítulo ll

  Doze de junho. Ele pegou o seu celular pré-pago e ligou para ela, falando rapidamente, tal qual radialista esportivo, para que os créditos não acabassem antes do assunto. Disse que hoje era dia dos namorados, e que comemorariam a data de uma forma especial. Ela, toda excitada, tomou um ônibus e um metrô até à Rua 25 de março, onde comprou uma lingerie sensual, um vestido ousado e um par de sandálias com saltos bem altos, que fariam ele chamá-la de “gostosa”. Ainda no centro da cidade, ela fez uma ligação do seu celular também pré-pago para a mãe, pedindo para que os moleques pudessem dormir na casa da avó. A bondosa senhora aceitou e até agradeceu, sem pedir nada em troca.

  Às 21h40min ele chegou cansado, mas não o bastante para apagar o fogo da sua paixão. Tomou um banho demorado, colocou sua melhor calça jeans e camisa, esperando ela ficar pronta. Jantaram na cozinha da própria casa, uma refeição leve, para não comprometerem o restante da noite. Beberam um vinho doce e gostoso lá do Rio Grande do Sul, sem dar a mínima para essa frescura de safra. Dispensaram a troca de presentes, pois a noite especial por si só já bastava. Dirigiram-se ao “puxadinho” ainda destelhado, que estão construindo no fundo da humilde residência. De forma inevitável, o apaixonado casal se amou sobre o colchão colocado ali propositalmente, contemplando a luz das estrelas...


* O Eldoradense

8 de jan. de 2013

Não sou mais o mesmo! Fui ver o espetáculo da "Galinha Pintadinha"...

Uma das "performances" da Galinha Pintadinha...
   Existem coisas na vida que não têm preço. No último domingo, este blogueiro marmanjo que vos escreve, levou o casal de sobrinhos para assistir o espetáculo da "Galinha Pintadinha". É, eu sei, nem eu estou acreditando que fiz isso! Mas o que tinha tudo para ser um programa de índio, até que foi legal. O espetáculo ocorreu no Super Cine, foi algo bem simples, mas o sorriso alegre das crianças, bem como seus olhares atentos e inocentes, fizeram o programa, realmente, valer a pena.

                 * O Eldoradense

22 de dez. de 2012

É...o mundo não acabou!


  Esses maias são uns fanfarrões! Azucrinaram o mundo todo com essa história de Apocalipse e o máximo que aconteceu aqui em Venceslau foi o vazamento de uma caixa d´água em uma creche recém-construída, ainda assim, na véspera do tal "Dia D". Trinta mil litros do líquido insípido, inodoro e incolor invadiram o quintal de uma casa e ganharam a rua adjacente ao local, porém, nada que lembrasse, nem de longe, o dilúvio. Mas graças ao bom Deus, ninguém se feriu!
  Não darei mais crédito algum aos maias! O máximo que farei a partir de agora, é continuar ouvindo as músicas do Tim Maia, que são muito boas...

                    * O Eldoradense
  

20 de dez. de 2012

Entrevistei um "Maia", que não titubeou: O mundo irá mesmo acabar amanhã!


"Acaba amanhã?"

  Desde quando eu era moleque, essa história de fim do mundo me fascina. Leio pouco a Bíblia, mas toda vez que eu abro suas páginas, as profecias apocalípticas ganham minha atenção. As palavras são chocantes, e eu fico naquela de tentar interpretar qualquer coisa, buscando decifrar aquelas metáforas trágicas. Mas a verdade é que o assunto está sendo abordado com muita ênfase nos últimos dias, tudo por causa de uma profecia maia, que atesta que o armagedom está previsto para amanhã.
  Enquanto muita gente se prepara para o acontecimento estocando comida, água e procurando abrigos, eu confesso que adoto a tática contrária: ainda não fiz as compras alimentícias para o Natal, nem para o reveillon. Não faz sentido comprar frango, Sidra, lentilhas, castanhas e refrigerantes, se de repente, amanhã um meteoro gigante nos visita e acaba com a festa antes dela começar. Não darei esse prazer ao meteoro. Prefiro ser reticente e cauteloso.
   Curioso como sou, telefonei para um legítimo maia para que ele me respondesse e esclarecesse realmente se amanhã será o dia D. A pessoa para quem telefonei não é um descendente da civilização que habitou a região da Guatemala, mas sim, uma pessoa com sobrenome "Maia". O sujeito é boa praça, Palmeirense doente, apreciador de uma boa conversa e de uma cerveja gelada. Quando perguntado sobre o assunto, não pensou duas vezes e me respondeu:
    - Cara, depois que o Corinthians ganhou a Libertadores e esse Mundial Interclubes, pode preparar-se para o pior!
    Realmente, os sinais estão tão evidentes que não convém duvidar dos único "Maia" que eu conheço. Se nada acontecer amanhã, no dia 22, vou ao supermercado fazer minhas compras de fim de ano. Mas não sei não...a coisa tá mesmo esquisita!

                                   * O Eldoradense
   
   

26 de out. de 2012

Skol e Antarctica sub zero finalmente mudaram a tônica das campanhas publicitárias de cervejas!



