Findou-se mais uma Copa do Mundo. As expectativas de um jogo disputado, com chances de título para ambas as equipes, na prática, não se confirmaram. A verdade é que só a Espanha jogou de forma efetiva, monopolizando o controle da bola e encurralando os argentinos no seu campo de defesa, consagrando o goleiro Dibu, que evitou uma goleada da Fúria sobre os albicelestes.
E esta percepção deu-se desde o primeiro minuto. Não havia posse de bola portenha, não havia sequer transição para o contra-ataque dos argentinos. O "tiki-taka" 2.0 sufocou os sul-americanos da mesma forma com que havia feito com os franceses na semifinal. E o que mais me impressionou na seleção espanhola foi o equilíbrio tático. A qualidade técnica e a movimentação dos espanhóis foram tão determinantes para o domínio da partida quanto a recomposição defensiva. Nos raros momentos em que os argentinos conseguiam trocar passes, a Espanha recuperava a posse de bola de forma rápida e segura. Não havia distâncias ou espaços que fizessem os argentinos pensar, sequer havia tempo de cogitar passar a bola para Messi.
Da mesma forma que minaram Mbappé, anularam o camisa dez albiceleste, que teve atuação apagada, diferente dos jogos anteriores da Argentina. Para piorar, a alternância rápida da posse de bola entre os jogadores espanhóis confundia a marcação adversária, que, vez ou outra, chegava atrasada e de maneira faltosa na tentativa de interceptação defensiva. Assim como o gol espanhol, a expulsão de algum jogador argentino parecia ser questão de tempo.
E a expulsão previsível aconteceu no final da etapa regulamentar. O gol espanhol, não. Prorrogação. Estava visível que os argentinos apostavam suas fichas em algum improvável ou milagroso contra-ataque, ou quiçá numa possível disputa de pênaltis, pois Dibu, o goleiro argentino, estava numa tarde inspiradíssima, disposto a adiar o bicampeonato espanhol. Se já estava difícil segurar o ímpeto da Fúria com onze em campo, com dez parecia impossível.
No início da primeira etapa da prorrogação, a Espanha abriu o placar, mas o tento foi anulado numa suposta falta de ataque. Sinceramente, eu não vi a infração, mas comentaristas de arbitragem disseram que o gol foi bem anulado. Intervalo. A cambaleante Argentina estava a quinze minutos de tentar levar a decisão para os pênaltis. Faltava combinar com Ferran Torres, que já no início do segundo tempo da prorrogação transformou o domínio gigantesco em vantagem magra no placar. Vantagem esta que seria ampliada seis minutos depois pelo mesmo Ferran Torres, mas o atacante estava milimetricamente impedido, segundo as fontes tecnológicas do VAR. Coisa de um cotovelo à frente.
Um a zero. Foi o suficiente para a Espanha, ainda que o placar não tenha sido condizente com o massacre de posse de bola em campo. Era para ter sido uma goleada, mas o futebol tem seus caprichos. A Fúria tem um futuro promissor a curto prazo, enquanto a Argentina, provavelmente sem Messi para a próxima Copa, terá que iniciar um ciclo árduo de reformulação. Espanha bicampeã, de forma merecida e inquestionável.
* O Eldoradense

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