22 de jul. de 2026

Crônica: "Tetos de vidro"

    



  Imagine, caro leitor, dois hotéis vizinhos. O primeiro é cinco estrelas, o maior de todos. O hotel ao lado, por sua vez, tem três estrelas. O maior de todos conseguiu a quinta estrela há vinte e quatro anos, está meio parado no tempo, enquanto o vizinho conseguiu sua última estrela há quatro anos, e por pouco não adquiriu mais uma para a constelação neste ano.

  Do alto do grande hotel cinco estrelas, os hóspedes percebem que o teto do vizinho é feito de vidro. Dizem eles que o hotel foi feito de forma irregular e que, se não fossem as ajudas externas, o mesmo não teria passado nem do alicerce. Alegam eles que estrelas legítimas precisam ser alcançadas sem qualquer mácula. Acho que o bom entendedor já compreendeu a analogia...

  1978: A primeira estrela dos vizinhos foi mesmo conquistada na mão grande, na trapaça. Roubaram o hotel verde-amarelo, que se intitula campeão moral naquela disputa. Concordo em partes. Uma das vagas na final daquele ano era mesmo para ser do Brasil, mas havia a Holanda pela frente. A mesma Holanda que havia nos eliminado em 1974 com algumas reformulações. Logo, apaga-se a primeira estrela dos vizinhos; porém, não dá para cravar que aquela estrela seria nossa.

   1986: Em uma das partidas dos vizinhos diante dos ingleses na conquista da segunda estrela deles, Maradona fez um gol de mão, que não foi anulado pelo juiz. Não vejo isso como determinante ao título, mas, como prevalece a máxima de que estrelas legítimas precisam ser conquistadas sem trapaças ou quaisquer tipos de máculas, anulemos também esta conquista argentina.

  2022: Na terceira conquista portenha, os hermanos teriam sido supostamente beneficiados com cinco penalidades assinaladas a seu favor durante a competição. Mantendo o padrão de isenção de qualquer benefício de arbitragem a favor, apaguemos também a última conquista hermana, e, logo, eles ficariam sem conquista alguma.

Mas aí, lá no último andar, a gente olha para o próprio teto. Uma imagem holográfica vai mostrando cada uma das nossas cinco estrelas conquistadas...

  1958: Primeiro título brasileiro sem contestação alguma. Esta estrela, dentro dos padrões rígidos da ética e da moralidade, é nossa. Incontestável!

  1962: Na terceira partida da fase de grupos, diante da Espanha, o Brasil perdia por um a zero. Em um ataque espanhol, Nílton Santos derrubou o atacante adversário dentro da área. Era para ser pênalti. Se seria gol ou não, é outra história, mas a Espanha tinha tudo para abrir dois gols de vantagem e o jogo poderia ter outro desfecho. Mas o defensor brasileiro deu um passo à frente e ludibriou o árbitro, que marcou apenas falta. No final, o Brasil virou o jogo com dois gols de Amarildo, que substituiu Pelé, que havia se contundido em partida anterior. A partida era decisiva para a classificação para a próxima fase, e foi assim que o Brasil seguiu adiante.

  Na semifinal contra o Chile, Garrincha revidou as pancadas adversárias e foi expulso. Seria julgado depois disso e provavelmente não jogaria a final diante da Tchecoslováquia. Mas o bandeirinha que alertou o juiz sobre o revide não compareceu ao tribunal desportivo, absolvendo automaticamente o atacante brasileiro, que jogou a final. Anos mais tarde, um árbitro brasileiro disse que recebeu dez mil dólares dos nossos cartolas para fazer com que o uruguaio não aparecesse no julgamento. Houve também pressão do Ministro Tancredo Neves no tribunal da FIFA para que Garrincha fosse absolvido. Eis, então, duas máculas em nossa conquista, apagando nossa segunda estrela.

  1970: A melhor seleção de todos os tempos contou com uma ajuda nos bastidores na semifinal diante dos uruguaios. A partida seria na Cidade do México, na altitude, onde a "Celeste Olímpica" já estava acostumada a jogar. Numa manobra orquestrada por João Havelange, a partida mudou para Guadalajara, a sede brasileira. Os uruguaios tiveram que viajar às pressas para o local da partida, surpreendidos pela mudança. O Brasil saiu perdendo para os uruguaios, virando posteriormente. Pelé revidou violentamente as agressões adversárias com uma cotovelada em Fuentes, digna de cartão vermelho, mas o árbitro fez vistas grossas. Ainda bem, pois correríamos o risco de o nosso camisa dez não jogar a final contra a Itália, na qual vencemos. E foi assim que surgiu o primeiro tricampeão da história dos mundiais.

  1994: Esta conquista tinha tudo para ser irretocável. Mas estamos falando de ausência de máculas e padrões morais absolutos; então, não dá para esquecer o jogo semifinal contra a Holanda. O Brasil abriu dois a zero no placar, permitindo o empate adversário. No momento mais crucial da partida, Branco cavou uma falta, dando antes um tapa na cara do atacante Overmars. Na sequência, a "bomba santa" de Branco culminou no gol de desempate do Brasil. Ou seja: a mão de Maradona que fez o gol é trapaça, enquanto a bomba soltada após uma reversão de falta é santa. Contraditório. Mas, enfim, foi assim que nos tornamos, até então, a única seleção tetracampeã mundial de futebol.

  2002: Na primeira partida, os turcos tiveram muito do que reclamar com a arbitragem. Abriram o placar, mas o Brasil empatou. No segundo gol brasileiro, Luizão foi derrubado fora da área, e o juiz marcou pênalti, além de ter expulsado um jogador turco. Nos acréscimos, Hakan Ünsal chutou uma bola na direção de Rivaldo, que simulou ter sido atingido no rosto. Nova expulsão. O Brasil venceu por dois a um.

   Contudo, é na partida das oitavas de final que está o grande favorecimento ao Brasil nesta Copa. Ainda quando o jogo estava empatado em zero a zero, a Bélgica fez um gol legítimo, mal anulado pelo árbitro. Com a Bélgica saindo à frente do placar, o desfecho daquela partida dificílima poderia ter sido outro. Mas o Brasil venceu por dois a zero e seguiu adiante, rumo ao pentacampeonato.

  O holograma revelador se apaga diante do nosso teto, que também é de vidro. As pessoas que estão no último andar do hotel cinco estrelas percebem que, se as três estrelas adversárias têm suas irregularidades, quatro das nossas cinco também têm. Seguindo os padrões rígidos de ética e moral imaculados, o Brasil teria um título, e a Argentina, nenhum. Melhor deixar do jeito que está! Cada qual com seu telhado de vidro. Brasil, o maior de todos!