  Outro dia, estive conversando com uma pessoa sobre a qualidade de muitas músicas românticas que embalaram os anos 80. Na conversa, foram citadas as propagandas das cervejas "Skol" e "Antarctica sub zero", que colocaram em suas campanhas publicitárias, as músicas "Linda demais", do Roupa Nova, e "Menina veneno", do Ritchie.
 Os comerciais de ambas as cervejas ficaram ótimos, unindo a boa música ao bom humor. Muito diferente do que se vê habitualmente, onde as campanhas publicitárias das cervejas exibem repetitivamente mulheres seminuas, como se fossem objetos para atrair a demanda do público majoritariamente masculino, em relação ao consumo de bebidas. Parabéns aos publicitários responsáveis pela elaboração das propagandas, que inovaram e ao mesmo tempo, chamaram atenção pela criatividade. Esta é a prova concreta de que o apelo sexual não é a única forma de se obter sucesso, ganhar a simpatia do público e alcançar espaço no mercado.

                            * O Eldoradense

13 de jul. de 2012

Hoje é o dia mundial do Rock!


  Hoje, comemora-se o dia mundial do Rock'n Roll. Gênero musical que iniciou-se na década de 50, com Bill Haley, com músicas que mesclavam a agitação, o ritmo acelerado e o som da música negra, oriunda do sul dos Estados Unidos. Porém, foi Elvis Presley quem difundiu pelo mundo o estilo musical, que posteriormente, ganhou outras várias facetas. Seja heave metal, punk rock ou romântico, a verdade é que o bom e velho rock'n roll possui vários adeptos espalhados pelo mundo.
  Internacionalmente falando, eu sou fã incondicional dos Beatles, mas gosto muito também dos Ramones e dos Guns N' Roses. Porém, entretanto, todavia e contudo, minha paixão mesmo é pelo rock nacional, destacando como banda preferida, os versáteis músicos do Skank. Mas não dá para deixar de mencionar outras grandes bandas brasileiras, como Ira, Engenheiros do Hawaii, Paralamas do Sucesso, RPM, Legião Urbana, Capital Inicial, Nenhum de Nós e tantos outros roqueiros tupiniquins talentosos.
   Méritos também para os pioneiros do rock  em nosso país, através do inesquecível movimento denominado Jovem Guarda: Roberto Carlos, Erasmo, Jerry Adriani, Wanderléa, Os Incríveis, Gonden Boys, entre outros. 
    E o que falar de Raul Seixas? Este então, não era apenas "grande". Raul era simplesmente "mestre", "gênio" ou qualquer outro adjetivo que externasse sua singularidade. E é por ter listado tantos nomes, com tantos estilos diferentes, que considero o rock brasileiro o melhor do mundo.  * Para visualizar a imagem em tamanho original, clique sobre a mesma.


                                   * O Eldoradense



19 de abr. de 2012

"O bom e velho gibi como instrumento de estímulo à leitura"



"Gibis"

   Sempre vejo as pessoas dizerem que é preciso fomentar o hábito pela leitura entre os jovens, e essa é uma verdade, logicamente. O problema é que essa não é uma tarefa tão fácil quanto antigamente, já que a juventude atual possui uma gama enorme de atividades de entretenimento, como assistir televisão, jogar games, navegar na internet e acesso a tantos cacarecos eletrônicos interessantes, viciantes e sedutores. É preciso criatividade para estimular essa molecada a ler.
   E uma das alternativas que eu acredito ainda ser eficiente para que se alcance tal objetivo, é a disseminação do uso do bom e velho gibi. Isso mesmo, aquela revistinha em quadrinhos cheia de gravuras e diálogos curtos em balões, que tanto sofre com o preconceito literário, exatamente pela baixa complexidade de sua linguagem . Eu sempre fui contrário à resistência que alguns profissionais conservadores de educação possuem com relação às revistinhas em quadrinhos, sendo que os mesmos alegam que os gibis podem estimular a leitura errada e preguiçosa. Na boa, quando eu era moleque li um monte de aventuras do Chico Bento e do Cebolinha e nem por isso saí falando com sotaque caipira exagerado ou trocando o “r” pelo “l”. Tanto é, que o Maurício de Souza é um ícone do segmento, tendo feito parte da infância de muitos trintões e balzaquianas razoavelmente articulados dos dias atuais.
   As cartilhas de iniciação literária possuem um importante papel no aprendizado, porém, no subconsciente infantil, as mesmas estão ligadas exclusivamente à escola e às tarefas de casa. Já os gibis possuem uma característica mais voltada ao lazer, fazendo com que as crianças aprendam brincando; (ou brinquem aprendendo, dependendo do ponto de vista). Além disso, as revistas em quadrinhos estimulam o gosto pelas artes, já que muitos dos seus jovens leitores começam a desenhar e a pintar, motivados pelas gravuras coloridas em seus conteúdos, usando geralmente o método da sobreposição. Com o passar dos anos, logicamente, deve ser feito o trabalho de estímulo à leitura de romances, jornais e livros, de forma gradual. Mas tenham certeza: para quem cresceu encarando a leitura como uma forma de distração e lazer, esse processo acontece de forma quase natural, pois tal atividade, para esses jovens, dificilmente será vista como um fardo ou tarefa entediante.
   Acredito que as Secretarias de Educação e Cultura de todo o país, deveriam, além de disseminar o número de bibliotecas, também dar maior ênfase a proliferação de “gibitecas”, exatamente com o intuito de tornar de fato, as revistas em quadrinhos um precioso complemento na missão de estimular a leitura entre nossas crianças.

  Obs. Essa pode ser uma opinião tendenciosa de quem leu gibis durante toda a infância, adolescência e até início da vida adulta, mas que atribui o gosto pela leitura e pela escrita, em boa parte, ao acesso às revistas em quadrinhos. 

                                          * O Eldoradense

Crônica: "Tetos de vidro"

         Imagine, caro leitor, dois hotéis vizinhos. O primeiro é cinco estrelas, o maior de todos. O hotel ao lado, por sua vez, tem três e...