6 de nov. de 2021
Livro; "A tragédia de Santa Maria", escrito por Yvone Amaral Pereira
8 de out. de 2021
Comentário: Livro "Salve Geral", de Romildo Wilson Santos
Via de regra, faço resenhas imediatas no blog sobre os livros que leio. Para este, demorei dois dias, após algumas reflexões. De cara, nutri antipatia pela capa, que poderia levar a ideia de generalização da corrupção no sistema penitenciário. Pois é, é aí que está o problema: Para um leigo do assunto, a visão desta leitura é de entretenimento, apenas fictícia, mas para quem vivencia o tema, as antenas da crítica ficam mais aguçadas.
E este livro provocou-me esta sensação de dicotomia, onde o leitor crítico prevaleceu de cara, quase que virando o rosto para a obra: O protagonista parecia uma misto de Rambo, 007 e Shaolin do sertão, embrenhando-se na busca pela resolução dos problemas carcerários e do "Salve Geral", quando a união de diferentes facções criminosas resolveram tocar o terror dentro e fora dos presídios no Ceará. O cenário era de guerra, real, plano de fundo para a ficção, cuja história expandiu-se para o Vaticano, Argentina, Fernando de Noronha e México. E eu seguia indignado, imaginando um Policial Penal corrupto com crise de consciência, que parecendo indestrutível, resolvia pouco a pouco, aquela situação altamente complexa. O leitor conhecedor do sistema concluiu: Viagem na maionese! Pra ajudar, a corrupção parecia generalizada, incluindo acordos entre forças de segurança, políticos e sindicatos. (Muito parecido com o enredo do filme Tropa de Elite 2), o que poderia soar como injusto para uma categoria profissional já tão injustiçada.
Mas aí, refletindo com um pouco mais de calma, vieram as ponderações: Primeiro, é uma obra fictícia, onde prevalece a liberdade criativa do autor, que ainda que talvez de forma exagerada, tinha como objetivo criticar as imperfeições do Sistema. Enfim, não era um documentário, era uma obra literária baseada em fatos reais, mas fictícia. Era preciso entender isso.
O segundo elemento é que o autor é um companheiro de trabalho, que assim como eu, busca na escrita uma válvula de escape para acalentar o estresse do cotidiano profissional. Nada mais justo que uma ressalva no olhar crítico, ainda mais levando-se em consideração que este é o primeiro livro do escritor. Nordestino de Pernambuco, trabalhador no Ceará, e aí já viu, é como disse uma vez, um primo meu: "É difícil um nordestino que não goste de falar ou escrever".
Portanto, ainda que eu tenha percebido muitas palavras iguais na mesma frase e uma narrativa um tanto quanto acelerada, é preciso reconhecer que a imaginação do autor é bastante fértil e que ele tem muito potencial para suas futuras obras. A princípio, admito, refutei a leitura. Mas com as ponderações posteriores, reconheço que a mesma foi válida. Sorte e sucesso ao escritor!
* O Eldoradense
22 de set. de 2021
Poesias do Eldoradense: "O Saci transformista"
"O Saci transformista"
Neste mundo globalizado,
Há muitas influências;
Quase tudo igualado,
Inevitáveis consequências...
Aconteceu na floresta,
Num agitado aniversário;
No melhor da festa,
Saci saiu do armário!
Apareceu diferente,
Num visual extravagante;
Surpreendendo toda gente...
Roupa nada elegante!
Abóbora na cachola,
Cachimbo, não fumava;
Afinou a beiçola,
E também não pulava!
Pois comprou uma perna,
Cultural assassinato;
Decepção paterna,
Pro velho Saci nato!
E o Sacizinho transformista,
Parecia Drag Queen;
Na metamorfose globalista...
Agora é Haloweeen! 🎃🎃🎃
* O Eldoradense
21 de set. de 2021
Comentário: "Jacaré Dundee"
20 de set. de 2021
Comentário: "Posturas políticas e desconstruções dos ídolos"
Até que ponto em que, num cenário de polarização política extrema como o que vivemos hoje, um ídolo pode ter sua imagem manchada por conta do seu posicionamento? É justo todo um trabalho realizado nas mais diferentes áreas ir água abaixo por conta de uma postura adotada numa sociedade democrática?
Certa vez, eu conversava sobre música, e disse que curti muito os dois shows do Roupa Nova que assisti. Um amigo de longa data e de posicionamento político muito semelhante ao meu, disse: "Luiz, eu gosto deles, mas eles têm um vídeo na internet em que entaltecem o Sérgio Moro". Da minha parte, não muda nada. Sou fã dos caras pela discografia, e fico alheio a posicionamentos nas diferentes esferas.