* O Eldoradense           

  

21 de jul. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Espanha bicampeã"

   

   Findou-se mais uma Copa do Mundo. As expectativas de um jogo disputado, com chances de título para ambas as equipes, na prática, não se confirmaram. A verdade é que só a Espanha jogou de forma efetiva, monopolizando o controle da bola e encurralando os argentinos no seu campo de defesa, consagrando o goleiro Dibu, que evitou uma goleada da Fúria sobre os albicelestes.

    E esta percepção deu-se desde o primeiro minuto. Não havia posse de bola portenha, não havia sequer transição para o contra-ataque dos argentinos. O "tiki-taka" 2.0 sufocou os sul-americanos da mesma forma com que havia feito com os franceses na semifinal. E o que  mais me impressionou na seleção espanhola foi o equilíbrio tático. A qualidade técnica e a movimentação dos espanhóis foram tão determinantes para o domínio da partida quanto a recomposição defensiva. Nos raros momentos em que os argentinos conseguiam trocar passes, a Espanha recuperava a posse de bola de forma rápida e segura. Não havia distâncias ou espaços que fizessem os argentinos pensar, sequer havia tempo de cogitar passar a bola para Messi.

  Da mesma forma que minaram Mbappé, anularam o camisa dez albiceleste, que teve atuação apagada, diferente dos jogos anteriores da Argentina. Para piorar, a alternância rápida da posse de bola entre os jogadores espanhóis confundia a marcação adversária, que, vez ou outra, chegava atrasada e de maneira faltosa na tentativa de interceptação defensiva. Assim como o gol espanhol, a expulsão de algum jogador argentino parecia ser questão de tempo.

  E a expulsão previsível aconteceu no final da etapa regulamentar. O gol espanhol, não. Prorrogação. Estava visível que os argentinos apostavam suas fichas em algum improvável ou milagroso contra-ataque, ou quiçá numa possível disputa de pênaltis, pois Dibu, o goleiro argentino, estava numa tarde inspiradíssima, disposto a adiar o bicampeonato espanhol. Se já estava difícil segurar o ímpeto da Fúria com onze em campo, com dez parecia impossível.

  No início da primeira etapa da prorrogação, a Espanha abriu o placar, mas o tento foi anulado numa suposta falta de ataque. Sinceramente, eu não vi a infração, mas comentaristas de arbitragem disseram que o gol foi bem anulado. Intervalo. A cambaleante Argentina estava a quinze minutos de tentar levar a decisão para os pênaltis. Faltava combinar com Ferran Torres, que já no início do segundo tempo da prorrogação transformou o domínio gigantesco em vantagem magra no placar. Vantagem esta que seria ampliada seis minutos depois pelo mesmo Ferran Torres, mas o atacante estava milimetricamente impedido, segundo as fontes tecnológicas do VAR. Coisa de um cotovelo à frente.

  Um a zero. Foi o suficiente para a Espanha, ainda que o placar não tenha sido condizente com o massacre de posse de bola em campo. Era para ter sido uma goleada, mas o futebol tem seus caprichos. A Fúria tem um futuro promissor a curto prazo, enquanto a Argentina, provavelmente sem Messi para a próxima Copa, terá que iniciar um ciclo árduo de reformulação. Espanha bicampeã, de forma merecida e inquestionável.


* O Eldoradense

17 de jul. de 2026

Crônica: "O circo de uns é o pão de outros"

     

       

 


  Quem conhece Paraty sabe o quanto aquelas ruas históricas, feitas de pedras, pulsam arte e literatura. Não é à toa que, neste mês de julho, tradicionalmente acontece a FLIP — Festa Literária Internacional de Paraty. Mesmo em épocas distintas ao evento, escritores ainda sem renome procuram abordar turistas com o intuito de serem lidos e venderem dignamente seus escritos. Muitas vezes, são impressos simples, confeccionados com o intuito de propagar o entretenimento e a cultura, alimentando não apenas os sonhos e o ego dos seus autores, mas também alimentando-os no sentido mais literal da palavra. Os livros, vendidos a preços modestos, complementam a renda e ajudam no sustento de famílias, tal qual tantos outros serviços prestados.

    Habitamos um país em que muitos são privados de necessidades básicas. Comer, beber água potável, ter acesso ao saneamento e aos serviços de saúde não são privilégios de todos, infelizmente. É neste cenário, onde muitos não possuem o mínimo, que a cultura e a arte talvez soem como algo supérfluo, luxo, secundário ou 'frescura'.

   Mas a verdade é que uma nação que almeja prosperidade não pode relegar ao segundo plano seus artistas, independentemente de qual arte produzam. É preciso tratar com respeito desde o simples artista de rua ao mais renomado ícone da música. Enquanto alguns complementam a renda com suas singelas performances, outros geram empregos, pois grandes produções artísticas demandam inúmeros profissionais nas mais variadas áreas.

   Quem consome arte é beneficiado pelo entretenimento, que tanto necessitamos para uma boa qualidade de vida, mas que talvez não valorizamos como deveríamos. É o livro a ser lido, a música a ser ouvida, a série ou a novela que assistimos, ou até mesmo aquele quadro que embeleza a sala. O que, para o consumidor, significa entretenimento, beleza e alento, para quem produz arte significa oportunidades e o pão de cada dia.

   Fiquemos atentos ao momento atual, pois, no afã de defender ferrenhamente o que consideramos prioridades, muitos estão discriminando os artistas e propagando, inclusive, informações falsas a respeito das leis que incentivam a cultura e a arte. Façamos esta reflexão, pois o que é circo para alguns significa o pão de tantos outros. Se o pão é necessário para a sobrevivência, o circo é necessário para a vida, ainda que muitos discordem ou não tenham percebido. 


* O Eldoradense 

15 de jul. de 2026

Conto: "Aconteceu em Pontes Vergara"

 

  



  Pontes Vergara é uma destas cidades pequeninas, distante das capitais, simpática e charmosa como boa parte das cidades do interior do Brasil. Leva este nome em homenagem ao seu fundador, um antigo integrante da comitiva do famoso bandeirante Raposo Tavares. Reza a lenda que Pontes Vergara, ao passar por aquela região do oeste paulista, não quis prosseguir com a comitiva. Disse que ali fincaria suas raízes, pois, em sonho, na noite anterior, ouvira do anjo Gabriel que assim o fizesse, com o intuito de formar um povoado. Raposo Tavares ficou uma fera, pensou em punir o desertor com severidade máxima, mas repensou a decisão e seguiu em sua marcha para o ocidente brasileiro.

