4 de ago. de 2019

Pensamentos do Eldoradense: "Depois daquela curva"





  " Admito: Sinto muito medo do que talvez eu possa ver logo após aquela curva acentuada a caminho da velhice..."

* O Eldoradense


2 de ago. de 2019

Baseado em fatos supostamente reais: "Orlando, um mexicano"





    Às vezes nos deparamos com histórias tão malucas que são inacreditáveis. O que vou escrever logo abaixo, é baseado em fatos reais, desde que a pessoa que contou sua narrativa esteja dizendo a verdade. Digamos então, que seja uma história baseada em fatos "supostamente reais". Acho que assim fica melhor.

   Início da noite de segunda-feira, e eu começo mais um expediente de doze horas de trabalho. Toca o telefone, e o diretor de turno me disse que eu deveria prestar serviço de escolta na Santa Casa local. Não é uma das notícias mais agradáveis de se ouvir, mas enfim, ossos do ofício.

     Quando chego no hospital, um amigo de trabalho já estava por lá. Formaríamos a dupla de vigilantes que seria acompanhada por outra dupla, porém, de militares. Até aí, tudo ok, a vigilância cuida do normal, como diria a música do Zé Ramalho.

     Eis que dois quartos à esquerda do qual vigiávamos, sai um adolescente falante, com trajes de mochileiro e perfil saltimbanco. Sim, parecia aqueles sujeitos que trabalham em circos ou parques de diversões. Falava um bom portunhol, e era extremamente simpático. Uma das enfermeiras nos disse sua história: O rapaz, que dizia se chamar Orlando,  é de origem mexicana, e após uma convulsão na beira da rodovia,  foi socorrido pela ambulância da concessionária, que o trouxe até à Santa Casa.

    O policial, então, desconfiado por vocação profissional, chama o rapaz e começa a entrevistá-lo sutilmente, com um portunhol também fluente. Orlando repete a história contada pela moça, acrescentando alguns detalhes tão misteriosos quanto surpreendentes...

     O jovem é um refugiado mexicano que tentava a travessia para os Estados Unidos, portando somente a roupa do corpo e mil dólares. Ao tentar chegar ao primeiro mundo, foi abordado pelos policiais americanos de fronteira, que não o deportaram. Em troca dos mil dólares, fizeram vista grossa para o delito do rapaz, desde que ele voltasse com as próprias pernas, sem deportação. Explico: Se fosse deportado, Orlando nunca mais poderia pisar os pés em território estadunidense, nem na condição de turista. Então, policiais corruptos e refugiado fizeram um acordo teoricamente bom para as duas partes.

     E é aí que vem o trecho mais esquisito da história. Ao invés de voltar pra casa, como deveria ser, o jovem começou uma peregrinação rumo ao sul, atravessando toda a América Central, chegando então, à suspeitabilíssima Ponta Porã. Esta verdadeira diáspora latino-americana teria sido feita alternando caminhadas e caronas. Depois, lá veio o rapaz voltando ao norte, sentido contrário, onde teve a tal convulsão no acostamento da rodovia Raposo Tavares. Foi então que a viatura da concessionária que presta serviços na estrada socorreu Orlando, que foi internado na Santa Casa de Presidente Venceslau.

      O policial disse que era preciso entrar em contato com a Polícia Federal e o consulado do México, para viabilizar o regresso do rapaz. Uma enfermeira disse que os trâmites já haviam sido feitos pela serviço de assistência social do hospital. Orlando disse que havia telefonado à mãe, mas falou que encontrava-se em Guadalajara, pois se dissesse à genitora que estava no Brasil, a mesma poderia ter um infarto, pois era cardíaca. Demos risada, mesmo que perplexos com a maluquice. 

   O mexicano voltou ao leito hospitalar depois do interrogatório informal. Por volta das vinte e três horas, ouviu-se alguém cantar uma ópera com surpreendente eloquência. De onde vinha o som do tenor? Sim, do quarto de Orlando. As enfermeiras foram lá para pedir silêncio, mas  novamente, algumas pessoas voltaram a conversar com o rapaz, que era uma figuraça. Vítima de tráfico humano? "Mula" a serviço de outro tipo de tráfico? Quem sabe? Só sei que esta é a história de Orlando. Uma história baseada em fatos "supostamente reais"...


* O Eldoradense

1 de ago. de 2019

Pressão Arterial: Sim, ela pode ser "medida"!





    Sabe aquele dia em que você quer polemizar sobre a coisa mais banal? Pois é: Eu estou assim hoje! O meu recado vai para aquelas pessoas que gostam de complicar o que já não é tão simples, que gostam de mandar uma "trivela" na Língua Portuguesa, com o objetivo de enfeitar, ou quem sabe, confundir. 

   Faz um tempinho que descobri que sou hipertenso, e confesso que é bem desagradável receber o diagnóstico pouco após os quarenta. Eu até me imaginava tomando tais medicações, mas talvez depois de meio século de vida, não agora. Mas enfim, nem com os remédios a "bendita" tem abaixado. E eu acho que sei o motivo: Ninguém quer "medir" minha pressão, a maioria quer "aferir"!

