30 de jul. de 2017

Vídeo musical de hoje: "Um índio" - Caetano Veloso




"Um índio" - Caetano Veloso

Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante

E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante 


Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá


Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico

Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio

29 de jul. de 2017

Homem Aranha de volta ao lar: Um filme bem "mais ou menos"...




  Amigos leitores, ontem à noite fui até Presidente Prudente para assistir ao filme "Homem Aranha de volta ao lar". Confesso que pela primeira vez saí decepcionado com um filme da Marvel. Achei o personagem demasiadamente "colegial", (acho que exageraram na sua juventude); e talvez isso tenha tirado um pouco do brilho do herói aracnídeo. Como o filme é praticamente uma sequência de Guerra Civil, (uma luta interna entre os vingadores, onde o Homem Aranha faz um participação no grupo); esperava algo mais maduro. Não foi o que aconteceu.

   Homem Aranha de volta ao lar teve como antagonista do Super-Herói o vilão "Abutre", interpretado por Michael Katon, e também por isso, merecia um pouco mais de seriedade. Se em outros filmes a Marvel havia investido na boa e velha fórmula da ação com pitadas sarcásticas, desta vez, parece que erraram a mão: o filme ficou parecendo uma comédia com pitadas de ação, e ao meu ver, não convenceu.

   Fica como registro positivo a "deixa" de que algo melhor está por vir na sequência. Gostei também da inserção da música "Let's Go", da banda punk Rock Ramones, originária do Queens, assim como o Homem Aranha. Com toda a franqueza, eu esperava mais. Bem mais, aliás...

* O Eldoradense   

27 de jul. de 2017

Conto: "Negociata"



"Negociata"

  Naquela tarde quente, típica de um verão escaldante do Pontal do Paranapanema, João Pula Cerca  tomava uma cerveja gelada na mesa de canto em um bar na região central de Presidente Prudente, próximo ao terminal rodoviário. Parecia esperar alguém, pois o olhar vagava impaciente em direção à porta do boteco enquanto tragava um ou outro gole da bebida. O dono do estabelecimento sabia que havia visto aquele rosto barbudo em algum lugar, mas não se lembrava exatamente de onde. Observando o sujeito de canto de olho, enxugava os copos recém lavados com um pano de prato branco, já um pouco encardido.

  Em frente à calçada, estava estacionado um carro popular vermelho, que continha na porta, um adesivo do MST, além do semblante sombrio de Che Guevara colado no vidro traseiro.  O dono do bar associou o carro ao seu dono, e percebeu que naquela mesa, estava nada mais nada menos que um dos membros do alto escalão do principal movimento social agrário do país. Surpreendentemente, minutos depois, chegou um jovem de calça jeans, chapéu e bota, estacionando uma caminhonete usada, surrada pelo tempo e carecendo de uma boa lavagem automotiva. Tratava-se de Pedrinho Júnior, filho de um latifundiário falecido, cuja fazenda, era tão improdutiva quanto devoluta. Pensou que seu bar viraria um "saloon" de faroeste, onde duas figuras de diferentes interesses pudessem iniciar uma discussão, quiçá, uma luta corporal.
    O jovem sentou-se na mesa do homem barbudo, abriu uma maleta cheia de dinheiro e iniciou um diálogo que o dono do bar fez questão de escutar disfarçadamente:
   - Tá aqui sua parte da grana, dez por cento do que recebi com a desapropriação daquela fazenda maldita. Pode contar, tá tudo aí.
   João Pula cerca coçou a barba, e iniciou uma contagem demorada, que pareceu ter chegado à cifra de meio milhão de reais.
  - Bom trabalho, garoto! Não te disse que se eu enviasse meu exército vermelho à tua fazenda o Estado pressionaria a justiça para agilizar a desapropriação?
  - É, mas a gente tinha combinado uma invasão pacífica, sem mortes...
  - Aquilo foi uma desavença particular entre um dos meus camaradas e teu capanga. Foi algo isolado, que talvez tenha dado ainda mais realismo ao circo que montamos...
  - É, mas tá dando uma dor de cabeça danada....
  - Não esquenta! A polícia vai fazer a parte dela, que é investigar, mas sabe como é... Quem vai se preocupar com as mortes de um jagunço estúpido e um sem-terras miserável?
  - Bom, dane-se. O que importa é que eu finalmente vou sair desse lugar e vou curtir minha vida no litoral, torrando a grana da desapropriação. E você, o que vai fazer?
  - Continuar com as invasões e propor mais negócios deste tipo aos donos de terras devolutas. Eles sabem que perderão as terras na justiça, e o circo que a gente arma traz rapidez no processo de desapropriação, beneficiando os dois lados de uma guerra forjada...
  Levantaram-se, brindaram os copos de cerveja e pagaram a conta ao balconista, perplexo. A caminhonete saiu primeiro, e em seguida, o carro popular, com o semblante de Che Guevara parecendo caçoar do dono do bar, que ainda enxugava os copos com o pano branco, sutilmente encardido. Quando ligou a televisão do bar, o jornal regional noticiava mais uma invasão de terras no distante e pobre Pontal do Paranapanema...