  Mais de um século depois, a cidade continuaria sua rotina pacata, a não ser por um fenômeno inusitado: o roubo de imagens no cemitério — uma tremenda falta de respeito aos que se foram e aos que ainda ficam. Roubaram um arcanjo de bronze, um querubim esculpido em mármore Carrara e um São Bento de granito. Foi um escândalo!

  A polícia local não conseguiu solucionar o crime, mas aconselhou o prefeito a instalar um circuito de câmeras de vigilância na necrópole, com o intuito de coibir futuros furtos. A prefeitura espalhou a notícia pela cidade e colocou várias placas ao redor do campo santo: "Sorria, você está sendo filmado". Logicamente, isso foi motivo de piada, pois, se existe um lugar que não foi feito para sorrir, este lugar é o cemitério.

  Dois funcionários da prefeitura faziam a vigilância noturna remota do lugar, em frente a quatro monitores. Trabalhavam em noites alternadas, cuidando do normal. O problema deu-se na primeira semana de funcionamento das câmeras, quando o prefeito resolveu, por conta própria, fazer um teste de eficiência dos seus vigilantes.

  Perto da meia-noite, dirigiu-se ao cemitério. Pulou o muro sem ser visto, arrancou um lençol da mochila e resolveu perambular pelo campo santo, fazendo questão de aparecer em frente à câmera um, considerada a principal do circuito.

  Foi o suficiente para Alcebíades, o vigilante de plantão, tomar um baita susto enquanto fumava seu cigarro e bebia café. Cardíaco, não aguentou o baque. Foi encontrado pela manhã, morto e com um semblante visível de perplexidade no rosto. O prefeito guardou o segredo para si, mas deduziu que tinha um circuito interno de vigilância eficaz e funcionários atentos. Alcebíades foi substituído, é claro, pois agora se tornara um número perdido, uma baixa no corpo funcional, passando a residir funestamente no local onde fora incumbido de vigiar.

  O prefeito, por sua vez, foi retirado do cargo por motivos psiquiátricos. Está em tratamento contínuo no CAPS e, toda noite, acorda atordoado com Alcebíades puxando seus lençóis e dizendo que "descobriu" quem era o fantasma que rondava o cemitério na noite de sua própria morte...

    

* O Eldoradense







13 de jul. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Restam quatro"

    



  A Copa do Mundo chegou ao seu último afunilamento antes da grande final. Restam quatro seleções e, tal qual em 1990, todas as semifinalistas pertencem ao seleto grupo dos campeões mundiais.

  A primeira vaga foi conquistada pela bicampeã França. Diante de uma seleção marroquina passiva em campo, os “Les bleus” venceram pelo placar convincente de 2 a 0, sem muitos sustos e com Mbappé, mais uma vez, sendo decisivo. A meu ver, é a seleção que vem jogando o futebol mais vistoso da competição, sempre se impondo e demonstrando muita confiança em suas exibições.

  A segunda seleção classificada é a Fúria Espanhola, campeã apenas uma vez, em 2010, na África do Sul. Fez um jogo pragmático, ao seu estilo, e venceu a Bélgica por 2 a 1, em uma disputa na qual qualquer uma das seleções poderia ter saído vencedora. Invictos há 36 partidas e campeões da última Eurocopa, disputada em 2024, os espanhóis eram os mais cotados para erguer o troféu do Mundial de 2026. Levam vantagem estatística em disputas diante dos franceses, seus futuros adversários, e tudo leva a crer que a primeira das semifinais será um jogo daqueles. Estatísticas recentes à parte, e levando em consideração apenas o que foi feito dentro do Mundial, repito: considero os franceses favoritos.

  A terceira vaga é do “English Team”. Inventores do esporte no qual foram campeões mundiais uma única vez, os ingleses procuram vencer um jejum de títulos em Copas do Mundo que já perdura por longos 60 anos. Venceram os surpreendentes noruegueses em um jogo extenuante, que foi para a prorrogação. Contaram com a falha do goleiro adversário, estão jogando um futebol competitivo e têm no artilheiro Harry Kane sua principal referência e liderança. Enfrentarão os argentinos na semifinal, reeditando um duelo recheado de rivalidade dentro e fora dos gramados.

  A quarta e última vaga foi conseguida pelos argentinos, que vêm avançando a cada etapa com muito drama, suor e intensidade, como um legítimo tango de Gardel. Venceram os suíços por 3 a 1, após o jogo também ir para a prorrogação. A expulsão do atacante adversário Embolo gerou muitos questionamentos, mas a verdade é que Los hermanos estão em mais uma semifinal, sendo o único representante sul-americano restante no torneio. Última campeã mundial e seleção mais vezes vencedora da competição entre as semifinalistas, a Argentina conta, mais uma vez, com a genialidade de Messi e enfrentará os ingleses em um jogo que promete muitas emoções e entrega.

  Restam quatro e, ainda que todos os semifinalistas reúnam condições de título, creio que a França está mais credenciada ao triunfo máximo deste Mundial pela qualidade do futebol apresentado. Em um patamar secundário está a Argentina. Correm por fora, a meu ver, espanhóis e ingleses, com ligeira vantagem de possibilidade de título da Fúria diante do English Team. No próximo domingo, apenas um deles poderá soltar o grito de campeão. Resta saber em qual idioma isso será feito!


* O Eldoradense

       

9 de jul. de 2026

Crônica: "Bets"

 

 


 Bons tempos em que se jogava "bets" nas ruas. Bastavam quatro jogadores, duas latas de óleo e dois tacos improvisados - que muitas vezes eram cabos de vassouras - e estava configurada uma diversão sadia que marcou época nas ruas suburbanas de terra ou asfalto, fazendo a alegria de muitas crianças e adolescentes de outrora. O jogo em questão tem este nome por uma derivação da palavra inglesa "bat", que na sua tradução para a  língua portuguesa, quer dizer "taco" ou "bastão". 

   Hoje, quando se fala em "bets", creio que só os "quarenta mais" irão se lembrar da brincadeira romântica dos bastões e latas. O termo, é bem verdade, ainda está ligado ao jogo, porém, a uma diversão bem menos sadia e que envolve uma quantidade bem maior de pessoas, que, conectadas ao mundo digital, fazem suas apostas atreladas aos mais variados esportes. Verdadeiros cassinos online que adentram os cômodos do mais humilde casebre às mais requintadas mansões. 