   Caramba, quem foi o gênio oculto que optou pelo termo mais complicado, sendo que "medir" é tão mais fácil, e,  ao contrário do que muitos pensam, não está errado? Aquele argumento de que só se mede objetos com trena ou régua é irônico, mas equivocado! Existe sim uma unidade de medida naquele treco que mede a pressão, e o treco se chama "esfigmomanômetro". Caramba, bem que o treco poderia ter um nome mais fácil também, né?

    Mas não! É mais legal complicar! Lembremos que estamos falando de um país em que a população é composta por inúmeros analfabetos funcionais, e usar termos técnicos desnecessários só dificultam a comunicação. Segundo o próprio site do Ministério da Saúde, bem como do médico Dráuzio Varella, é totalmente aceitável o termo "medir a pressão", e não menos correto que a fresca terminologia "aferir". 

    Isso sem dizer que "aferir" pode causar um vício de comunicação linguística chamado cacofonia, onde o sujeito pode ouvir algo totalmente diferente do original:

         "Em qual braço posso aferir?" Tá vendo? Dá impressão que vão ferir o seu braço, darem uma facada, uma estiletada, sei lá! Se a pressão já está alta, vai subir mais ainda!

    Portanto, atenciosos, competentes e dedicados profissionais de saúde: se os senhores (as) querem usar os termos técnicos, o façam, mas internamente. Quando forem se comunicar com a "massa", facilitemos as coisas! Talvez a facilitação tenha mais eficácia no controle da pressão arterial que Losartanas, "Propranolóis" e "Captopris"! 

     Obs: Este texto tem o único objetivo de descontrair, mesmo que tenha lá o seu fundinho de verdade. Aos profissionais de saúde, minha profunda manifestação se carinho e agradecimento. Vocês são verdadeiros heróis!

* O Eldoradense 

31 de jul. de 2019

Desculpem-me! Nunca pensei que fosse escrever isso...





    Quando Jair Bolsonaro sofreu aquela facada em Juiz de Fora, eu surpreendentemente ouvi de uma pessoa muito próxima a mim, talvez a mais próxima, na atual conjuntura...

     "Este homem só colhe o que planta. Foi merecido"

   Na hora, fiquei surpreso, contrariado, e até indignado, juro. Não esperava ouvir isso, não concordava em absoluto com a  fala. Disse a ela que uma coisa são as divergências políticas e as outras têm a ver com o ser humano. A pessoa em questão imediatamente contra-argumentou: Ele jogou confete sobre o nome de um torturador e também enalteceu o câncer da Dilma. Fiquei calado, mas ainda assim, continuava discordando,  escrevi algo sobre o absurdo daquela facada, não só em um candidato à presidência, por mais idiota que fosse, bem como ao ser humano Jair Bolsonaro, por mais símio-primata que ele seja.

     Eis que agora o esfaqueado é presidente. Deveria mudar sua conduta, exatamente pela lição da facada, bem como pela função que exerce. Não mudou. Continua propagando absurdos, enaltecendo barbáries da época da ditadura, regime que, inclusive, negou a existência, em outra oportunidade.

     O que Bolsonaro disse sobre o desaparecimento do pai do presidente da OAB na época do regime militar é algo repugnante. Primeiro, pela atrocidade e pela insensibilidade. Segundo, por ser uma mentira! Os próprios agentes do regime admitiram o assassinato, que Bolsonaro creditou aos movimentos de esquerda, por uma suposta divergência interna. Não por acaso, o Ministro do STF, Marco Aurélio Melo, alegou que o presidente precisa urgentemente de uma "mordaça". 

       Não sei o que mais me chateia: Se o fato de termos um presidente que não mede as consequências pelo que fala, ou se pelo fato de termos um grande contingente de defensores destas aberrações. Resguardadas as devidas proporções, Hitler, Franco e Mussolini  cometeram suas atrocidades propagando discurso nacionalista e com grande respaldo popular dos seus seguidores. Estamos vivendo em uma época estranha, de fanatismos e extremismos, e eu, sinceramente, não sei no que isso vai dar. Consideremos que este governo alavanque alguma prosperidade econômica, o que eu realmente não acredito: em nome do dinheiro no bolso, as pessoas o defenderão ainda mais, por mais aberrações que sejam propagadas de sua língua insana. E aí, teremos o cenário ideal para o totalitarismo velado de democracia. 

      Olha, por mais que eu nunca tenha pensado em escrever isso, e por mais repugnância que esta última frase possa causar no leitor, pois nunca defendi violência alguma, admito:  A pessoa próxima a mim tinha razão sobre a facada. Infelizmente, se o ocorrido foi lamentável, é fato que tem lá suas justificativas. Violência gera violência, e atualmente, a máxima parece que tem se prevalecido com muito mais força. Se a facada é lamentável, o ato foi uma reação causada por ações desastrosas, não menos lamentáveis. A insensatez, é, de fato, uma "faca de dois gumes"...

* O Eldoradense


29 de jul. de 2019

Santos FC: Apenas um time latino-americano sem dinheiro no banco!