E falando em Sérgio, não o Moro, mas sim, o Reis, continuemos a falar sobre ídolos e posicionamentos e levamos em consideração os fatos do último dia 07/09. Sérgio Reis simplesmente pirou na batatinha, ficou mais louco que o Batman, chamou urubu de meu louro e quase que caiu no xilindró por conta de uma alucinação patriótica descabida. Nas redes sociais, fiz vários memes, ironizei o artista, brinquei. Porém, e sinceramente, isso não anula a admiração pela discografia pantaneira, sertaneja raiz que o cantor possui. Uma coisa é uma coisa, outra coisa, é outra coisa.
Enfim, estamos misturando muito alhos com bugalhos. Ícones da MPB, internacionalmente reconhecidos, por exemplo, são tratados como cantores sem importância por militantes da direita fanática. O mesmo acontece com o maior educador deste país, o inquestionável Paulo Freire.
Tipo, o Gusttavo Lima ou o Eduardo Costa poderiam vestir vermelho, ter raiz ideológica sindical, gritar o mesmo "Fora Bolsonaro" que eu, e mesmo assim, musicalmente falando, pra mim, não servem. Eca!
É claro que quando existe a sintonia entre posturas ideológicas/boa música, automaticamente a admiração pelo artista aumenta. Cito Gabriel o Pensador e Zeca Baleiro como exemplos particulares.
Mas não faz sentido desprezar discografias, gols marcados, atuações em cena ou piadas bem contadas por conta do que se passa na cachola do indivíduo. A não ser que a postura envolva assuntos mais complexos como racismo, xenofobia, misoginia ou homofobia, por exemplo, tá tudo em ordem, dentro dos preceitos democráticos. E meus amigos, serão sempre meus amigos, apesar de muitos estarem politicamente e ideologicamente equivocados! 😉😉😉
* O Eldoradense
17 de set. de 2021
Comentário: "A volta do Super-Homem"
"A volta do Super-homem"
Quando eu era moleque e a dor física por alguma eventualidade
queria fazer com que as lágrimas rolassem rosto abaixo, aparecia algum
abençoado e dizia: “homem não chora”. Olha, era difícil segurar a cascata
salina enquanto a cabeça do dedão do pé estava esfolada por mais um acidente
ocasionado pelo “futebol de asfalto”. Mas a frase machista era marcante, e o nó
na garganta abortava o pranto enquanto a seiva rubra jorrava do meu dedão
estourado.
Mas aí, eu vi perdas. Perdas dos entes, e nelas, eu vi o meu maior exemplo de homem chorar sem qualquer ressalva, e não por coincidência, este mesmo homem nunca caiu na tentação de me dizer que homem não chora. E este homem, apesar de chorar, era uma fortaleza humana em termos de sabedoria e otimismo.
Homem chora sim, e chora porque é homem, e não uma estátua desprovida de sentimentos. Chora por amor, por dor, por angústia, de alegria, de tristeza. E em nenhum momento chorar tira a masculinidade, isso é tão idiota quanto dizer que o exame preventivo do câncer da próstata também o faz.
E por incrível
que pareça, às vezes, tenho a impressão que aquelas ideias ultrapassadas sobre
os conceitos de masculinidade voltaram à tona: Equivocadamente está na moda
vender a imagem do Super-Homem, do “inabalável, indestrutível, intransponível,
imbroxável”.
Valha-me Deus ter
que novamente engolir o choro de feridas muito mais dolorosas que um dedão
esfolado. Valha-me Deus ter que represar lágrimas tal qual uma Itaipu de
sentimentos.
Há dores cujas
lágrimas precisam extravasar, bem como alegrias que merecem ser brindadas com o
líquido salino. Todo homem tem a consciência das suas próprias dores, e não
convém camuflá-las em nome de tabus arraigados no machismo boçal. O equivocado comportamento somatiza inúmeros
males e patologias. É como tentar ser Itaipu e transformar-se em Brumadinho.
Tragédia emocional na certa!
* O Eldoradense
16 de set. de 2021
Poesias do Eldoradense: "Mente pomar"
Olho pro mar,
Nas ondas do
pensamento;
Mente pomar,
Frutífero
momento...
Penso que sou
pequeno,
Tal qual grão de
areia;
Tento ficar
sereno,
Mas vem a
sereia...
Cantando
indagações,
Para o pensador
de bermuda;
Melodiosas
questões;
Com resposta
muda...
Existe o Criador?
Estamos sós no
infinito?
Tudo é tão
desafiador,
Além de bonito...
Foi uma explosão?
Deus assoviando?
Que doce
ilusão...
Sigo pensando...
Resolvo não me
torturar...
Pois a dúvida me
aluga;
E contento-me a
procurar,
Uma dócil
tartaruga!
* O Eldoradense
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