     A psiquiatria revela que o efeito viciante dos jogos de azar no cérebro do apostador pode ser similar ao das drogas, causando uma dependência também patológica, com potencial de arruinar a vida não só do indivíduo, como da família. Há inúmeros relatos de pessoas que estão deixando suas vidas de lado, mergulhadas na ilusão do suposto "dinheiro fácil" que as bets podem proporcionar.

      E elas estão aí: Patrocinando emissoras, atletas, clubes, eventos esportivos. Há também vários casos de resultados de partidas forjados e atletas envolvidos em esquemas de apostas, comprometendo um ambiente que deveria estar atrelado à saúde e ao bom entretenimento. 

        E é claro que elas vieram para ficar, pois além de ser um fenômeno de difícil controle, exercê-lo certamente iria contrariar interesses financeiros poderosíssimos. Mas talvez um primeiro passo seria proibir os patrocínios e propagandas destas empresas a quaisquer ligações com o esporte, assim como fizeram com as empresas fabricantes de cigarros em um passado não muito distante. Afinal, o objetivo do esporte é promover saúde, bem estar, entretenimento saudável e qualidade de vida. E as tais bets contemporâneas não proporcionam nada disso, ao contrário da inocente e lúdica brincadeira que envolvia tacos, latas de óleo e quatro entusiasmados participantes...


* O Eldoradense

7 de jul. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Ligação suspeita"

 



     E mais um coanfitrião da Copa foi eliminado nas fase oitavas de final da competição: Após o Canadá sucumbir diante do Marrocos e o México diante da Inglaterra, foi a vez dos Estados Unidos serem eliminados pela Bélgica, em incontestável placar de 4x1. 

   Porém, se o placar foi incontestável, os bastidores que antecederam ao jogo entre belgas e estadunidenses tiveram seu teor obscuro: A anulação da suspensão automática do atacante Balogun pelo Comitê disciplinar Fifa, após expulsão em partida anterior contra a Bósnia não foi bem vista mundo afora. 

      Na ocasião, Balogun deu uma entrada violenta no adversário, sendo expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus com direito à revisão do lance através do VAR e suspensão automática para a partida das oitavas. O Comitê disciplinar alterou a decisão, o que está previsto no artigo 27 do Código disciplinar da entidade. Até aí, tudo certo, se não fosse um detalhe: O presidente Donald Trump afirmou ter telefonado para Gianni Infantino, presidente da FIFA, pedindo revisão da suspensão de Balogun. Infantino, por sua vez, admitiu o telefonema, mas negou interferência, alegando independência do Comitê disciplinar. 

     Bastou isso para que os belgas entrassem com recurso e que jogadores, imprensa e torcedores mundo afora se revoltassem com os fatos ocorridos nos bastidores. E não era para ser diferente. O recurso dos belgas foi negado e Balogun entrou em campo. Não adiantou nada, é bem verdade, pois o "sapeca iá iá" belga foi implacável, eliminando os norte-americanos. Trump teve que engolir a derrota futebolística da mesma forma que teve que digerir a derrota para a Venezuela no mundial de beisebol, também em solo estadunidense. 

     Para quem não sabe, há um precedente histórico semelhante, ocorrido na longínqua Copa de 1962, no Chile: Durante a partida semifinal entre brasileiros e chilenos, Garrincha foi expulso após revidar agressões e violência dos adversários. Na época, a expulsão ocorria de forma verbal. A suspensão foi revogada através do mesmo artigo 27 do Código disciplinar da FIFA. O problema é que o Primeiro Ministro brasileiro Tancredo Neves enviou um telegrama para a entidade máxima do futebol pressionando a revogação da suspensão do "Anjo das pernas tortas". Garrincha jogou a final contra a Tchecoslováquia e o Brasil sagrou-se bicampeão mundial de futebol.

   É claro que um erro não justifica outro ocorrido há 64 anos. O fato ocorrido no Chile, de certa forma, ao meu ver, é uma mácula na conquista brasileira. Nos Estados Unidos, os belgas conseguiram fazer justiça com os próprios pés, ao contrário dos Tchecos, em 62. Porém, no quesito qualidade técnica, Balogun é Balogun e Garrincha era Garrincha...

     

         * O Eldoradense

     



A conversa chegou na Copa: "Ressaca"

 

 


  Acabou! Era para eu ter escrito este texto ontem, mas estava de ressaca, como a maioria dos torcedores brasileiros. E não foi exatamente pela derrota em si, mas pela forma como a seleção brasileira foi derrotada. Time apático, deixando a Noruega jogar como bem entendesse, ditando o ritmo do jogo, como se os nórdicos fossem um adversário imponente, o que não são, nem de longe. Dava para ganhar, não era este o jogo com potencial eliminatório para o Brasil. 

    É claro que eu nunca tive esperanças de título, sempre deixei bem claro isso, ainda que eu torcesse por alguma espécie de milagre futebolístico. Mas a razão e a obviedade, através de resultados anteriores, dizia: Estávamos diante da pior seleção brasileira de todos os tempos, infelizmente.

    Quinta colocada nas fraquíssimas e facílimas eliminatórias sul- americanas, não era de esperar muita coisa da seleção brasileira. Fato. Deixar claro que este grupo não tinha condições de título, não era torcer contra. Era realismo, um choque de realidade que o fanatismo alheio não consegue entender. Paciência. 

      Porém, o que intriga é perder para uma seleção que também não é lá grande coisa. Em um post do Facebook, eu havia dito que mais uma vez o Brasil havia perdido para uma seleção intermediária da Europa. Equivoquei-me! Superestimei a Noruega, que nem participou da última Euro 2024, pois eles não conseguiram classificação na fase eliminatória que antecede a competição, ficando atrás de França, e - pasmem - Escócia!

     Sim, aquela mesma Escócia que a pior seleção brasileira de todos os tempos venceu com facilidade por 3x0 na primeira fase desta Copa do Mundo. 

        Culpa de uma CBF desorganizada - pra não dizer outra coisa - Culpa de jogadores tecnicamente limitados e apáticos, e culpa de um técnico que recebe um altíssimo salário para entregar um trabalho de nível medíocre. Uma contratação com péssimo custo-benefício!

