21 de jun. de 2019

Música Experimental: "Eva Angélica"

  Não posso negar que, ao menos para mim, Bolsonaro é uma inesgotável fonte de inspiração para o sarcasmo. Quando o nosso presidente criticou o STF por equivaler o crime de homofobia ao racismo, sugerindo inclusive que tais decisões foram tomadas por conta da falta de juízes evangélicos na Suprema Corte, eu fiquei com vontade de escrever, mas resolvi fazer diferente: Surgiu a vontade de divagar um pouco e compor uma música experimental falando sobre a paixão de um homem ateu convertido por uma mulher evangélica. Não reparem na voz, que é péssima, mas modéstia à parte, eu gostei da letra. O aplicativo para a montagem do vídeo abaixo também não é dos melhores, mas foi o que deu pra fazer. Com vocês, "Eva Angélica"...






"Eva Angélica"



A paixão, entoa
No meu coração, ateu;
Não é algo à toa,
Meu amor, é teu!

Na igreja, eu sento,
Faço oração;
Dou meus dez por cento,
Compro a salvação...


Veja como, a vida...
De uma vez, se inverte;
Por você, querida,
Um homem, converte!

Larguei da boemia,
De viver, na pilha;
Até na noite, fria,
Vou fazer vigília!


Eu era, intolerante,
Praticamente, um bruto;
Não sou como, antes...
Fala que eu, te escuto!

Tire-me da treva,
Me mostre o Paraíso;
Seja minha Eva,
É disso que eu, preciso!

Eva, Angélica...
Vai descendo a ladeira, com a Bíblia na mão!
Eva, Angélica!
Quero ser seu marido, não quero ser teu irmão! (Refrão 2x)

* O Eldoradense

19 de jun. de 2019

Livro: "O jogo do anjo"




   Se não me falhe a memória, foi no ano de 2014 que executei a leitura do livro que mais me prendeu a atenção até hoje: Trata-se de "A sombra do vento", cuja autoria é do brilhante escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón. Somente cinco anos depois fui descobrir que "A sombra do vento" era apenas uma das peças de um maravilhoso quebra-cabeças da série literária intitulada "O cemitério dos livros esquecidos". Ao fazer a descoberta, consegui emprestadas as outras três peças do quebra-cabeças, sendo que uma delas é "O jogo do anjo", que mantém o estilo marcante da série: suspense, descrição detalhada da paisagem urbana de Barcelona, bem como diálogos inteligentes e humorados. 

    "O jogo do anjo" é um romance cujo protagonista é o escritor David Martim, que, após ser diagnosticado com uma doença terminal, recebe uma proposta pra lá de estranha: escrever um livro para o misterioso editor Andreas Corelli, que ficará com a autoria da obra, recompensando David com muito dinheiro e a cura de sua enfermidade. A partir daí, só lendo pra saber o desfecho desta trama  intrigante e que sugere o sobrenatural...

* O Eldoradense

17 de jun. de 2019

Conto: "Projeto LPA"



   O engenheiro eletrônico Laércio Brás e o renomado cirurgião Joseílson Costa estavam trabalhando de forma conjunta e sigilosa em um ousado projeto que criaria um dispositivo capaz de decifrar os pensamentos das outras pessoas. Ao dispositivo, deram o nome de LPA: Leitor dos Pensamentos Alheios. Consistia em um capacete travestido de boné, que, através de uma falsa bijuteria disfarçada na aba, emitia um laser invisível direcionado ao cérebro da outra pessoa, decodificando os pensamentos do outro indivíduo e emitindo vozes reveladoras em um fone acoplado ao dispositivo.

    Ambos sabiam que o projeto poderia render discussões éticas em torno da privacidade, mas vislumbravam o rio de dinheiro que ganhariam ao patentear o dispositivo. Pensaram na demanda gerada através de serviços policiais e de espionagem internacional. Numa escala mais abrangente, o dispositivo poderia ajudar pais controladores, cônjuges desconfiados, detetives particulares e até mesmo simples curiosos ávidos por descobrirem o que os outros estavam pensando.