* O Eldoradense 

26 de jul. de 2017

Mera coincidência ou um pequeno milagre?

Estátua do Cristo Misericordioso no trevo principal de Presidente Venceslau. Foto: Blog do Toninho



  “Se é mera coincidência ou milagre, eu sinceramente, não sei dizer. Mas é fato que pouco tempo após a fixação da imagem de Cristo fazendo sua bênção com a mão voltada em direção aproximada ao frigorífico desativado em Presidente Venceslau, o mesmo foi arrematado em um leilão no qual muitos desacreditavam num desfecho positivo.”


* O Eldoradense


25 de jul. de 2017

Black Mirror: uma série que intima o telespectador à reflexão!




    Leitores do blog, por sugestão do meu amigo Rílton Nogueira, passei a assistir à série Black Mirror, da Netflix, cuja temática fala sobre um assunto que eu sempre achei bastante intrigante: A influência tecnológica cada vez maior no cotidiano da humanidade. Inclusive, há algum tempo atrás, eu havia escrito um "conto" intitulado "Tecnofrieza," fazendo a mesma abordagem. Sinceramente, eu sou tão "cismado" com esta relação de dependência tecnológica que ainda não sucumbi à compra de um aparelho celular. Quando eu digo isso, as pessoas me tratam como um "homem das cavernas", mas tudo bem, eu sei que se adquirisse um aparelho destes, me tornaria um "tecnodependente compulsivo", e sabendo das minhas fraquezas, prefiro não dar sopa ao azar.

   Mas voltando à série, assisti aos quatro primeiros episódios, e posso garantir: de todas as séries que já assisti, é a que mais me agradou! O telespectador não é convidado, mas sim, "intimado" a fazer uma séria reflexão sobre a propagação de máquinas, softwares, redes sociais e a vida online que passamos a abraçar cada vez mais enfaticamente. Cada episódio é uma história, tornando a série mais fácil de acompanhar, e também, mais atraente, menos maçante. Se por um lado, eu ainda me esquivo da "tecnodependência", por outro, preciso reconhecer: Estou hipnotizado por Black Mirror!

* O Eldoradense

23 de jul. de 2017

Vídeo musical de hoje: "Amizade sincera", com Dominguinhos & Renato Teixeira!


"Amizade sincera" - Dominguinhos & Renato Teixeira

A amizade sincera é um santo remédio
É um abrigo seguro

É natural da amizade
O abraço, o aperto de mão, o sorriso

Por isso se for preciso
Conte comigo, amigo disponha
Lembre-se sempre que mesmo modesta
Minha casa será sempre sua

Amigo
Os verdadeiros amigos
Do peito, de fé
Os melhores amigos
Não trazem dentro da boca

Palavras fingidas ou falsas histórias
Sabem entender o silêncio

E manter a presença mesmo quando ausentes
Por isso mesmo apesar de tão raros
Não há nada melhor do que um grande amigo

22 de jul. de 2017

Novamente, as pichações...

    Deixei registrado ontem, através de fotografias, o quanto foi bom ter reencontrado amigos e visitado novamente o Campus da Unesp, em Presidente Prudente. Sem qualquer exagero, o dia de ontem foi como ter feito uma viagem em uma máquina do tempo, visualizando um local que, por quatro anos, fez parte da minha vida. Não bastasse isso, as conversas, as risadas, os improvisos, as "tiradas" e principalmente, a confirmação dos laços de amizade tornaram a sexta-feira diferenciada, "emocionante".

   Mas eu não poderia deixar de registar aqui meu repúdio a uma prática condenável, que não tem charme algum, nem sequer como contestação política ou manifestação "artística": a pichação.

   Quem lê este blog percebe claramente minha visão de mundo, a ideologia na qual acredito, sem qualquer fanatismo, porém, embasada em muita leitura e influenciada, logicamente, pelo próprio curso de Geografia em si. Todavia, qualquer ideologia não está acima dos princípios, da democracia e do respeito ao Patrimônio Público. Abaixo, as imagens deprimentes do vandalismo, cujo teor das mensagens talvez possa até fazer algum sentido, contudo, perdendo a legitimidade por conta de um crime. Pichação não tem nada de charmoso, é um gesto idiota, e a rebeldia pela rebeldia caracteriza-se burrice, até mesmo porque atualmente, o indivíduo tem "trocentas" possibilidades de expor sua visão de mundo, suas convicções, suas opiniões. E sinceramente, cada palavra pichada nos muros e placas do Campus da Unesp enchiam meu peito de tristeza, incompreensão, e principalmente, indignação. Vejam as imagens abaixo, e constatem o que eu quero dizer:



* O Eldoradense

DJI Avata 2: "Caminho dos devotos"

  E na última quinta-feira fiz um voo no "Caminho dos devotos", um santuário localizado na Rodovia Assis Chateaubriand, no municíp...