    Enfim, o Santos assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro, vencendo o frágil Avaí em casa, pelo placar de 3x1. Santista que sou, não nego satisfação e expectativas, mesmo sabendo que ainda existe muita água do mar pra correr no canal do Guarujá. E os detalhes desta vitória de ontem mostram um Santos bem "latino - americano, sem dinheiro no banco", como no clássico musical do saudoso e bigodudo Belchior.


      Um paraguaio abre o placar e um argentino careca vibra feito louco na beira do gramado. O Avaí empata, só pra dar um susto. Mas aí, um venezuelano se refugia pela esquerda, dribla uma alfândega de zagueiros azuis e cruza na cabeça calva de um uruguaio. Caramba, este time de branco é brasileiro?? Ah, é sim! Porque no segundo tempo, um brasileiro com nome quase gringo faz o terceiro. E que golaço do tal Felipe Jonatan! 

     O Santos tornou-se líder do campeonato com elenco modesto, estando a frente de clubes que investiram bem mais, como Palmeiras e Flamengo. Um time de bons jogadores, mas nenhum craque em evidência, como na era Neymar. Está lá, no topo da tabela, tal qual tubarão mineiro fingindo ser peixe pequeno. Ah, em Minas não tem mar, mas dane-se! Tudo pela  metáfora! O técnico argentino e calvo talvez seja o maior responsável por isso, elaborando variações táticas interessantes, lembrando uma dona de casa que precisa fazer um bolo sofisticado sem tantos ingredientes nas mãos. 

       Tudo bem que os rivais ricos estejam disputando outras competições e que o fato do Santos estar disputando exclusivamente o brasileirão também justificam a presença do peixe no ponto máximo da classificação. Mas que é muito bom ver a nossa escassez tripudiar sobre a abundância alheia, isso é! Pode ser que o Santos não seja campeão, mas que o clube está tirando leite de pedra, está! Enfim, algo típico de um time que pode não ter dinheiro, mas tem muita camisa e história. Um time latino-americano, sem dinheiro no banco, sem jogadores importantes, vindos do exterior...

* O Eldoradense


26 de jul. de 2019

Livro: "Confesso que perdi - Memórias ", de Juca Kfouri!




   Juca Kfouri é um dos caras que gosto de ler com alguma regularidade, pois eu sou admirador do seu modo de escrever, do estilo combativo na defesa dos seus princípios e ideias. Corintiano assumido, não tem seu trabalho prejudicado por explicitar o seu time do coração, e quando timão foi contemplado com a construção do estádio "Itaquerão", não teve dúvidas de manifestar suas contrariedades, levando-se em conta os prejuízos que a obra superfaturada causariam tanto aos cofres públicos quanto ao clube.

   E é no livro "Confesso que perdi - Memórias" que pude acompanhar muito de sua biografia, entender como funciona a rotina frenética das redações de jornais, da luta por furos de reportagem, das pressões que os profissionais de imprensa sofrem por parte dos patrocinadores, da busca por obtenção de fontes e da paixão envolvida neste trabalho. E é claro que tudo isso geralmente cobra um preço: O distanciamento da família e a perda da qualidade de vida, principalmente no tocante à saúde, foram percalços que fizeram parte da carreira do jornalista. 

     O título "Confesso que perdi" refere-se principalmente ao engajamento de Juca na busca da moralização dos bastidores da administração do futebol e do esporte através de denúncias e reportagens investigativas, bem como na militância política, buscando democracia e justiça. E pelo título do livro, dá pra deduzir que o jornalista infelizmente foi vencido pelo "sistema". Em duas oportunidades especiais, Juca mostrou como a podridão da política e do esporte se fundiram para a benesse financeira de autoridades destes dois meios: Quando o Brasil sediou a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Enquanto o povo padecia nos hospitais, no transporte coletivo precário e nas favelas, estádios e centros esportivos modernos eram construídos de maneira superfaturada, fazendo com que  políticos e dirigentes esportivos embolsassem muita grana, concretizando com êxito seus projetos de poder. 

     Livro bom, envolvente, de fácil leitura e concluído num "tapa". Depois dele, Juca Kfouri subiu ainda mais no meu conceito particular.

* O Eldoradense

25 de jul. de 2019

Comentário: Frank Zapata fracassou??



      Caro amigo leitor deste blog, assista ao vídeo abaixo...



         O sujeito é Frank Zapata, um francês que pilota profissionalmente moto aquáticas, e que inventou o flyboard, uma espécie de prancha voadora. Pois bem: Hoje ele queria atravessar o "Canal da Mancha", entre a França e a Inglaterra, num trecho de 35 km, mas caiu no braço oceânico na metade do percurso, sem lesões graves. Em todas as manchetes jornalísticas sobre o assunto, eu vi os termos "falha" e "fracasso". Que me desculpem os profissionais da imprensa, mas na verdade, este cara apenas teve o sucesso adiado! 

* O Eldoradense

     

DJI Avata 2: "Caminho dos devotos"

  E na última quinta-feira fiz um voo no "Caminho dos devotos", um santuário localizado na Rodovia Assis Chateaubriand, no municíp...