     Quando o projeto estava praticamente concluído, o sócio neurocirurgião sofreu um ataque cardíaco fulminante, e Laércio pensou imediatamente que colheria os louros do invento sozinho, já que faltavam apenas pequenos ajustes eletrônicos que ele dominava. Duas semanas depois, foi testar o invento, com o boné sobre a cabeça.

        Foi para um churrasco entre amigos onde percebeu que muitos daqueles que o bajulavam nutriam pensamentos negativos ao seu respeito, considerando-o um arrogante insuportável. Ouvindo vozes incômodas e desagradáveis, teve vontade de esmurrar boa parte dos que ali estavam, mas precisava se conter. Quando chegou em casa, a esposa deu-lhe um beijo de boa noite, mas intimamente repugnou a presença do marido, e ele descobriu que os quase trinta anos de casamento estavam sustentados pelo pilar do comodismo e da conveniência. No dia seguinte, enquanto trabalhava, teve a revelação de que seu assistente mais fiel pretendia deixar-lhe na mão já na próxima semana, tendo em vista um emprego onde ganharia bem mais, com a vantagem de não precisar mais aturá-lo. A raiva e a decepção passaram a dominar sua mente de forma avassaladora em menos de quarenta e oito horas usando a geringonça.

      Laércio então fez um exercício de reflexão e descobriu a gama de conflitos que seu invento poderia gerar: desde dramas familiares, até, quem sabe, a Terceira Guerra Mundial. Notou que as vozes que ouvia poderiam trazer muito sofrimento através de verdades que talvez não necessitassem aflorar. Foi até o interior do laboratório onde martelou a bijuteria que emitia o laser invisível, incinerando, posteriormente, o boné. Em seguida, apagou todos os arquivos do notebook onde estavam contidas as informações sobre o projeto. Por incrível que pareça, chegou à conclusão de que a vida em sociedade precisa também de uma dose homeopática e certeira de mentiras e hipocrisias...

* O Eldoradense


16 de jun. de 2019

Livro: "O caçador de pipas"



    Seguindo a sequência de leituras executadas ultimamente, publico hoje sobre "O caçador de pipas", obra literária escrita pelo romancista  e médico afegão Khaled Hosseini . A narrativa ocorre inicialmente no Afeganistão, relatando a amizade de dois garotos que convivem juntos em uma mesma casa, mas que pertencem a classes sociais distintas, pois um é filho do patrão, e outro, do serviçal. Porém, um episódio marcante dá contornos de dramaticidade a história, fazendo com que eles se afastem e que os seus destinos se cruzem novamente, duas décadas depois. O Paquistão e os Estados Unidos também são cenários desta narrativa tão envolvente quanto surpreendente, fazendo com que o livro prenda o leitor desde a primeira até a última página. 

* O Eldoradense


15 de jun. de 2019

Livro: "Entre sem bater" - A vida de Apparício Torelly, o "Barão de Itararé"!





    Talvez você tenha até ouvido falar, mas provavelmente não deve saber muito sobre o protagonista deste livro. Apparício Torelly, também conhecido como "Barão de Itararé" foi um dos maiores ícones do humorismo político no Brasil, escrachando com nossos abnegados homens públicos, satirizando também pseudo-literatos e até mesmo seus pares da imprensa. Para isso, usava o seu próprio jornal, intitulado "A manha". O livro escrito por Cláudio Figueiredo conta a biografia deste personagem de alma anárquica e subversiva, fazendo o leitor se encantar pela genialidade e criatividade do tal "Barão de Itararé".

    Em uma das várias histórias engraçadas contadas na obra, Apparício Torelly, após satirizar integrantes da Marinha Brasileira, tem sua casa invadida por alguns militares, tomando uma surra dos mesmos. No dia seguinte ao episódio, ele simplesmente colocou uma placa na porta da sua residência com a seguinte frase: "Entre sem bater!"

      Para quem não leu o livro, recomendo. E recomendo também aprofundar-se um pouco mais sobre o "Barão de Itararé", cuja biografia está repleta de pérolas e histórias deliciosamente engraçadas. 

* O Eldoradense

14 de jun. de 2019

Livro: "Cem anos de solidão"





   No período em que o blog ficou sem ser atualizado, fiz algumas leituras, sendo que todas serão posteriormente relacionadas. A primeira delas é o clássico da literatura latino -americana "Cem anos de solidão". A obra é de autoria do renomado escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez, que lhe rendeu nada menos do que o Prêmio Nobel de literatura no ano de 1982. 