       Finalizo dizendo que certa vez, entrei de gaiato numa casa de massas chique em Ubatuba. O cardápio tinha preços salgados, mas eu achei chato sair do lugar e pedi um macarrão à bolonhesa caríssimo. Pelo preço, eu achei que ao menos aquele macarrão poderia ter um sabor diferenciado, algo marcante para justificar o investimento gastronômico. Era igual ou inferior a qualquer macarrão servido em restaurantes simples que servem marmitas. Sim, o macarrão de grife com sabor comum é o Ancelloti: Bom, porém mais lembrado pelo valor astronômico do que pela experiência gastronômica...


                                                * O Eldoradense

5 de jul. de 2026

Letra de música para a Copa: "Canarinho, fuja da gaiola!"

 



"Canarinho, fuja da gaiola!"


 Canarinho, fuja da gaiola!

Voando sem cansaço;

E no planeta bola...

Reconquiste seu espaço!


Canarinho penta,

Busque o troféu;

Vai lá, arrebenta...

Alcança teu céu!


Nos gramados nortistas,

Deixe a massa perplexa;

Reviva conquistas,

Traga o Hexa!


Com penas amarelas,

Mas sem pena de ninguém;

Sem choro, nem velas...

Mostre quem é quem!


Drible, gingue, dê carrinho,

Cante com raça!

Vai lá, canarinho!

Levanta mais uma taça!


E na constelação do cruzeiro,

Eu já posso vê-la!

Em meu peito brasileiro...

Nascerá a sexta estrela!


              * O Eldoradense                       

A conversa chegou na Copa: "Depois da tempestade, virá a bonança?"

  



  Em junho de 2020, escrevi um conto dividido em três capítulos narrando um embate  entre Thor e Tupã reivindicando a divindade sobre as tempestades e trovões. O plano foi arquitetado por Loki, o Deus da trapaça, que sabendo que havia um Deus do Trovão no hemisfério sul, mais precisamente em Pindorama, instigou o irmão Thor a confrontar o rival das terras austrais. 

  No terceiro e último capítulo, Deus, o nosso Criador, interveio na batalha, colocando as duas divindades pagãs em seus devidos lugares e finalizando a incidência das batalhas que se sucediam sempre no Triângulo das Bermudas, justificando, através da ficção, a instabilidade energética daquela região, onde aconteciam vários naufrágios e desaparecimentos de aeronaves até no século passado.

     O conto era uma metáfora à difusão quase que global do Cristianismo ante a religiões e culturas locais, neste caso, em específico, no Brasil e nos países nórdicos.

     Hoje, em Nova Yorque, jogam pela Copa do Mundo Brasil x Noruega. É uma versão futebolística do embate que imaginei há seis anos. Coincidência ou não, há previsões de severas tempestades durante o jogo, e a FIFA já tem alertado a todos sobre esta possibilidade. 

    Tenho quase que certeza que Haaland é a reencarnação mortal de Thor. Para o nosso lado, resta torcer para que os brasileiros invoquem o espírito guerreiro de Tupã. No fim do conto escrito em 2020, o Deus do Cristianismo saía-se vencedor ante às divindades pagãs, apaziguando a tempestade. Somos mais Cristãos que os noruegueses, e espero que depois da tempestade, venha a bonança...


* O Eldoradense



30 de jun. de 2026

"A conversa chegou na Copa" : "Festa na Ponte da Amizade"!

 



      Ah, que segunda-feira de Copa do Mundo maravilhosa foi esta, hein, amigo leitor!? Escrevo este texto com a garganta rouca e o coração louco por conta de tantas emoções positivas proporcionadas pelos acontecimentos futebolísticos recentes ocorridos em solo norte-americano! 

    Comecemos pelo sofrido Brasil x Japão: Tá, eu imaginava que fosse difícil, mas daí a supor que fosse uma virada  sacramentada nos últimos minutos de jogo, não! Jogo pegado, digno de nervosismo e um final épico, justificado muito mais pela transpiração do que pela inspiração. Sim, o triunfo foi ocasionado pela superação, pelo coração pulsando na ponta das chuteiras, pela adrenalina, pela garra. 

     Eu, que não curto falar palavrões, emiti tantas palavras de baixo calão que deixaria embasbacados Dercy Gonçalves e Ari Toledo bêbados, numa conversa de boteco. Borra, baralho, filhos da luta, acaba logo com esta crosta! Perdão, mãe, sei que não foi esta a educação que a senhora me deu, eu bem que queria assistir ao jogo na minha casa, mas é chato recusar convite materno. Peço desculpas, foi mal, mas foi por uma boa causa, creio que compreenda. Estou quase começando a ficar otimista e arranhando um pouco de crença no hexa, sinceramente!

     O segundo ato veio num duelo entre arianos imponentes e guaranis aguerridos: Alemães e paraguaios duelaram em Boston, e eu só não intitulo o jogo como "A batalha de Boston" porque não teria uma sonoridade agradável. Mas os nossos vizinhos abriram o placar, cederam o empate aos germânicos, e a partir daí, o que se viu foi uma blitz ostensiva europeia, com poucas chances de contra-ataques porque era visível o extremo cansaço paraguaio. Veio a prorrogação, a persistência do empate e a heroica classificação guarani diante dos tetracampeões mundiais. Em meus devaneios, imaginei Solano Lopez dançando guarânia na cara de Hitler, que por sua vez, bebia cerveja adulterada com erva mate no lugar da cevada. Foi tão bom quanto ver o Brasil vencer minutos antes, em Houston.

        E em novo devaneio, imaginei uma festa muito bonita reunindo brasileiros e paraguaios sobre a Ponte da Amizade: Cantos eufóricos misturando o português e o espanhol num êxtase bilíngue, com o Rio Paraná lavando a alma de dois vizinhos sofridos, que têm no futebol uma grande paixão em comum...


* O Eldoradense

27 de jun. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Não se faz mais torcedores como antigamente"...

  

     Final de jogo contra a Escócia, vitória brasileira garantindo o primeiro lugar no grupo C na Copa e consequente classificação para a fase seguinte do torneio. A peleja terminou por volta das 21 horas, numa gélida noite de inverno do interior paulista.

  Independente à temperatura, creio eu, era obrigação do torcedor venceslauense invadir a principal avenida da cidade numa comemoração patriótico-futebolística. Afinal, já foram feitas carreatas patrióticas em nossa cidade por motivos bem mais duvidosos. Mas enfim, isso não vem ao caso, o assunto aqui é futebol e não irei perder o foco.
 
