Final de jogo contra a Escócia, vitória brasileira garantindo o primeiro lugar no grupo C na Copa e consequente classificação para a fase seguinte do torneio. A peleja terminou por volta das 21 horas, numa gélida noite de inverno do interior paulista.
Independente à temperatura, creio eu, era obrigação do torcedor venceslauense invadir a principal avenida da cidade numa comemoração patriótico-futebolística. Afinal, já foram feitas carreatas patrióticas em nossa cidade por motivos bem mais duvidosos. Mas enfim, isso não vem ao caso, o assunto aqui é futebol e não irei perder o foco.
Pego o carro na expectativa de ver um monte de gente agasalhada na avenida, um buzinaço daqueles e a comemoração comendo frouxa pelo triunfo de Ancelotti e seus pupilos. Mas não foi o que aconteceu! Meia dúzia de carros buzinavam timidamente, não tinha quase ninguém nas ruas e a coisa ficou por isso mesmo, não engrenou. Não parecia em nada com o cenário de outras Copas, outros invernos, outras épocas. O torcedor exige garra dos jogadores, mas ele mesmo já não faz aquele sacrifício ritualístico incondicional e comemorativo pós jogos da seleção.
Acreditem: Se é na Argentina, qualquer mísera vitória contra qualquer adversário sem tradição certamente rende comemorações eufóricas na Patagônia ou em Bariloche. Mas o torcedor venceslauense, definitivamente, já foi mais animado. Foi-se o tempo eu que triunfos futebolísticos eram comemorados em frente a um bar cujo nome tinha tudo a ver com inverno: O tradicional Bar Pinguim!
E falando em bar, eu me lembro da Copa de 94: Eu, meu irmão e um amigo inventamos que uma bebida composta de licor de menta e Fanta daria sorte para o Brasil no torneio. Comprávamos sempre os ingredientes num bar na esquina da Tenente Osvaldo Barbosa com a Regente Feijó. Isso passou a ser um ritual para comemorar o resultado do último jogo e dar sorte para o próximo. O paladar da bebida era uma lástima, mas o aspecto cromático verde amarelo no copo era bem patriota. Não tomaríamos vinho em hipótese alguma, afinal, nossa bebida da sorte jamais seria vermelha! Desculpem-me, olha eu novamente perdendo o foco...
Mas enfim, eu tenho certeza que o Brasil sagrou-se tetracampeão por conta daquela mistureba composta por licor de menta e Fanta. Foi por causa dela que Baggio bateu aquele pênalti ridículo, não tenho dúvidas!
A depender do ânimo dos torcedores venceslauenses, acho difícil o hexa acontecer. Não se ganha uma Copa sem sacrifício ritualístico comemorativo contundente e coletivo. Não dá pra ficar cobrando empenho do Neymar se depois do jogo ninguém vai às ruas, limitando-se às postagens nas redes sociais, cobertores, pipoca e sofá. Não dá pra ficar em casa com medo de gripezinha. Depois que a seleção for eliminada, não adianta ficar de "Mi mi mi!". Desculpem, olha eu novamente perdendo o foco...
* O Eldoradense

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