    Uma curiosidade: "Cem anos de solidão" será adaptada em uma série, que em breve será produzida pela Netflix, feito até então nunca autorizado pelo escritor Gabriel Garcia Marquez. 

     O realismo fantástico narrado na cidade fictícia de Macondo, bem como as várias gerações da família Buendia  são descritos pelo autor com certa melancolia, narrando detalhadamente paisagens, situações e vivências dos personagens. Resta saber se a série audiovisual terá a mesma beleza que a obra literária. Via de regra, os amantes da literatura sempre se decepcionam com tais adaptações, mas é "esperar para ver"... Literalmente!

* O Eldoradense

13 de jun. de 2019

Comentário: "O Bolsonarista, o petista e o imparcial...



     Imagine-se você, amigo imparcial, chegando em um botequim chamado "Recanto dos companheiros", e nota que, em uma das mesas, quatro sujeitos barbudos trajando camisetas vermelhas olham para a TV enquanto degustam uma porçãozinha de mortadela, bebendo uma branquinha. Enquanto isso, a TV Globo exibe o Jornal Nacional, quando Willian Bonner então noticia o vazamento das conversas interceptadas ilegalmente entre Sérgio Moro e Deltan Dallagnol . Você vai ouvir os caras dizerem que Lula foi preso ilegalmente, que o ex-presidente foi vítima de uma conspiração, que as provas contra ele foram forjadas e que a liberdade do petista é coisa de tempo. Olha, para não correr o risco de ser achincalhado e tomar golpes de foice e martelo, é melhor calar a boca e evitar dizer que as coisas não são bem assim, que uma coisa é uma coisa, e outra coisa, é outra coisa. Melhor tentar dirigir-se a outro bar!

     E aí, na próxima esquina, você vai ao bar "Reacionários", onde na mesa do canto, quatro sujeitos trajando camiseta pirata da seleção brasileira saboreiam uma porção de coxinhas e bebem suquinho de laranja com adoçante. Contrastando com a frescurite, você observa que todos os sujeitos portam armas nos respectivos bolsos de suas calças jeans. Assistem ao mesmo jornal e à mesma notícia exibida no bar anterior. Eles vão dizer que Sérgio Moro é um patriota e que está sendo vítima de um complô envolvendo a mídia e a oposição. Dirão que as suas mensagens trocadas com os promotores do Ministério Público não tem nada de comprometedoras. Você fica até com vontade de argumentar algo, mas por medo de tomar uma coronhada na nuca, vai pra casa e tenta escrever algo  na internet.


      Chega em casa e manda a lenha no teclado do computador. Escreve que aquelas trocas de mensagens, do ponto de vista técnico-jurídico, são inadmissíveis, que não pode haver colaboração mútua entre quem julga e quem investiga, e que aquilo tudo dá margens para interpretações dúbias sobre as apurações dos fatos. Diz que áudios vazados anteriormente pelo mesmo Sérgio Moro quebraram sigilos, pularam etapas e que tal conduta também foi inconstitucional, assim como o seu celular, que foi invadido ilegalmente por hackers. Explica que, na sua opinião, Sérgio Moro deveria ser afastado do cargo, e que, se ambicionava uma cadeirinha no STF, pode esquecer!

     Porém, a contraponto, diz que os corruptos presos pela Operação Lava Jato não têm porque ficarem eufóricos, pois as provas apresentadas contra eles são contundentes, e esperar uma saída do chefe-mor da quadrilha por conta disso, é absurdo. Expõe, enfim, que se Moro precisa sair do Ministério da Justiça, Lula precisa continuar na cadeia! É assim que deve ser, pois você ao menos tenta ser imparcial, sem fanatismo, tentando analisar os fatos com alguma racionalidade e não com o fígado. 

       Depois do texto escrito, é só aguardar foiçadas, marteladas e coronhadas do mundo virtual!

* O Eldoradense

DJI Avata 2: "Caminho dos devotos"

  E na última quinta-feira fiz um voo no "Caminho dos devotos", um santuário localizado na Rodovia Assis Chateaubriand, no municíp...