    Pego o carro na expectativa de ver um monte de gente agasalhada na avenida, um buzinaço daqueles e a comemoração comendo frouxa pelo triunfo de Ancelotti e seus pupilos. Mas não foi o que aconteceu! Meia dúzia de carros buzinavam timidamente, não tinha quase ninguém nas ruas e a coisa ficou por isso mesmo, não engrenou. Não parecia em nada com o cenário de outras Copas, outros invernos, outras épocas. O torcedor exige garra dos jogadores, mas ele mesmo já não faz aquele sacrifício ritualístico incondicional e comemorativo pós jogos da seleção.
   
     Acreditem: Se é na Argentina, qualquer mísera vitória contra qualquer adversário sem tradição certamente rende comemorações eufóricas na Patagônia ou em Bariloche. Mas o torcedor venceslauense, definitivamente, já foi mais animado.  Foi-se o tempo eu que triunfos futebolísticos eram comemorados em frente a um bar cujo nome tinha tudo a ver com inverno: O tradicional Bar Pinguim!

     E falando em bar, eu me lembro da Copa de 94: Eu, meu irmão e um amigo inventamos que uma bebida composta de licor de menta e Fanta daria sorte para o Brasil no torneio. Comprávamos sempre os ingredientes num bar na esquina da Tenente Osvaldo Barbosa com a Regente Feijó.  Isso passou a ser um ritual para comemorar o resultado do último jogo e dar sorte para o próximo. O paladar da bebida era uma lástima, mas o aspecto cromático verde amarelo no copo era bem patriota. Não tomaríamos vinho em hipótese alguma, afinal, nossa bebida da sorte jamais seria vermelha! Desculpem-me, olha eu novamente perdendo o foco...

   Mas enfim, eu tenho certeza que o Brasil sagrou-se tetracampeão por conta daquela mistureba composta por licor de menta e Fanta. Foi por causa dela que Baggio bateu aquele pênalti ridículo, não tenho dúvidas! 
 
       A depender do ânimo dos torcedores venceslauenses, acho difícil o hexa acontecer. Não se ganha uma Copa sem sacrifício ritualístico comemorativo contundente e coletivo. Não dá pra ficar cobrando empenho do Neymar se depois do jogo ninguém vai às ruas, limitando-se às postagens nas redes sociais, cobertores, pipoca e sofá. Não dá pra ficar em casa com medo de gripezinha. Depois que a seleção for eliminada, não adianta ficar de "Mi mi mi!". Desculpem, olha eu novamente perdendo o foco...

         * O Eldoradense

23 de jun. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Pelé ou Messi?"

 


 

 "Só sei que nada sei" - Sócrates


 Eu não me lembro exatamente o ano, mas durante o início da carreira futebolística de Messi, escrevi um texto dizendo que o argentino poderia alcançar a hegemonia de Pelé no futebol. Lembro-me que os comentários foram, em sua maioria, discordantes.

   Mais de uma década depois, o craque hermano conquistou sua primeira copa, está jogando seu sexto mundial e se tornou o maior artilheiro da história da competição, alcançando 18 gols. E vejam bem: Atualmente eu tenho a sincera humildade em admitir que não tenho um posicionamento firmado sobre quem é o maior jogador de futebol de todos os tempos.

      Penso que há alguns anos, o debate ainda soava como heresia, hoje, não mais. Ex-jogadores brasileiros e torcedores conterrâneos que viram os dois jogarem, em sua maioria, citam a superioridade do homem que eternizou a camisa número 10.

      Li muito sobre Pelé, ouvi muito sobre o Rei, devorei tudo o que fosse possível de material audiovisual a respeito. Mas sei que não é o suficiente, e quem viu Pelé e Messi jogarem certamente tem uma opinião mais respaldada, com maior autoridade em opinar. 

      Mas às vezes me questiono o quanto tem de passionalidade nas opiniões, o quanto o coração pode estar falando mais alto que a razão nas conclusões a respeito de um debate complicado, levando-se em consideração os desencontros de natureza cronológica e geracional entre ambos os craques. 

      Ronaldo, o Fenômeno, tem a autoridade de um exímio futebolista para discorrer sobre o assunto. E ele disse que na sua opinião, Messi foi o maior. Foi criticado por isso. Sua fala soou quase como um sacrilégio, e sinceramente, não vejo como tal. Sim, eu sei, a fala de Ronaldo tem a desvantagem dos que não viram ambos jogarem, mas... Será que a dúvida é tão descabida assim?

    A única certeza que tenho é que ambos foram brilhantes, e só os dois estão no protagonismo da discussão, nenhum outro. Ambos levaram as carreiras à sério, e não foram apenas jogadores, mas também atletas. A discussão está em pauta, e ela é pertinente, deixando de ser algo impensável, como em tempos atrás. 

     Enquanto santista e brasileiro, tinha tudo para sustentar de forma quase intocável, a condição hegemônica de Pelé. E reitero: A única certeza que tenho, atualmente, quanto ao assunto, é a convicção da dúvida... "Só sei que nada sei!"


* O Eldoradense


20 de jun. de 2026

A conversa chegou na Copa: "O campeão voltou!"

   


    E ontem, na terra de Rock Balboa, também conhecida como Filadelfia, a seleção brasileira venceu, por 3x0, os caribenhos do Haiti. Venceu com propriedade, como precisava ser, assumindo a liderança do grupo, que até então, estava nas mãos dos marroquinos, que haviam vencido os escoceses, minutos antes, pela contagem mínima. 

  A seleção brasileira assume o topo do grupo beneficiada pelo critério de desempate, o saldo de gols, e fechará a primeira fase contra a Escócia, que, mesmo perdendo, deu trabalho para a seleção do Marrocos. Portanto, na última rodada, a seleção canarinho tem tudo para encontrar uma certa dificuldade. Dificuldade esta que não aconteceu contra o Haiti. O Brasil "passeou" no primeiro tempo, talvez mais pela fragilidade do adversário do que propriamente pela suas próprias virtudes. Matheus Cunha deu um recado convincente à Ancelotti na busca pela titularidade e Vini Jr. tem feito uma excelente Copa, obrigado. Sinceramente, eu achei que seria sofrido novamente, o que, felizmente, não aconteceu.

      No segundo tempo houve mais alterações na equipe e o futebol dos canarinhos ficou menos vistoso. Há quem se decepcionou por isso, mas ficou nítido que a seleção brazuca tirou o pé, se poupando para o embate final da primeira fase na próxima quarta-feira.

      Se na primeira rodada a apatia e desconfiança tomaram conta da torcida brasileira, é fato que na segunda rodada o otimismo reacendeu entre os mais eufóricos. Tal qual Rock Balboa na escadaria do museu da Filadélfia, a seleção atingiu sua própria superação, mostrando que o campeão voltou, e não foi à lona, como muitos poderiam ter pensado. Porém, é fato que ainda faltam muitas lutas para a conquista máxima. Enfim, se o Brasil vai ser campeão, é outra história, mas que o campeão voltou, voltou!!


* O Eldoradense

17 de jun. de 2026

A conversa chegou na Copa: "França e Argentina dividindo o protagonismo"

  





  Quase finalizando a primeira rodada da fase de grupos na Copa e praticamente todos os campeões mundiais já estrearam, salvo os inventores do esporte bretão, a Inglaterra, que enfrentará a sempre difícil seleção croata. É prematuro analisar antecipadamente, mas o futebol inglês nunca me empolgou: Entram sempre como um dos favoritos e raramente correspondem. Portanto, ainda que vençam, creio que dificilmente os ingleses superem franceses e argentinos no desempenho futebolístico da primeira rodada.

  Levando-se em consideração o seleto grupo de campeões mundiais, eu não deveria desprezar os alemães, que, além de serem tetracampeões, aplicaram outro sonoro 7x1. Mas convenhamos: Não sei se golear Curaçao serve de parâmetro qualitativo e prenúncio de favoritismo.

     E é nas finalistas da última Copa que os holofotes do bom futebol parecem ter seu foco: A França de Mbappé e a Argentina de Messi foram convincentes em campo, com direito ao protagonismo dos seus grandes craques. Azar dos africanos de Senegal e Argélia. 

        É fato que os Les bleus, no primeiro tempo contra o Senegal, não agradaram. Até houve uma expectativa de que talvez os senegaleses pudessem aplicar uma zebra. Mas no segundo tempo, os franceses viraram a chave de voltagem e colocaram a suposta zebra para correr. Abriram um convincente dois a zero, tomaram um gol nos acréscimos e Mbappé ampliou com a propriedade dos craques que chamam para si a responsabilidade. A atual vice-campeã mundial é claramente uma das grandes favoritas ao título. Nova Jersey foi testemunha. 

      Mais tarde, em Kansas, a Argentina precisava dar uma resposta à altura dos franceses. E particularmente, na minha modesta opinião, fez mais que isso: Os portenhos trituraram a seleção da Argélia, aplicando um sonoro e inquestionável 3x0, com direito a hat-trick de Messi, que igualou-se ao alemão Klose na artilharia histórica de todas as Copas, com 16 gols. Ofuscou também Mbappé, que havia feito dois, poucas horas antes.

       Os argentinos mais uma vez lavaram a alma do futebol sul- americano, que até então, não havia vencido neste mundial. Carimbaram o favoritismo com propriedade e belíssima apresentação, dividindo, ao meu ver, o protagonismo junto aos franceses, porém, com uma ligeira vantagem.

        É cedo cravar qualquer prognóstico, pois até o caminho da finalíssima, muita coisa pode acontecer. Mas seguindo os mais prováveis cruzamentos de grupos, argentinos e franceses só duelariam numa final, reeditando Catar 2022, quando fizeram aquela que foi a maior decisão da história das Copas. Ainda é a primeira rodada, e até a final em Nova Jersey, muita água vai rolar por baixo da ponte do Rio Hudson. Porém, tanto os bleus quanto os albicelestes mostraram que não estão para brincadeira!


* O Eldoradense

15 de jun. de 2026

A conversa chegou na Copa: "Um a um contra o Marrocos"

  



   Brasil 1x1 Marrocos. A estreia brasileira na Copa 2026 limitou-se a um empate com a contagem mínima de gols diante de uma seleção africana cujo futebol evoluiu muito nas últimas décadas. Há de se levar em consideração que os marroquinos ficaram na quarta colocação na última Copa, em 2022, no Catar, bem como sagraram-se campeões no último Mundial sub-20, realizado no Chile. Não bastassem os recentes êxitos, o país será uma das sedes da próxima Copa do Mundo, em 2030, ao lado de Portugal e Espanha. 

   Mas a escalada marroquina, ao meu ver, teve seu passo inicial no Mundial de Clubes da Fifa, em 2013, quando o Raja Casablanca eliminou o Atlético Mineiro nas semifinais e sucumbiu diante do tradicional Bayern de Munique na finalíssima, ficando com o vice-campeonato.

     Aos olhos do torcedor mais alienado, empatar com o Marrocos na estreia pode ser decepcionante, levando-se em conta o resultado. Mas, como citado nos parágrafos acima, os marroquinos tinham tudo para ser "páreo duro", como realmente foram. O resultado, em si, até que não foi dos piores,  mesmo porque no último jogo entre ambas as seleções, em Tânger, no Marrocos, os donos da casa venceram por 2x1, em 2023. 

    O problema, logo, não foi o empate, e sim como ele aconteceu: a seleção brasileira mostrou muita limitação técnica, desorganização, desentrosamento, apatia. Ficou longe de empolgar o torcedor, salvo em dois momentos:  O primeiro em que Vini Jr tirou um canarinho da gaiola e igualou o placar, aos 31 minutos da etapa inicial. O segundo foi num voleio de Paquetá, que quase culminou numa virada brazuca. 

    Fora isso, foram inúmeros erros de passes, ligações diretas, pouca criatividade e alguns sustos, como na defesa em dois tempos do goleiro Alisson, nos minutos finais da partida.

      Com isso, a seleção brasileira soma um ponto, ficando na terceira colocação do grupo C na Copa. Certamente se classificará para a fase eliminatória, porque o regulamento permite que os oito melhores terceiros colocados avancem. O problema é depois: Com tamanha limitação técnica e tática, é bem difícil acreditar no hexacampeonato, quiçá numa campanha digna. Para isso, seria necessário retirar um bando de canarinhos da gaiola. E Carlo Ancelotti é um bom técnico, mas está longe de ser mágico. 

    Dito isso, finalizo o texto já adiantando que outros virão durante a competição: Pois se a conversa não chegou na cozinha, ao menos chegou na Copa!

* O Eldoradense   

9 de jun. de 2026

Imagens aéreas do último feriado de Corpus Christi, em Piquerobi

  E na tarde do feriado de Corpus Christi, em Piquerobi, realizei algumas imagens aéreas com o Mini 3 Pro. Festa religiosa bonita e tradicional do município vizinho que costuma receber, nesta data, muitos visitantes. Confira...


* O Eldoradense

3 de jun. de 2026

Comentário: "Brasil 70 - A saga do tri", da Netflix...

 



   No momento em que escrevo este texto, faltam dez dias para a estreia da seleção brasileira diante do Marrocos, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Levando-se em consideração que o maior evento futebolístico do planeta será realizado em três países, e que, em dois deles a seleção nacional sagrou-se campeã (México 70 e EUA 94), o cenário teria tudo para ser de otimismo. Mas não. Qualquer torcedor mais sóbrio percebe que a seleção não está no nível das principais potências futebolísticas, quiçá do adversário da primeira partida, o Marrocos, para qual perdeu um amistoso há três anos pelo placar de 1x2. 

   Não que seja um time ruim. Mas é um time que carece de craques que desequilibram, fator que conta muito a favor para se vencer uma competição dificílima. Para o torcedor que está apático e desconfiado, é necessário uma espécie de energético, um doping de otimismo,  e eu acho que encontrei o tal entorpecente necessário para ao menos, sonhar acordado com o hexa: A série da Netflix "Brasil 70 - A saga do Tri"

      De antemão, qualquer crítico diria que por se tratar de uma ficção que mexe com a memória afetiva do telespectador, a obra nem precisa de tanto esmero para ser um sucesso, pois a mesma já tende a obter êxito por tratar daquela que provavelmente tenha sido a maior conquista do esporte brasileiro em todos os tempos.

    Porém, a série é mais que isso, ainda que não seja perfeita: As interpretações de Rodrigo Santoro (João Saldanha) e Bruno Mazzeo (Zagallo) são impactantes, e até mesmo o ator que interpretou Pelé (Lucas Agrícola) é surpreendente. Marcelo Adnet interpreta Eusébio, um narrador de futebol que divide a cabine de transmissão com Saldanha, o comentarista. A série também explora o contexto histórico e político da época, o auge da ditadura militar durante o governo Médici, que tentava, a todo custo, usar a seleção brasileira como veículo de propagação do regime no intuito de alienar a população.

     Mas o que mais impressiona, ao meu ver, é a fotografia: As imagens dos estádios onde se passam os jogos, contando já com o recurso da inteligência artificial, reproduzindo a atmosfera dos torcedores nas arquibancadas, são bem convincentes. E o que é mais difícil de tudo: Reproduzir de forma fidedigna as jogadas e dribles dos jogos imortalizados por uma seleção vencedora. Os produtores audiovisuais da série foram incrivelmente exitosos neste sentido.

     Por motivos óbvios, me emocionei ao assistir à série. É como se eu matasse saudades de algo que não vivi, pois sou nascido em 1977. É como se a série tivesse me dado o privilégio de ser uma das testemunhas daquela que o mundo considera a maior e melhor seleção de todos os tempos.

       Durante a semifinal contra o Uruguai, Zagallo, em uma cena emblemática, faz uma preleção enérgica no vestiário durante o intervalo, motivando os jogares brasileiros rumo à vitória. Se a série não me trouxe o otimismo enquanto torcedor, ao menos retomou a consciência de que, independente de prognósticos provavelmente desfavoráveis, é quase que obrigatório torcer, tentar enviar energia positiva e quem sabe, fazer o improvável acontecer. Afinal, torcedor sem fé não é torcedor: É espectador, é testemunha!

* O Eldoradense

28 de mai. de 2026

Comentário: "Romeu e Ronaldo?"

 



"Com destino a Goiás, deixei Minas Gerais"...

 A primeira versão da música "Boiadeiro errante" foi gravada em 1959 pela dupla Liu e Léu. A música é um clássico do cancioneiro sertanejo raiz do Brasil, e talvez tenha se tornado ainda mais imortalizada na voz de Sérgio Reis. Na letra, a vida de um boiadeiro desgostoso que anda pelas estradas rurais do país, sendo que no principal refrão da música são citados dois importantes Estados da Federação brasileira: Minas Gerais e Goiás.

  Ambos Estados que recentemente foram chefiados por dois presidenciáveis que ontem ensaiaram uma possível fusão de suas candidaturas numa única chapa: Romeu Zema encabeçando a mesma e Ronaldo Caiado de vice. Minas é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com uma riqueza histórica e cultural gigantescos, industrializado na região do Triângulo mineiro e com grande potencial do agronegócio no interior. Goiás, por sua vez, situado no coração do país, tem uma população bem menor, mas sua relevância econômica vem ganhando pujança por conta da economia agroexportadora e também da agroindústria.

   Aliados do PSD e do Novo dizem que a possível chapa é improvável. Mas mediante as denúncias de uma suposta ligação de Flávio Bolsonaro com o "irmãozão" Vorcaro, a dupla parece estar aos poucos querendo se desgarrar do Bolsonarismo raiz. 

       Não seria uma tarefa fácil, levando-se em consideração que o país parece viver mesmo uma polarização cuja dissolução parece inimaginável, mas não deixa de ser uma alternativa para o eleitor destro menos extremista, mais preocupado com a pauta do liberalismo econômico do que com a pauta dos costumes e do conservadorismo.

     Ao meu ver, a dupla Romeu e Ronaldo dificilmente vai adquirir capital político para sequer incomodar Lula e Flávio em 2026. Mas para 2030, poderia se apresentar como alternativa mais consolidada, independente de vitória do Lulopetismo ou do Bolsonarismo neste ano. Enquanto eleitor do espectro esquerdista, eles não teriam meu voto, mas numa hipotética disputa entre a centro direita e o Bolsonarismo, prefiro um pão de queijo recheado com pequi ao licor de detergente.

    Romeu e Ronaldo podem sim protagonizar uma aliança envolvendo Minas e Goiás, sem necessariamente ter que tocar a boiada, tal qual um boiadeiro errante, se é que me entendem...


* O Eldoradense

26 de mai. de 2026

Fotografias aéreas: Futura creche e AME, no prolongamento da Avenida D Pedro ll

     Em Presidente Venceslau está em andamento duas importantes obras realizadas pelo Poder Público no prolongamento da Avenida D Pedro ll: A primeira é uma creche municipal, e a segunda o AME (Ambulatório Médico Estadual). Os trabalhos estão sendo feitos a todo o vapor e o Mini 3 Pro fez a captação das imagens aéreas das mesmas. Confira...


 


Imagem aérea da futura creche municipal no prolongamento da Av. D Pedro ll




Imagem aérea das obras do AME (Ambulatório médico de especialidades), também no prolongamento da Av. D Pedro ll


* O Eldoradense

Crônica: "Tetos de vidro"

         Imagine, caro leitor, dois hotéis vizinhos. O primeiro é cinco estrelas, o maior de todos. O hotel ao lado, por sua vez, tem três e...